Guitarristas reverenciam legado de Carlini após morte do ícone do Rock

O rock brasileiro perdeu na última quarta-feira, 7 de maio, um de seus arquitetos mais importantes: Luiz Carlini, aos 73 anos. Dono de uma assinatura inconfundível na guitarra, ele ajudou a moldar a identidade do rock nacional quando alçou voos nos anos 1970 e viu os holofotes em si através de sua parceria com Rita Lee na banda Tutti Frutti onde deixou sua marca em clássicos como “Esse Tal de Roque Enrow”, “Ovelha Negra” e “Agora Só Falta Você”.
A parceria fundamental entre Carlini e Rita desemboca em um simbolismo bonito: ele parte três anos após a amiga, quase na mesma data, ela num 8 de maio e ele no dia 7.
A díade foi poderosa, mas a obra de Carlini se estende em mais de 400 discos de artistas de toda sorte além de seus próprios trabalhos. Atualmente ele era guitarrista da banda de Guilherme Arantes e é assim que sua biografia será escrita em sua página última.
Provavelmente há muito material inexplorado de Carlini esperando um momento certo para ser trazido à luz dada a mente inventiva e a alta rotatividade de contribuições e parcerias.
O guitar hero Luiz Carlini
Elevado ao status de guitar hero não só pelos fãs mas também pelos próprios parceiros de instrumento, Carlini foi um dos responsáveis por popularizar a guitarra no Brasil em um tempo onde não havia facilidade para se ter uma guitarra e mesmo dominá-lo por aqui dado que era uma relativa novidade vinda do exterior. O próprio rock and roll nacional dava seus primeiros pulos.
O timbre, os riffs e a linguagem bluesy de Carlini atravessaram gerações e influenciaram diferentes fases da guitarra brasileira — do rock setentista ao heavy metal tradicional ao mais moderno, passando pelo hard rock e pela cena independente contemporânea.
Para entender o tamanho desse legado, o TMDQA! ouviu com exclusividade guitarristas de diferentes escolas, estilos e gerações — da velha guarda aos nomes da nova cena — sobre a importância de Carlini para a música brasileira e histórias que se entrelaçam. Entre técnicas, memórias e referências afetivas, os depoimentos ajudam a mostrar como Carlini seguirá vivo no jeito de tocar, compor e sentir o rock and roll feito no Brasil.
Guitarristas reverenciam legado de Luiz Carlini
Rafael Bittencourt
O guitarrista do Angra, Rafael Bittencourt, selou uma amizade com Carlini e ressalta seu pioneirismo no instrumento no Brasil.
“Luiz Carlini foi meu primeiro herói da guitarra brasileira. Quando quase não se falava de guitarra no Brasil, vê-lo ao lado do Tutti Frutti e da Rita Lee me marcou profundamente. Lembro-me de quando o conheci, já era uma lenda e ainda assim foi generoso, simpático e apaixonado pela música, me mostrou como funcionava o pedal steel guitar, e daí veio uma aproximação, admiração recíproca e uma amizade”.
Faiska Borges
Faiska é um dos mais respeitados e tradicionais nomes da história da guitarra brasileira e dividiu com Carlini inúmeros shows, eventos e gravações, sendo o último trabalho a reunião de um dream team da guitarra brasileira na exposição Rock SP 360 que contou a história do gênero sob o recorte paulistano através da biografia de Lucinha Turnbull, considerada a primeira mulher guitarrista do Brasil, também parceira de Rita Lee, Kleber K. Shima (Hot Rocks), Sérgio Hinds (O Terço) e os próprios Faiska (Joelho de Porco) e Carlini.
“Conheço o Carlini desde 1974 e o último trabalho que fizemos foi o Rock SP 360 com Lucinha Turnbull, Kleber K. Shima e Sérgio Hinds no início deste ano. Vou sentir saudades”.

Edu Ardanuy
Edu Ardanuy, ícone da guitarra virtuose no Brasil, dividiu com Carlini os trabalhos na banda do cantor Supla.
“Carlini era um cara incrível que conheço há muitos anos. Sempre foi e sempre será um dos maiores guitarristas do Brasil! Acredito que o solo de guitarra mais icônico da historia da guitarra brasileira é o solo dele em ‘Ovelha Negra’, com a Rita Lee. Sem contar o seu bom humor! Vai deixar muita saudade”.
Marcos Kleine
Guitarrista fundamental da história do rock nacional com Ultraje a Rigor, Marcos Kleine dividiu trabalho com Carlini no álbum de estreia da PAD, sua outra banda, uma guitarra lap steel em “Eu Sou o Cara”, e lamenta a perda do ídolo e amigo.
“Carlini deixa um legado imenso, construído com talento, sensibilidade e uma identidade única na guitarra. Fica também a partida de um grande amigo, cuja presença, generosidade e inspiração permanecerão vivas. Que sua arte continue ecoando no tempo, eterna como os sentimentos que despertou nos que tiveram o privilégio de ouvi-lo e conhecê-lo”.
Andreas Kisser
Andreas Kisser, do Sepultura, recebeu a notícia da morte de Carlini nos Estados Unidos, onde está em turnê. Ambos dividiram inúmeras jams sobretudo no PatFest, festival de música beneficente idealizado por ele e que contou com Carlini em todas edições.
“Carlini se conectava com todo mundo, era muito respeitoso, muito carinhoso. Basta ver as homenagens que está recebendo também fora da comunidade musical, de artistas de outras áreas, esportistas. Um cara sublime e uma alma especial. Como músico, nem tenho como medir sua influência. Foi um pioneiro da guitarra Rock and Roll no Brasil. Ele, o Tutti Frutti, são coisas que ficarão para sempre inspirando as gerações futuras”.
Jean Patton
Jean Patton, do Korzus, mesmo praticando um heavy metal extremamente pesado, reconhece Carlini como inspiração.
“Conheci o Carlini há dois anos no show do Moto Perpétuo e incrivelmente parecia que nos conhecíamos há anos! Em pouco tempo de conversa, ele, com toda classe e carisma, me deu uma aula sobre composição e carreira que vou levar pra vida! Foi uma honra poder chamá-lo de amigo”.
Yohan Kisser
Para Yohan Kisser, que coleciona muitas histórias com o ícone, Luiz Carlini foi um dos maiores guitar heroes do mundo. Carlini assina um solo de lap steel — uma de suas grandes marcas — na faixa “A Tábua e o Metro” de The Rivals Are Fed and Rested (2024), disco de Yohan.
Yohan conta como o álbum Persona, de Carlini, “explodiu sua mente” na adolescência e que Carlini apadrinhou muitos músicos de sua geração.
“Sentirei falta das conversas, dos mapas de cifras que ele preparava para os músicos e das guitarras maravilhosas que apresentava — sempre surpreendendo com instrumentos que eu nunca tinha visto antes. Seu solo em meu disco é emblemático, talvez por não saber fazer nada menor que isso”.
Jéssica Falchi
Expoente da nova geração de guitarristas, Jéssica Falchi tem uma ligação com Carlini que vem da infância.
“A primeira banda que tive na vida, quando ainda era criança, tocava ‘Esse Tal de Roque Enrow’, do Tutti Frutti, e esse foi meu primeiro contato com o Carlini. Fiquei maravilhada com aquela música, porque ela me passava uma energia de Led Zeppelin, com guitarras marcantes, só que cantado em português e por uma mulher. Foi ali que fui pesquisar Carlini. Depois descobri o álbum Babilônia e adicionamos outras músicas ao repertório. Sem dúvidas isso influenciou minha relação com a guitarra e com o rock brasileiro”.
Chris Dias
Chris Dias, guitarrista da StarAce, uma das bandas da linha de frente da nova guarda do rock paulistano, integrou a banda de Lobão por meia década. Nessa fase, dividiu com Luiz Carlini as guitarras do disco Antologia Politicamente Incorreta dos anos 80 pelo Rock.
“Carlini me mostrou que não era apenas um gênio nos shows que fizemos juntos na divulgação desse álbum, mas também que era um colega generoso. Sou carioca e ele, como bom paulistano, ensinou como me virar em São Paulo. Muito do que ele trouxe passa pelo que faço hoje na StarAce, no que diz respeito ao espírito da guitarra rock, que é a grande essência da banda, o que indica que seu legado já está posto mesmo para as gerações mais novas”.
Gabriel Thomaz
“Se você pensar em um nome para o título de ‘grande guitarrista do rock brasileiro’, o primeiro nome que vem é Carlini”, diz o também guitarrista Gabriel Thomaz, da banda Autoramas.
“A importância do Carlini é fundamental. Ele passou por todas as décadas, sempre arrebentando e ativo, criativo e atuante e com estilo próprio. O rock de Sao Paulo, o rock da Pompeia, Carlini é a cara disso! A história da guitarra brasileira não poder ser contada sem o nome do Carlini”.
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Isis Correia
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