“Não é sobre nostalgia”: Tiago Iorc explica por que decidiu revisitar “Troco Likes” e anuncia turnê afetiva (ENTREVISTA)
De um álbum íntimo a um encontro de vozes e emoções, Tiago Iorc relança “Troco Likes”, agora “TROCO LIKES – 10 ANOS”, em uma nova fase marcada por colaborações e redescobertas. Em entrevista, o artista abre o coração ao falar sobre o impacto de ouvir suas próprias canções em outras vozes, como IZA, Marina Sena e Ney Matogrosso. Ao POPline, Tiago detalha a experiência com uma confissão direta: “Voltei a me emocionar com minhas próprias músicas”.
Capa de “TROCO LIKES – 10 ANOS”
O que antes era um álbum íntimo, quase confessional, agora se expande em um projeto coletivo. E isso muda tudo. Tiago não escolheu participações pensando em estratégia. Escolheu pensando na verdade. Cada artista entrou a partir da música, não o contrário. “Quem faz sentido pra essa canção?”, foi a pergunta que guiou tudo.
E é justamente aí que o projeto se expande de um jeito bonito e quase inesperado. Porque não se trata só de revisitar canções. Se trata de permitir que outras vozes atravessem histórias que antes eram só dele. Em “Liberdade e Solidão”, não há meio termo. Ney Matogrosso não interpreta a música, ele atravessa. Existe uma entrega crua, quase dilacerante, que amplia o peso emocional da faixa e transforma a escuta em experiência. É daquelas participações que não só somam, mas redefinem.
Crédito: Rafael Trindade/Divulgação
Quais são as participações em “TROCO LIKES – 10 ANOS”?
IZA entra em “Alexandria” como quem ilumina a música por dentro. Existe força, mas também uma delicadeza muito consciente, quase como se ela revelasse novas camadas de uma faixa que já era tão emocionalmente carregada.
Vitor Kley, em “O Sol que Me Faltava”, carrega uma coincidência quase poética no próprio repertório. Conhecido por transformar o sol em hit, ele parece chegar à música como quem já entende exatamente a temperatura emocional dela. E não é só isso. Anos atrás, ainda no início da trajetória, ele abriu um dos shows da turnê de “Troco Likes”. Agora, retorna para dentro desse universo com outra bagagem, outra história e um simbolismo difícil de ignorar.
Marina Sena, em “De Todas as Coisas”, traz um frescor que não apaga o passado, mas conversa com o presente. A interpretação dela desloca a música no tempo, como se ela pudesse existir agora, com outras nuances, outros sentimentos, outra pele. E então vem Ney Matogrosso.
O projeto ainda se abre para outros encontros que ampliam esse mosaico afetivo. Grupo Menos é Mais em “Amei Te Ver”, Jota.pê em “Mil Razões”, Melly em “Eu Errei”, Mundo Bita em “Coisa Linda”, Os Garotin em “Bossa” e Lauana Prado em “Cataflor” entram como novas camadas dessa releitura, conectando diferentes cenas, públicos e sensibilidades dentro de um mesmo universo.
No fim, mais do que feats, o que Tiago constrói aqui é um diálogo entre tempos, trajetórias e sensibilidades. Um encontro onde cada artista não só canta, mas revela algo novo dentro de músicas que, até então, já pareciam completas.
Redescobrir o sentir
Existe um ponto especialmente forte nesse processo: Tiago voltou a se emocionar com as próprias músicas. Depois de anos cantando as mesmas canções, é natural que o sentimento se desgaste. Ele mesmo reconhece esse afastamento quase inevitável que acontece com o tempo, quando algo é repetido muitas vezes. Mas revisitar Troco Likes dessa forma mudou tudo.
“Revisitar essas canções através de versões novas, ouvir na boca de outros artistas, com novos arranjos… é como se estivesse tocando em outra parte da minha sensibilidade”, ele conta .
E não é só uma percepção técnica. É emocional. “Tem me emocionado muito. Me permitiu olhar pra essa história com amor mesmo”, diz . E esse talvez seja o coração desse projeto: não é sobre reviver o que já foi. É sobre sentir de novo, de outro jeito. Com mais calma, mais presença e mais amor.
Likes, algoritmos e o que realmente importa
Quando “Troco Likes” nasceu, o “like” ainda carregava um significado mais simples. Hoje, ele existe dentro de um ecossistema mais complexo, com algoritmos, viralização e excesso de conteúdo. Tiago observa tudo isso com uma certa distância, quase como quem ainda está tentando entender o que estamos vivendo.
“As redes sociais são um grande experimento. A gente ainda não chegou no fim do que está acontecendo”, reflete. Para ele, existe um paradoxo constante entre exposição e autenticidade. “A nossa necessidade de validação está muito conectada com a nossa necessidade de expressão”, explica.
E talvez seja justamente essa consciência que sustenta essa nova fase. Porque, diferente de antes, não parece existir uma busca por aprovação. Existe uma tentativa mais honesta de equilíbrio. De entender até onde mostrar. Até onde preservar. E, principalmente, como não se perder no meio disso.
A turnê: memória afetiva em movimento
Se o álbum revisitado é um mergulho interno, a turnê é onde tudo ganha corpo, voz e presença. É ali que essa história deixa de ser só dele e volta a ser das pessoas. Tiago fala sobre esse momento com um cuidado quase afetivo, como quem entende o peso dessas canções na vida do público. Não é só um show, é um reencontro.
“Esse show tem o objetivo de ser uma celebração”, ele explica . Mas não uma celebração nostálgica, presa ao passado. Existe um movimento muito claro de transformação. “Vai ser um misto desse resgate, dessa memória afetiva com essas canções… mas automaticamente se torna um momento novo”, garante.
E é justamente aí que mora a força dessa turnê. Porque quem sobe ao palco não é o Tiago de 2015, é um artista atravessado por uma década intensa de experiências pessoais, profissionais e emocionais. “Eu trago na bagagem esses dez anos de experiências que me moldaram como pessoa, não só no palco, mas na vida”, ele conta .
Para quem está ali, a experiência também ganha outra dimensão. É revisitar uma fase da própria vida, com tudo o que ela carrega de afeto, enquanto se assiste a um artista que também está revisitando a sua, mas com outros olhos, mais maduros, mais conscientes. E talvez seja justamente isso que torna essa turnê tão especial. Não é sobre reviver o que foi. É sobre entender o que aquilo se tornou.
Uma nova fase
Talvez o maior símbolo dessa fase seja o fato de que Tiago não precisou se reinventar completamente para seguir em frente. Ele apenas se reencontrou. Depois de um momento em que precisou pausar para recuperar o sentido do que fazia, hoje ele parece mais alinhado com aquilo que sempre foi o seu norte. “O que me guia é a sensibilidade. Quando eu me desconecto disso, eu perco o rumo”, revela.
E agora, com essa sensibilidade de volta ao centro, tudo parece fazer mais sentido. Essa nova era não é sobre provar nada. É sobre sentir de novo, compartilhar melhor e, finalmente, viver o sucesso sem se perder dele. E, dessa vez, sem precisar desaparecer depois.
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Redação POPLine




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