Pra Ficar de Olho: a identidade admirável de “KUCZYNSKI”

KUCZYNSKI, em registro por Gabriela Grafolin
Foto por Gabriela Grafolin

A música brasileira ganha um novo fôlego com a chegada de KUCZYNSKI, o projeto autoral de Vivian Kuczynski que finalmente coloca sob os holofotes uma das mentes mais brilhantes dos bastidores atuais. Depois de anos moldando a sonoridade de gigantes como Jão e Pabllo Vittar, a paranaense radicada em Los Angeles decide agora habitar sua própria arquitetura sonora. Lançado no dia 30 de abril, o EP de estreia não é apenas um cartão de visitas, mas um manifesto de independência técnica e criativa de uma artista que assina desde a primeira nota até a masterização final.

Neste trabalho, Vivian deixa de ser a força invisível para se tornar a protagonista de um universo onde o rigor eletrônico alemão encontra a urgência do post-punk. O resultado é um mergulho em texturas sintéticas que evocam tanto a melancolia das pistas de dança vazias quanto a sofisticação experimental do synth-pop. Sob a influência direta de nomes como Kraftwerk, o EP apresenta uma sonoridade polida e, ao mesmo tempo, visceral, provando que a precisão dos equipamentos pode, sim, carregar uma alma pulsante.

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A anatomia de um pouso emocional: o Faixa a Faixa por Vivian Kuczynski

Ouvir as seis faixas de KUCZYNSKI é como caminhar por uma galeria de memórias instantâneas e reflexões íntimas. Abaixo, a própria artista detalha o processo por trás de cada canção:

WE ARE GONNA LAND IN HOUSTON:
“Essa foi a primeira música que criei para o projeto. Tive a ideia inicial enquanto estava viajando para a Carolina do Norte. Na volta para Los Angeles, fiz uma conexão em Houston e literalmente criei ela enquanto o avião estava pousando. É daí que vem o nome.”

HAPPILY EVER AFTER:
“Essa é uma música sobre se apaixonar. Tem muitos elementos de post-punk, e eu produzi no meu MacBook, na cozinha de casa.”

MUSIC 4 A STRIP CLUB:
“Eu amo ir ao Jumbo’s Clown Room em LA, e quis fazer uma homenagem a esse lugar incrível. Então pensei nos sons que me lembram de lá, o que, sinceramente, não faz muito sentido, já que eles normalmente tocam rock.”

STEALING IS A BAD THING:
“Fiz essa música depois de ficar frustrada durante uma discussão sobre royalties com alguém. A voz que ficou foi do primeiro take.”

DOLLARS:
“Essa música é tipo um mantra.”

GOD MADE US THIS WAY:
“Essa é uma conversa imaginária com alguém muito especial para mim, dizendo que está tudo bem e que eu entendo essa pessoa.”

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Já disponível em todas as plataformas, o EP de estreia da KUCZYNSKI é o registro de uma artista que já dominava as máquinas e agora, finalmente, se permite ser dominada pela própria arte. É música eletrônica para ser sentida no peito, antes mesmo de ser processada pelo ouvido.

De fato, Pra Ficar de Olho.

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Eduardo Ferreira

Pra Ficar de Olho: a identidade admirável de “KUCZYNSKI”


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