Como a Gen Z está ajudando a reviver cultura de mídias como DVDs e Blu-Rays

Depois de os Millennials resgatarem o apreço pelo Vinil nos anos 2010, agora chegou a vez da Geração Z escolher sua mídia física de estimação: os DVDs e Blu-rays.
Em um cenário dominado pelo streaming, onde pagamos cada vez mais por catálogos cada vez menores, esse movimento já começou a impactar lojas especializadas, editoras independentes e redes varejistas nos Estados Unidos. O avanço aparece tanto em dados de mercado quanto no aumento de locações e assinaturas em videolocadoras.
Na Vidiots, em Los Angeles, janeiro de 2026 foi o maior mês desde a reabertura: uma média de 170 filmes alugados por dia e 500 títulos locados em apenas 24 horas (via Los Angeles Times). Quando retomou as atividades em 2023, o espaço emprestou cerca de 22 mil DVDs e Blu-rays; no ano seguinte, o número chegou a 50 mil. Em 2025, a loja superou mil locações semanais. Segundo funcionários, grupos de jovens passaram a frequentar o espaço principalmente às sextas-feiras à noite para locar filmes.
Parte do público afirma buscar títulos que não estão disponíveis nas plataformas digitais. Lauren, de 31 anos, explicou ao LA Times:
Se algo for removido de uma plataforma online, ainda poderei assistir porque tenho uma cópia física. É importante poder possuir algo e não depender das decisões financeiras dos estúdios.
Bianca Garcia (27) relatou frustração com o número de assinaturas, o que parece ser um dos maiores motivos para esse movimento:
Neste momento, sou obrigada a ter seis assinaturas diferentes, o que é absurdo, e ainda assim não encontro o que quero assistir. Por que estou pagando tanto para me oferecerem um filme por um ano e depois o retirarem?
Já outros frequentadores da loja afirmam também gostar de ter aquela mídia na estante, citando que ficar “navegando na Netflix por horas” é mais prejudicial do que benéfico.
Nova era para os DVDs e Blu-rays
Segundo a Digital Entertainment Group, as vendas de mídia física caíram mais de 20% em 2023 e 2024. Em 2025, a retração foi de 9%, indicando desaceleração na queda. No segmento 4K UHD, consumidores norte-americanos gastaram 12% a mais em 2025 em comparação com 2024. A presidente da entidade, Amy Jo Smith, afirmou que esse desempenho aparece com mais clareza no Blu-ray 4K, que oferece “uma experiência premium de exibição em casa”.
Editoras especializadas também registram crescimento. A Criterion Collection informou aumentos anuais nas vendas. O presidente da empresa, Peter Becker, declarou:
No início do streaming, parecia que isso não iria acontecer, mas aconteceu. Estamos vendo muitos indícios de que mais jovens estão pensando a mídia física de outra maneira.
Na Barnes & Noble, uma das últimas grandes redes a manter espaço dedicado a DVDs e Blu-rays, as vendas cresceram em percentuais de dois dígitos médios no último ano. Bill Castle, diretor da área de música e vídeo, afirmou: “As pessoas querem possuir coisas e montar suas bibliotecas. Elas podem assistir quando quiserem, sem se preocupar com qual serviço de streaming tem aquele título disponível.”
Nas redes sociais, o debate acompanha esse movimento. O perfil @EarthToGazelle publicou:
Eu disse anos atrás que a mídia física faria um grande retorno porque possuir arte é muito mais importante do que fazer streaming e rolar uma tela. Revistas, DVDs, CDs, fotolivros, diários, lookbooks e até teatro voltarão com força total. Isso também vai recriar mais ‘terceiros espaços’ quando o cansaço do celular se intensificar. Não precisaremos rolar a tela para ver o que você vestiu ou onde foi; teremos um caderno sazonal, um diário sazonal, uma lista de e-mails física. A criação lenta também voltará a crescer. Projetos que levam seis meses a um ano para serem executados, promovidos por oito meses seguidos em vez de partir rapidamente para o próximo. Vai chegar um ponto em que ser apenas uma personalidade online poderá até soar estranho se não houver público e comunidade reais fora das redes sociais.
Embora a mídia física ainda represente uma parcela bem menor do faturamento dos estúdios em comparação com o streaming, os dados indicam um mercado mais estável após anos de retração.
E você, gosta de colecionar DVDs e Blu-rays?
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Stephanie Hahne
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