Luísa Sonza vive uma nova fase: “Minha vida era um reality show” (ENTREVISTA)

O POPline faz aniversário de 20 anos em 2026. Para comemorar, o portal leva 20 perguntas de fãs para Luísa Sonza, que está iniciando a turnê do álbum “Brutal Paraíso” com dois shows no Festival Coachella, nos Estados Unidos. O sucesso da primeira apresentação foi tanto que o festival convidou a cantora para transmitir o segundo show também pelo canal dela no YouTube.

Luísa Sonza vive uma nova fase: "Minha vida era um reality show" (ENTREVISTA)

(Foto: Divulgação)

1 – Como foi se apresentar no Coachella? – via @jeimisonfilipe

Luísa Sonza: Foi uma energia surreal, muito especial, obviamente um dos momentos mais incríveis da minha vida. Nunca pensei que eu fosse passar esse momento no Coachella, mas acho que a gente entregou um show muito real, muito true, “muito Brasil”. Eu saí muito orgulhosa e não contive o choro. Era muito engraçado depois: eu e o ballet, a gente se reuniu, e todo mundo estava chorando no meio de “Modo Turbo”. Chorando e dançando, rebolando a bunda, então isso é muito Brasil. Acho que isso é muito Luísa Sonza também, bem “Brutal Paraíso”: chora rebolando a bunda, uma coisa totalmente Luísa Sonza. E quando eu falo Luísa Sonza também se estende para a equipe inteira. Foi muito engraçado. Todo mundo emocionado em “Tropical Paradise”.

2 – Emília vai estar no segundo fim de semana do Coachella? – via @ewerson_26

Luísa Sonza: Não, ela não está no segundo final de semana. A gente já tinha combinado desde o início. Então a gente vai ter uma mudançazinha de setlist, e outro look, que está bem bafo também. Tem que ver de novo!

Luísa Sonza vive uma nova fase: "Minha vida era um reality show" (ENTREVISTA)

Foto: Instagram/@luisasonza

3 – Lu, qual foi a sensação de lançar um álbum perfeito? – via @tmatheussz

Luísa Sonza: Eu tô muito feliz com o “Brutal Paraíso”. É um álbum que fiz com muita calma, fiz com muita tranquilidade. Eu pude maturar os meus sentimentos. Não é um álbum momentâneo, e eu acho que isso me tranquiliza. Eu amo muito o “Escândalo Íntimo”, eu amo tudo o que ele é, só que eu acho que existiram alguns sentimentos, algumas coisas que… Eu sinto que, em “Brutal Paraíso”, eu tive mais tempo pra entender o que que eu queria colocar nesse álbum, o que que representava esse momento, principalmente em questão das músicas com mais letra e tudo mais.

Luísa Sonza sempre teve essa coisa desses dois lados. Tem o lado de rebolar a bunda e dançar, pop e tudo mais. Mas tem um outro lado um pouco mais profundo, de letras, e de sentimentos um pouco mais profundos que eu exploro. Poder ter uma música de oito minutos falando da minha vida em ‘Brutal Paraíso’… Pude ser muito natural no que eu acreditava, mas ao mesmo tempo muito tranquila e em paz com as coisas que eu estava colocando nesse álbum, e sabendo que eu estava muito segura de cada palavra que eu estava colocando ali.

4 – Qual característica te faz gostar mais de “Brutal Paraíso” do que dos álbuns anteriores? – via @wallammasmoura

Luísa Sonza: Esse é o primeiro álbum que eu praticamente escrevi ele inteiro sozinha, então, isso pra mim é algo muito especial. Muitas vezes as pessoas não enxergam a gente, mulheres, como grandes compositoras ou compositoras capazes de colocar os sentimentos pra fora. Eu sinto que o feminino tem tanta força sentimental, tem tanta força de compreender, de acolher os sentimentos das pessoas, que isso me intriga muito. Tem um monte de cara fazendo um monte de letra rasa, e o povo fala ‘Nossa, gente! Compositor, poeta!’. E a gente se arrebenta, faz um monte de coisa, e povo fica ‘Ah mas não deve ter sido ela’. Foi, sabe?

5 – Com qual faixa de “Brutal Paraíso” você mais se identifica? – via @ryenzg

Luísa Sonza: Bom, tem tantos momentos nesse álbum que é difícil falar de um momento que eu me identifique. Acho que a que eu mais me identifico pode ser “Brutal Paraíso”, que é a última. Eu sintetizo ali alguns momentos da minha vida e, no final, eu falo que é isso mesmo: chega de ficar me desculpando, eu me cuido, eu me passo um pano, e é por mim que eu canto, porque no final é assim. Acho que muita coisa aconteceu na minha vida que não tem como eu contar uma história de superação muito clara, uma muito “Ai gente, agora está tudo bem, está tudo feliz, e eu nunca mais vou ter nenhum sentimento ruim, e nada mais me afeta”. Existem sequelas mentais, de saúde mental, que são inevitáveis. A depressão não tem cura, sabe? Você só encontra um jeito de viver com ela, então, esse é o meu jeito de viver, sabe? É continuar fazendo, continuar escrevendo, não limitando as coisas que eu sinto nas músicas.

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Foto: Instagram/@luisasonza

6 – Qual foi a composição mais difícil de “Brutal Paraíso”? – via @sonzerfeeh

Luísa Sonza: Cada vez eu respondo uma, tá? Em cada entrevista que me perguntam, eu respondo uma, mas pensando aqui, talvez “Fruto do tempo” pode ter sido a mais difícil, porque é uma música sobre a vida. Não é uma música sobre amor. É fácil escrever sobre amor, é fácil escrever sobre sexo, é fácil escrever sobre desilusão amorosa, sabe? São assuntos mais do dia a dia. Agora concluir um pensamento de vida… Tanto que eu comecei essa música dois anos atrás. Na época, eu estava escutando “Consolação” e aí fiz uma resposta. Iniciei com “Consolação”, misturando com “Tomara” de Vinícius de Moraes. Eu não tinha refrão. É uma música que não tinha refrão, eu não sabia o que colocar.

O álbum é meio que “Tá, ok, depois do fim, o que acontece? Como a gente vai reviver?” Então “Fruto do Tempo” inicia, mas ela inicia entendendo que tudo morre pra voltar a nascer, sabe, tudo vai voltar a ficar bem, mesmo que você tenha perdido toda a fé, toda a esperança, porque isso já aconteceu comigo. Existiu um momento em que a música que eu mais me identificava era “Fruto do Tempo”, e eu achava de fato que não ia ter uma grande reviravolta. Não ia ter mais uma história, eu achei em alguns momentos que a história acabava ali, sabe? Acredito que muita gente teve momentos da vida que falou assim “Cara, não vejo mais porque seguir”. E aí eu acho que a música me salva nesse lugar, porque eu falo “Então eu vou escrever que eu não vejo mais alegria, não vejo mais esperança, não vejo mais vida, não me sinto viva”. O que me faz continuar é escrever sobre isso, sabe?

7 – O que foi mais difícil de produzir no álbum “Brutal Paraíso”? – via @anto_nellaangel

Luísa Sonza: “Fruto do Tempo” ficou um tempão meio presa, porque falei: “Como é que eu vou concluir essa música?”. Aí, já estava em casa, e escrevi: “Em piedoso sofrimento, agora por fruto do temo, já não existe amor”. Falei: “Acho que vou encabeçar essa tristeza 100%”. Eu sempre busco ter uma virada – “Vamos trazer uma esperança” – mas nesta falei: Cara, acho que ‘Fruto do tempo’ não vai ter esperança. E vou buscar esperança em outros momentos do álbum”. Nessa, queria cravar uma faca mesmo, sabe? Iria trazer um sentimento que não é tão fácil você escrever. É mais fácil escrever uma coisa bonita, uma coisa esperançosa. Agora você falar “É o fracasso da esperança e do ato de ser, a vida na lembrança, para só matar e morrer” é tipo.. BUM!

8 – Se o álbum fosse um lugar físico, onde seria o seu paraíso particular? E a trilha sonora! – via @rafsreal

Luísa Sonza: Ai, uma praia bem quentinha, sem vento, porque eu não gosto de praia que tem muito vento, que vai areia na cara. E tem que ser água quentinha, tipo uma praia do nordeste, sem vento. Com todos os meus animais e mais uns 40, porque eu acho muito pouco ter dez. Queria ter mais bichinhos, acho muito pouco. E com toda a minha família, meus amigos. E aí, do lado de casa, o vale do Anhangabaú, com um milhão de pessoas para eu ir lá fazer show e voltar.

Luísa Sonza vive uma nova fase: "Minha vida era um reality show" (ENTREVISTA)

Foto: Pam Martins

9 – Você acha que algumas pessoas não entenderam o “Brutal Paraíso”? – via @epilehpsacul

Luísa Sonza: Acho que é natural. “Brutal Paraíso” precisa de mais tempo pra ser digerido. Eu precisei de mais tempo pra fazer “Brutal Paraíso”, sabe? “Escândalo Íntimo” foi um álbum feito em três meses, entende? É muito claro, rápido, sabe? “Brutal Paraíso” foi feito em dois anos, em que muitas partes da minha vida não foram expostas. Acho que isso é muito diferente também. Em “Escândalo Íntimo”, as pessoas estavam acompanhando quase que um reality show da minha vida. Após “Escândalo Íntimo”, eu escolhi sair disso. Eu não quero mais ficar refém, nunca quis ser refém, e não quero ser refém de uma vida completamente exposta, de uma saúde mental sempre prejudicada, de uma coisa sempre caótica pra fazer as minhas músicas. É óbvio que isso vai fazer com que as pessoas demorem mais a se ligar nas coisas, sabe?

As pessoas antes estavam vendo um reality show da minha vida. Se ninguém soubesse da história de “Penhasco”, iriam entender de uma hora pra outra? “Brutal Paraíso” é um outro tipo de história, de exposição, de tempo de álbum, de maturação, então são coisas que eu sempre soube que seriam diferentes. Só que no final são muito próximas, porque segue sendo eu, segue sendo minha história, sigo eu falando sobre as coisas da minha vida, sobre os meus sentimentos, sobre as minhas fraquezas, sobre as minhas forças. A diferença é que agora, por vontade minha e por cuidado, eu quis fugir disso e deixar só a música aparecer. Isso vai gerar uma demora maior pra se entender as letras, é natural.

10 – Se pudesse apresentar uma música do “Brutal Paraíso” ao “Escândalo Íntimo”, qual seria? – @michael.suan

Luísa Sonza: “Brutal Paraíso”, eu acho. Oito minutos de música falando de uma vida inteira!? Imagina “Escândalo Íntimo” vendo eu falando “Hoje é por mim que eu canto”! Juro. “Escândalo Íntimo” ia ficar gag! Acho que ia ficar super invejoso, tipo “Por que ela pode lançar uma música de oito minutos e eu não? Por que agora ela está toda amor próprio? ‘Hoje é por mim que eu canto’, não sei o quê”. Ia ficar gag.

11 – Você ainda não cantou o “Brutal Paraíso” nos programas de TV nacionais. Isso está nos planos? – @carolicees

Luísa Sonza: Já estão marcados todos os programas nacionais possíveis. A gente não pôde fazer essa pré [divulgação] antes por conta do Coachella. A gente teve essa oportunidade e falou “Então vamos lançar o álbum próximo do Coachella, para focar no Coachella”. Foi o nosso maior foco. É o Coachella! Ter essa oportunidade de abrir a turnê no Coachella! A gente focou, única e exclusivamente, no Coachella. O álbum “Brutal Paraíso” foi lançado nesses dias específicos para o Coachella, acho que isso é claro para todo mundo, né? Depois, a gente vai fazer toda a divulgação de sustentação em todos os programas de TV que vocês imaginarem. Vai fazer TV, vai fazer rádio, vai fazer todas as mídias e veículos nacionais, nesse pós-Coachella.

Eu tinha que vir antes, não tinha como só estar no dia do Coachella, então a gente ficou em bateria de ensaio durante dois meses, todos os dias, o que me deixava, vamos dizer, presa todos os dias durante dez horas. Eram muitas músicas novas, a gente teve banda nova. Isso muda toda uma configuração, que acho que as pessoas não têm ideia do tempo que isso leva, sabe? Então a gente se propôs a uma coisa, e eu acho que a gente entregou com excelência o show. Foi muito elogiado, eu fiquei muito feliz, e eu acho que a gente conseguiu colocar também todas as músicas novas de uma maneira muito natural, em que as pessoas dançaram juntos, sabe? E isso é muito bom, muito bom para o álbum, muito bom para a longevidade dele.

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(Foto: Divulgação)

12 Como estão os preparativos para a turnê “Brutal Paraíso” no Brasil? – via @its_alanvieira

Luísa Sonza: Estão a todo vapor. Já estamos pensando em como vai ser os shows no Brasil, que serão um pouquinho maior do que esse daqui. Tô muito ansiosa. Acho que vai ser a melhor turnê. A gente já está fazendo uma estrutura bem bonitona no Brasil, que é em real e a gente consegue pagar um pouquinho mais (risos). Não é em dólar. A gente vai arrasar. Quero tentar botar a troca de look. Mas eu odeio sair do palco e deixar o povo esperando. Com interlúdio. Me dá um ódio aquilo. Só que precisa de um tempo. E aí o que acontece? Ou a gente faz os interlúdios ou a gente não troca. E aí fica muito difícil, porque eu não gosto de perder a energia do público com interlúdio. Só que também gosto de “Vamos botar 15 looks e tal”.

Na realidade, se eu pudesse fazer show de calcinha e sutiã, seria o melhor. O nível que a gente dança, que a gente fica de cabeça pra baixo… é um calorão. As roupas incomodam. Aí não dá pra ser coisa que a bunda não balança, se for tal tecido. Aí não sei o quê. Aí fica muito difícil. Eu, por mim, vou de calcinha e sutiã. Mas eu sei que eu tenho que entregar o impossível. E aí eu quero tentar botar umas trocas de looks, uns negócios. Mas a gente está vendo como é que a gente vai fazer isso ainda pra não deixar o público esfriar. Olha, menina, não é fácil.

13 – Quando vão começar os shows de “Brutal Paraíso” pelo Brasil? – @its.eiick

Luísa Sonza: No dia 2 de maio, já tem o festival Nômade, em São Paulo. Tô super ansiosa!

14 – A turnê nova vem pro Rio Grande do Sul? – @wezley_sykva

Luísa Sonza: Sim! Acho que já tem até show marcado. Já já a gente vai anunciar as datas.

15 – Vai vir fazer show em Belo Horizonte (MG)? – via @luisamarazzi_

Luísa Sonza: Vamos rodar o Brasil inteiro, gente. Brasil e América Latina. A gente vai fazer em tudo que é canto.

Luísa Sonza investe em divulgação criativa, cômica e orgânica para “Brutal Paraíso”

Foto: Instagram @luisasonza

16 – E os merchs de “Brutal Paraíso”? – @qgda_braba

Luísa Sonza: Cara, estão perfeitos. Eu fiz o merch do jeito que vocês queriam. Botei um monte da minha cara. Porque eu sempre tentava fazer uns merchs que as pessoas usassem. Mas eu pensava assim: “Não devem querer ficar andando com a minha cara”. Aí fizeram um monte de merch pirateado com a minha cara. Aí eu falei “Não, agora eu vou fazer a minha cara”. Agora vai ter capa do álbum, minha cara lá. Aí vocês vão comprar do meu. Falei “Vamos fazer do jeito que vocês querem”. Então vai ter. Acho que eu aprovei hoje o último… Vai sair tudo. Já vai sair já já.

17 – Diga uma música sua para cantar pra sempre e uma pra nunca mais cantar. – via @jvilaka

Luísa Sonza: Para cantar para sempre pode ser “Loira Gelada”. Cantaria para sempre. E, para não cantar nunca mais, “Rebolar”, óbvio. Acho super básica. Olha ali a tonga! Eu não estava fazendo minha verdade ainda. Sinto que nem sou eu. Me mandaram fazer eu fiz, aí me irrita um pouco.

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Foto: Divulgação

18 – Faria um “Modo Turbo 2.0”? – @_.asafe.renno

Luísa Sonza: Óbvio! Seria tudo, inclusive.

19 – Faria um feat. com qual cantor(a) gringo(a)? – @ray_freitas1

Luísa Sonza: Nossa… tanta gente! É tão difícil isso, né? Eu queria muito fazer com a Young Miko e fiz. Mas dos que eu não fiz… Nathy Peluso! Acho ela um bafo!

20 – Lu, vem algum feat. bombástico por aí? – @leerfell

Luísa Sonza: Sempre tem coisa, né, gente? Sempre tem coisa. Sempre tem coisa.

Luísa Sonza investe em divulgação criativa, cômica e orgânica para “Brutal Paraíso”

Foto: Instagram @luisasonza

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Leonardo Torres

Luísa Sonza vive uma nova fase: “Minha vida era um reality show” (ENTREVISTA)


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