Aos 40 e com Jéssica Falchi, Korzus obriga metal a encarar seu próprio abismo

Korzus anuncia nova formação com Jéssica Falchi e Jean Patton
Divulgação

Quem foi que disse que a vida começa aos 40? O Korzus traz a resposta e a prova de que a maturidade pode ser o ponto de partida para uma nova fase: mais incisiva, mais consciente e, sobretudo, mais corajosa. Nesta quinta-feira (2) a banda anunciou a entrada da guitarrista Jéssica Falchi e, dessa forma, obriga o metal a encarar o próprio atraso de representatividade.

Jéssica chega junto com o agora efetivado guitarrista Jean Patton trazendo novos ares à banda que é um dos pilares do thrash brasileiro e que se reinventa ao integrar, pela primeira vez, uma mulher em sua formação.

O anúncio veio acompanhado do lançamento de “No Light Within”, faixa que inaugura essa nova configuração e abre caminho para o disco que o Korzus prepara para o fim do ano. A música é potente, entrega breakdowns no melhor estilo que a escola thrash exige e um refrão daqueles que grudam na cabeça. Os decanos Marcello Pompeu (vocal), Dick Siebert (baixo) e Rodrigo Oliveira (bateria) deixaram nas mãos da dupla novata a direção do clipe.

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Korzus inaugura nova formação com “No Light Within”

A presença de Jéssica Falchi no Korzus não deveria ser tratada como exceção ou curiosidade. Enquanto críticos de música, não queremos mais enfatizar a tag “uma mulher na guitarra”. Deveria ser apenas uma guitarrista, com trajetória, linguagem, entrega, técnica como qualquer outro. Mas a realidade ainda não acompanha completamente esse ideal.

E é justamente por isso que esse movimento do Korzus ganha peso. Porque, mais do que nunca, sabe-se da importância da representatividade como prática real e não como discurso vazio.

O Korzus, ao abrir esse espaço, está, mesmo que silenciosamente, tensionando uma estrutura que sempre esteve ali e que ainda resiste a mudar na mesma velocidade que uma música de heavy metal.

Ao TMDQA!, Jéssica disse:

“Tenho a consciência do quão importante e representativo é esse momento. O metal ainda é um espaço majoritariamente masculino, reflexo de uma estrutura que por muito tempo não abriu espaço da mesma forma para mulheres. Espero que cada vez mais possamos vê-las sendo reconhecidas e ocupando esses espaços”.

Paralelamente, Jéssica, que acaba de lançar seu primeiro disco solo intitulado Solace, conta que seguirá esse trabalho autoral também. O EP do projeto Falchi foi construído em conjunto com Jean Patton, que assinou a produção.

“Vou poder explorar outras linguagens dentro da minha identidade musical no meu trabalho solo, enquanto o Korzus recebe todo o thrash metal que existe em mim! Vai ser incrível transitar entre dois universos e exercer diferentes formas de expressão como guitarrista”.

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A nova fase do Korzus

A nova fase já aponta para os palcos, com a banda confirmada em eventos como o Bangers Open Air (25/04) e o Party On Wacken (18/04), ambos shows em São Paulo onde essa formação será testada diante de plateias. 

A chegada dos dois guitarristas, que ainda não eram nascidos quando Korzus começou a abrir passagem, reforça uma leitura contemporânea da cena, enquanto Jéssica individualmente adiciona não apenas um novo elemento musical, mas também simbólico.

Em sua rede social, Jean se pronunciou dizendo que o que mais o encanta neste movimento é “unir diferentes gerações na mesma banda, com a mesma paixão”.

Sobre o convite para entrar no Korzus, Jéssica diz:

“Já existia uma conexão musical e pessoal com o Jean, o que tornou tudo mais orgânico desde o início. O convite veio em um momento em que eu estava muito focada na minha identidade artística, e integrar o Korzus fez sentido justamente por isso, o thrash metal faz parte de quem eu sou como guitarrista. Além disso, é uma banda com uma história muito sólida e poder somar nessa nova era é algo que me motiva muito”.

Fôlego novo e superação 

Marcello Pompeu, a alma fundadora do Korzus, nunca escondeu em entrevistas e falas públicas a dureza de sustentar uma banda de metal no Brasil não apenas pela questão artística, mas por toda a engrenagem que envolve manter um projeto dessa magnitude ativo por décadas. Um discurso lúcido que revela não só uma compreensível frustração, mas também fala dos desafios reais da cena.

E, nesse ponto, o paralelo com Rob Halford, do Judas Priest, ajuda a iluminar o caminho.

Mesmo tendo uma carreira de dimensões continentais, Halford também precisou lidar com os efeitos do tempo, com mudanças de formação, com o desgaste e com a crueza da vida no show business. Hoje aos 73 anos, ele cogitava parar ainda na década passada, impactado pelo afastamento de dois de seus maiores parceiros, Glenn Tipton e K.K. Downing, e os rigores da estrada. 

O ponto de virada veio justamente com a chegada de dois jovens à banda, Richie Faulkner e Andy Sneap, guitarristas a quem Halford atribui uma lufada de vida e energia, algo que revitalizou não só a ele, mas também à banda, que já considerava pendurar as guitarras e agora comemora na estrada a marca de 50 anos.

Korzus parece seguir a mesma direção ao se jogar numa fase marcada por renovação, resiliência e diálogo com as novas gerações.

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Isis Correia

Aos 40 e com Jéssica Falchi, Korzus obriga metal a encarar seu próprio abismo


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