“O Concreto Já Rachou”: como a Plebe Rude traduziu o cotidiano brasileiro no Punk

Plebe Rude - O Concreto Já Rachou

Em meados dos Anos 80, enquanto o Brasil saía cambaleando de duas décadas de ditadura e o Rock brasileiro explodia nas rádios, um quarteto de Brasília chamado Plebe Rude entrou em estúdio com sete músicas e saiu com uma das obras mais explosivas do Rock nacional.

O Concreto Já Rachou, lançado em 11 de fevereiro de 1986, combinou a urgência do Punk com letras afiadas e elementos de novas sonoridades que vinham surgindo fora do país, culminando em um disco que capturou o espírito da juventude em tempos de abertura política.

Quarenta anos depois, o álbum chega ao palco do C6 no Rock na íntegra e tão urgente e incisivo quanto antes.

De Brasília para o Brasil: a Turma da Colina

Formada em Brasília nos Anos 80, a Plebe Rude fez parte da chamada “Turma da Colina”, termo usado para se referir a grupos de jovens músicos que se reuniam num espaço residencial destinado a estudantes da Universidade de Brasília em um momento de tensão política no país.

Não à toa, a Plebe se firmou como um dos pilares do Rock Nacional ao lado de outros nomes da mesma origem, como Legião Urbana e Capital Inicial, mas não é exagero dizer que O Concreto Já Rachou seja o trabalho mais político dentre todos que surgiram naquele momento.

Mais ácido e combativo do que seus contemporâneos, o grupo se inspirava tanto na honestidade do Punk quanto na sonoridade mais experimental que foi exemplificada pela escolha das participações especiais de Herbert Vianna em “Minha Renda” e Fernanda Abreu em “Sexo e Karatê”, mas outros nomes emblemáticos também se envolveram no projeto, incluindo George Israel no saxofone e Jaques Morelenbaum no cello.

Tudo isso, claro, gira em torno de um fator especial da origem da banda: eles foram apadrinhados por Herbert Vianna, depois que o líder d’Os Paralamas do Sucesso os conheceu em um show no Circo Voador e se impressionou com o inteligente sarcasmo do grupo, assinando a produção de O Concreto Já Rachou.

O Concreto Já Rachou e a essência do Punk oitentista brasileiro

A Plebe é a cara dos Anos 80, e os Anos 80 são a cara da Plebe. A banda se destacou em meio ao cenário Punk por evoluir a sonoridade setentista mais crua, buscando um equilíbrio entre contestação e apelo, sem fugir de arranjos mais ousados do que seus companheiros de época. Assim surgiu “Até Quando Esperar”, um verdadeiro hino que qualquer filhote dessa geração sabe cantar do começo ao fim.

Mesmo com apenas pouco mais de 20 minutos e sete músicas, O Concreto Já Rachou é considerado um dos melhores discos do Rock brasileiro e muito disso passa pelo quanto suas letras dialogam com o cotidiano. O próprio título do álbum, inspirado em uma realização de Philippe Seabra ao perceber que a recém-inaugurada Brasília já tinha rachaduras em seu concreto mesmo pouquíssimos anos após surgir, é um retrato disso.

Dessa forma, não é de se estranhar que, 40 anos depois, o álbum soe tão urgente quanto na data de seu lançamento. O diálogo entre o contexto da redemocratização e a exaustão da classe trabalhadora contemporânea pode ter outras nuances atualmente, mas continua fortemente presente na mente de quem vive a realidade brasileira.

Plebe Rude celebra O Concreto Já Rachou no C6 no Rock

É nesse contexto que a Plebe Rude apresenta O Concreto Já Rachou no C6 no Rock. Do núcleo original, Philippe Seabra (guitarra e voz) e André X (baixo) seguem à frente da banda, acompanhados agora por Clemente Nascimento (guitarra e voz) e Marcelo Capucci (bateria).

O festival acontece nos dias 22 e 23 de agosto, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. A Plebe sobe ao palco no sábado, dia 22, ao lado de Os Paralamas do Sucesso, Paulo Ricardo, Titãs e a homenagem a Rita Lee. No dia seguinte, estão outros grandes nomes como Marina Lima, que apresentará o icônico Fullgás completo.

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Felipe Ernani

“O Concreto Já Rachou”: como a Plebe Rude traduziu o cotidiano brasileiro no Punk


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