TMDQA! Entrevista: Jack Antonoff, “everyone for ten minutes” e Bleachers

Bleachers, em foto por Alex Lockett
Foto por Alex Lockett

Jack Antonoff é, hoje, o arquiteto invisível e visível do pop global. Aos 42 anos, ele carrega uma prateleira pesada de prêmios e uma agenda que faria qualquer pessoa sucumbir ao burnout. Entre moldar o som de ícones como Taylor Swift, Lorde, Lana Del Rey, Jack mantém um santuário criativo onde as regras da indústria não entram: o Bleachers.

Se o disco autointitulado de 2024 foi um mergulho profundo em suas raízes, o novo trabalho, everyone for ten minutes, é a celebração definitiva de uma vida dedicada à estrada. É um álbum que equilibra o caos do mundo moderno com a esperança teimosa de quem ainda acredita no poder de um saxofone e de uma letra honesta.

Repetindo o feito de dois anos atrás para o TMDQA!, Jack surgiu direto de Nova York, com a energia de quem acabou de sair do estúdio, para detalhar o processo de criação do quinto álbum, a evolução da banda como uma unidade indestrutível e, claro, reforçar a promessa que todo fã quer ouvir. Em uma entrevista exclusiva, vamos mergulhar na mente desse ícone.

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TMDQA! Entrevista Jack Antonoff (Bleachers)

TMDQA!: Olá, Jack! Como você está? É um prazer enorme falar com você hoje!

Jack Antonoff: Oi! Eu estou muito bem, acabei de acordar aqui em Nova York. É incrível falar com você, cara. Muito obrigado pelo tempo, o prazer é meu.

TMDQA!: Você falou conosco há alguns anos, quando estava lançando o álbum autointitulado (Bleachers, 2024), e parece que muita coisa aconteceu desde então. Naquela época, ainda parecia uma novidade o fato de o Bleachers ser oficialmente uma banda e não apenas um projeto solo, mas isso provou dar certo, com todos os membros ainda presentes. Isso mudou a sua forma de compor ou gravar?

Jack Antonoff: Sim, mudou absolutamente tudo. O relacionamento que tenho com a banda e o que fazemos ao vivo alteraram completamente a minha forma de pensar em todos os sentidos, especialmente no estúdio. Existe uma energia ali que agora é uma das coisas que eu “persigo”, sempre há algo que estou buscando no estúdio; eu sei quando alcanço, e geralmente era sobre capturar a sensação do “ao vivo”, a emoção da música ou de uma pessoa perdendo a cabeça sozinha na sala.
Mas, quanto mais poderoso o Bleachers se torna, mais esse sentimento de banda vira o novo objetivo que persigo nas gravações com qualquer pessoa.

TMDQA!: O Bleachers sempre teve seu DNA, mas sinto que o disco autointitulado foi um divisor de águas, levando você a novos patamares. O quanto dessa mudança veio de você abraçar sua identidade musical e o quanto foi algo que simplesmente “aconteceu” organicamente?

Jack Antonoff: Acho que, conforme o tempo passa, se você está no caminho certo com as pessoas certas, você se torna cada vez mais audacioso – quanto mais tempo eu faço isso, mais destemido me sinto. Sinto que estou cavando cada vez mais fundo.

Eu conheço a sensação de ficar com medo quando se está no caminho errado em outras partes da vida, então sou muito grato por essa banda, onde tudo só fica mais potente. Por mais que eu sinta que dei tudo de mim em um álbum, sempre parece haver uma nova camada a ser atingida no próximo. Isso vem das relações pessoais que temos uns com os outros e com a música.

TMDQA!: Essa identidade aparece novamente em everyone for ten minutes. É um álbum muito honesto, com aquele pop rock contagiante e hímico. Ele foi descrito como a “culminação de uma vida de devoção às bandas” – é uma definição muito poderosa. Como é chegar a esse ponto após tantos anos na indústria?

Jack Antonoff: Eu não vejo meu trabalho como algo que pretendo “dominar” ou ser mestre, vejo como algo com o qual estou vivendo e me envolvendo; é algo que muda e que estou sempre perseguindo. Quando olho para os anos que ficaram para trás – o que faço em duas músicas deste álbum – escrevo sobre isso porque são minha história, mas não são algo em que eu “moro”. Eu vivo com essa obsessão de seguir em frente e ir mais fundo. Sendo sincero, ainda me sinto como um bebê nesse processo [risos].

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TMDQA!: Sobre as faixas, quero destacar “take you out yonight” – uma das nossas favoritas. Ela tem uma vibe meio Bon Iver, com uma influência de rap no início, antes de explodir naquele pop rock clássico de Nova Jersey que vocês incorporam bem. E temos “i can’t believe you’re gone”, que tem uma sonoridade assombrada, com uma escuridão sob o otimismo do disco.
Como você equilibra tantas influências sem sobrecarregar o ouvinte?

Jack Antonoff: Eu penso nisso até o momento em que faço algo que soa perfeito para mim; aí eu paro de pensar. No início de um álbum, tenho todas essas ideias na cabeça e não sei como juntá-las. Não sei como fazer uma pregação vocal no início e transformar isso em um momento clássico de show do Bleachers.
No começo, é tudo uma bagunça, mas aos poucos, começo a encontrar os laços. Às vezes são laços literais, como o som da bateria, o cravo ou a harmônica – que são grandes personagens deste álbum. Outras vezes são laços líricos.

Quando ouço como as coisas podem funcionar, fico muito empolgado. É como dirigir, ficar sem gasolina, ver um posto, encher o tanque e rodar mais 200 milhas – é um processo de empurrar para frente. E algumas coisas que eu queria muito fazer acabam não funcionando no álbum, o que é doloroso, mas necessário para criar a obra maior.

TMDQA!: Jack, desde o disco de 2024, você produziu para Kendrick Lamar, Sabrina Carpenter e muitos outros. Quando você volta para o Bleachers após passar tanto tempo no universo de outras pessoas, o que encontra? O trabalho externo muda o que você quer dizer como Bleachers?

Jack Antonoff: Não muda o que eu quero dizer, mas me ajuda a cristalizar isso, com toda certeza. Quando estou com outras pessoas, posso testemunhar um sentimento que me lembra de algo próprio, e isso me inspira a mergulhar mais fundo, mas eu nunca “saio” do mundo do Bleachers; tudo acontece ao mesmo tempo.

Se estou trabalhando com alguém que conta uma história linda sobre um amigo, eu não quero contar aquela história, mas a honestidade da pessoa pode me inspirar a escrever sobre um familiar ou uma perda minha. Eu gosto de pular de um projeto para outro, isso me faz sentir livre e me impede de pensar demais.

TMDQA!: Qual música deste disco mais te surpreendeu por ter se tornado algo que você não esperava no início?

Jack Antonoff: Tem uma música chamada “i’m not joking”, é uma das minhas favoritas. É uma canção de amor completamente sincera, mas com algo muito “adulto” nela – é romântica de um jeito que eu não tinha notado em mim no passado.

Tem uma linha que diz “você sabe o que significa ser um homem”; isso não soava como eu antigamente. Gravamos isso na Itália, em um estúdio aleatório, sem nossos equipamentos habituais, e simplesmente aconteceu, senti como se estivesse canalizando algo do meu futuro. Se alguém me dissesse que era uma gravação minha daqui a 10 anos, eu acreditaria.

TMDQA!: Para encerrar, você poderia citar cinco músicas que mudaram a sua vida?

Jack Antonoff: Com certeza!

  1. “I Hope I Don’t Fall in Love with You” de Tom Waits: É perfeita. Ela te coloca dentro do bar, você assiste à cena acontecer com ele.
  2. “Have You Forgotten” do Red House Painters: Tem um nível de nostalgia triste que eu mal consigo ouvir. Às vezes, quando escrevo, tento chegar nessa profundidade.
  3. “Toxic” da Britney Spears: Quando ouvi no rádio, pensei: “que porra é essa?” – no melhor sentido possível. Me deu esperança de que o grande público consegue lidar com sons bizarros.
  4. “Brilliant Disguise” de Bruce Springsteen: Me dá muita fé na simplicidade. A música não tem grandes mudanças sônicas; ela começa e termina no mesmo universo e você é completamente levado por ele.
  5. “Paper Bag” da Fiona Apple: Sonoramente pura e incrível. É uma lembrança antiga de ouvir algo e sentir o quão brilhante foi a gravação sem que ela precisasse “gritar” isso. É como provar uma comida que você comeu a vida toda, mas feita em um nível totalmente diferente.

TMDQA!: Jack, foram respostas incríveis. Muito obrigado por nos atender! Antes de ir, podemos ligar as câmeras rapidinho para um print?

Jack Antonoff: Claro, espera aí… Olá! Prazer em conhecer você [risos] Obrigado por me receberem, foi uma entrevista maravilhosa. Tchau, pessoal!

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Eduardo Ferreira
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