Ícone do Metal explica como músicos podem combater a IA: “criar com o caos”

Inteligência artificial na música

O novo álbum solo de Einar Solberg, intituladoVox Occulta, nasceu de um mergulho profundo na complexidade da mente humana, território cada vez mais discutido também no contexto contemporâneo da inteligência artificial.

Em um momento em que algoritmos tentam compreender padrões emocionais e linguagem, Solberg direcionou esse mesmo impulso investigativo para dentro de si, explorando as camadas mais ocultas da própria consciência. Em entrevista recente, Einar afirmou (via Loudersound):

“Quanto mais aprendo sobre mim mesmo, mais percebo o quanto eu não sabia. Quando se trata da vida interior, ninguém consegue compreendê-la completamente em uma única existência. Sempre há mais para descobrir.”

Para o vocalista do Leprous, o avanço da inteligência artificial reforça ainda mais a necessidade de preservar a imperfeição e a espontaneidade humanas na música. O artista acredita que, em uma era em que a IA já consegue produzir conteúdos tecnicamente sofisticados e cada vez mais convincentes, o diferencial da criação artística está justamente no imprevisível e no orgânico.

Por isso, em seu novo álbum, Solberg optou por utilizar apenas instrumentos reais, rejeitando até mesmo sintetizadores, em busca de uma sonoridade mais humana e autêntica. Segundo ele, enquanto a IA opera por lógica e padrões, sua composição nasce do caos e da intuição, elementos que considera essenciais para a verdadeira expressão artística:

“Nesta época em que se consegue obter coisas genéricas, mas de alta qualidade, da IA, acho que é mais importante do que nunca ousar ser ainda mais aleatório, mais humano, mais imperfeito, mais orgânico. Nem sequer usei sintetizadores neste álbum; todos os instrumentos são reais. A IA é incrivelmente boa em copiar coisas e vai ficar ainda melhor nisso. Mas a IA cria com lógica e eu crio com caos e aleatoriedade.”

Einar Solberg (Leprous) lançará o disco solo Vox Occulta

Tal busca se transforma no eixo conceitual de Vox Occulta, expressão em latim para “voz oculta”. Ao longo de oito faixas, Solberg confronta emoções contraditórias, transitando entre melancolia e catarse.

O álbum funciona quase como um mapeamento psicológico de impulsos internos que, assim como sistemas complexos de IA, operam em camadas invisíveis e muitas vezes imprevisíveis:

“É sobre a voz oculta e sombria dentro de mim. Não importa o quanto eu trabalhe mentalmente, isso nunca desaparece completamente. Eu consigo silenciá-la; não é necessariamente a voz sombria que me faz sentir mal comigo mesmo. Mas é a voz sombria que me faz dizer coisas das quais me arrependo, que me faz fazer coisas das quais me arrependo, que me deixa com raiva de coisas inúteis; é a voz destrutiva dentro de mim que já foi muito mais forte em alguns momentos da minha vida. No momento, ela está presente, mas bem controlada. Aceitei que ela venha dizer ‘oi’ de vez em quando.”

Musicalmente, o álbum amplia ainda mais a estética cinematográfica que já marca o trabalho de Solberg no Leprous. Metade das músicas conta com a participação da Orquestra da Rádio Norueguesa, reforçando sua ambição de transformar sua música em experiências grandiosas e imersivas.

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Gabriel von Borell

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