Lançamentos nacionais: fewanda, Aclive e Marcelo Vergueiro

Após apresentar o single duplo “sonhar ondas”, fewanda, em parceria com Jonnyjonjoni, dá continuidade ao seu percurso artístico com o lançamento do EP amanhã / nuncafoi, acompanhado por dois clipes complementares que expandem visualmente a narrativa das faixas.
Com três músicas, o compacto mergulha em temas como o fim de ciclos e o luto de relações. O trabalho de estúdio se propõe a traduzir, de forma sensível e consciente, os caminhos do amadurecimento emocional, revelando processos internos que transbordam e pedem elaboração.
A faixa “amanhã” estabelece o pulso do projeto ao equilibrar suavidade e densidade. Inserida no universo do Folk Pop Indie, a canção combina a delicadeza dos arranjos com a intensidade expressiva dos violões e vocais dos dois artistas. Em sua narrativa, o eu lírico reconhece no outro um espelho, em encontro que evidencia fragilidades e desperta a necessidade de autocuidado, sintetizada no verso.
Sonoramente, o EP constrói um diálogo entre violões marcantes e interpretações vocais carregadas de emoção. A produção musical, assinada por fewanda, incorpora elementos do Bedroom Pop e do Emo, ampliando a atmosfera íntima e sensorial do projeto.
Naturais de Sorocaba, em São Paulo, fewanda e Jonnyjonjoni uniram seus projetos solo em 2020 para formar o duo. Suas composições, centradas nos violões, exploram encontros entre referências e sensibilidades, criando um espaço de complementaridade artística.
Inspirados por nomes como John Denver e Kings of Convenience, os artistas combinam os timbres do nylon e do aço para ressignificar desconfortos e estados introspectivos, construindo paisagens sonoras orgânicas e etéreas.
Aclive

A cena do Rock nacional ganhou um novo destaque vindo da Baixada Santista: a banda Aclive. Formado nos morros de Santos, o grupo lançou em setembro de 2025 seu primeiro EP, Vendetta, disponível em todas as plataformas digitais.
O compacto apresenta uma sonoridade intensa que mistura Punk Rock, Hardcore, Metal e elementos melódicos, resultando em um som visceral e carregado de identidade. Com cinco faixas inéditas, o trabalho de estúdio marca a consolidação de uma trajetória iniciada em 2019, quando a banda surgiu sem grandes pretensões.
A pausa forçada durante a pandemia, longe de interromper o processo criativo, contribuiu para amadurecer as composições e estruturar o repertório. Como destaca o guitarrista Guz Oliveira, o EP traduz a energia intensa presente desde os primeiros ensaios do grupo.
A faixa-título é um dos pontos altos de Vendetta, equilibrando agressividade e melodia ao retratar a vingança como símbolo de libertação em um relacionamento opressor, grito de autonomia e ruptura.
Antes do lançamento do EP, a banda já havia chamado atenção com o single “Herói de Plástico”, acompanhado de um clipe bem recebido nas plataformas de streaming. Com o novo material, a Aclive dá um passo decisivo e reforça seu crescimento na cena nacional.
Marcelo Vergueiro

O caos urbano e a psicodelia em um exército de um homem só marcam o lançamento de A Sweet Invitation, EP de estreia de Marcelo Vergueiro. Gravado ao longo de oito meses em um home studio no Rio de Janeiro, o compacto surge como um retrato íntimo e visceral da inquietação urbana contemporânea.
O trabalho de estúdio se apresenta como um manifesto DIY (“Do It Yourself”, ou “Faça Você Mesmo”), no qual o artista assume controle total de todas as etapas do processo criativo. Marcelo assina as composições, letras e a execução de todos os instrumentos, além de ser responsável pela mixagem e masterização, realizadas de forma crua dentro de seu próprio quarto, o que reforça o caráter confessional e experimental da obra.
Sonoramente, A Sweet Invitation mergulha no universo do Indie lo-fi, dialogando com referências clássicas do Rock Alternativo e da psicodelia. Influências que vão de Don Fleming ao Hüsker Dü, passando pela atmosfera mística do The Doors, ajudam a construir uma identidade sonora híbrida, já descrita por alguns ouvintes como um “grunge xamanista”.
Tal combinação resulta em uma textura musical que transita entre o acessível e o caótico, refletindo diretamente o conceito central do trabalho. Concebido como um disco conceitual, o EP narra a degradação progressiva da percepção humana diante do excesso e da pressão dos centros urbanos.
A trajetória do personagem se desenvolve como um fluxo contínuo de transformação emocional e sensorial. Ela começa com o deslumbramento inicial diante do brilho e do ritmo acelerado da vida urbana, representado por uma sonoridade mais pop e acessível, mas, em seguida, esse encantamento dá lugar à revolta, expressa por distorções e pela energia do punk, refletindo o choque com a realidade.
Diante desse conflito, surge a evasão, conduzida pela psicodelia, que introduz um estado de torpor, introspecção e fuga. Por fim, a jornada culmina na ruptura, quando o “doce convite” revela seu custo e o personagem sucumbe a uma parede de som experimental e ruídos, simbolizando sua fragmentação mental.
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Gabriel von Borell




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