Com montagem irregular, “Cinco Tipos de Medo” investe em ação e boas atuações

Com montagem irregular, Cinco Tipos de Medo investe em ação e boas atuações
Crédito: divulgação

Nesta quinta-feira (9), estreou nos cinemas brasileiros o filme Cinco Tipos de Medo, que aposta em uma proposta ambiciosa dentro do cinema nacional.

Com o objetivo de construir um thriller de ação intenso, entrelaçando diferentes histórias marcadas pela violência e pelas consequências das escolhas humanas, o longa traz no elenco nomes conhecidos do horário nobre da televisão como Bella Campos e o cantor Xamã.

A narrativa acompanha personagens distintos que, aos poucos, são conectados por situações extremas envolvendo crime e perseguição. A trama escrita pelo diretor Bruno Bini se desenvolve a partir de múltiplos núcleos, misturando criminosos, vítimas e figuras moralmente ambíguas em um contexto geral. Elas caminham em cena paralelamente até convergirem em um mesmo ponto.

O encontro culmina, sobretudo, em um hospital e uma prisão, que funcionam como espaços centrais do clímax. No entanto, é justamente o que evidencia um dos principais problemas do filme: o excesso de conveniências de roteiro. A recorrência de situações em que todos os personagens terminam no mesmo lugar, comprometendo a verossimilhança da história e enfraquecendo a construção dramática.

Além disso, a montagem contribui para uma sensação de confusão. A alternância entre os diferentes núcleos nem sempre é fluida, o que pode dificultar o entendimento da linha temporal e das motivações dos personagens. Em vez de intensificar o suspense, a fragmentação, em alguns momentos, afasta o espectador do que é projetado na telona.

Cinco Tipos de Medo estreou nos cinemas brasileiros

Apesar das fragilidades estruturais, o filme apresenta méritos importantes. É evidente a intenção de consolidar um thriller de ação brasileiro com identidade própria, algo ainda pouco explorado no cinema nacional. As cenas de ação são bem executadas, demonstrando cuidado técnico e bom uso de ritmo e coreografia.

Somado a isso, as atuações conseguem sustentar o envolvimento do público, trazendo intensidade e credibilidade emocional mesmo diante de um roteiro irregular. Outro ponto relevante é a origem do projeto, pois Cinco Tipos de Medo nasceu como um curta-metragem sob o título Três Tipos de Medo, lançado em 2016.

O novo filme, dez anos depois, amplia a estrutura episódica e a tentativa de expandir um conceito inicial para uma narrativa mais ampla. A transposição, embora interessante, revela desafios típicos de adaptações do tipo, especialmente na construção de uma trama mais coesa.

Em síntese, Cinco Tipos de Medo é uma produção que oscila entre acertos técnicos e problemas narrativos. Mesmo com uma montagem confusa e soluções de roteiro pouco orgânicas, a obra se destaca pela ambição e pelo esforço em explorar filmes de ação no Brasil, deixando um sentimento de esperança para os amantes do gênero no país.

★★★ (3/5)

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Gabriel von Borell
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