Paulo Miklos conta por que gravou hit do axé no novo álbum: “recado passava despercebido” (ENTREVISTA)
Para quem acompanha de perto o rock nacional, o nome de Paulo Miklos está eternamente ligado à vanguarda e à crueza dos Titãs. No entanto, em seu mais novo projeto solo, o artista de 67 anos decidiu dar um salto sem rede de proteção. Miklos acaba de lançar “Coisas da Vida”, um álbum de intérprete que promete revisitar grandes hinos da música brasileira. Com grandes hits na tracklist, a presença de “Xibom Bombom”, estrondoso sucesso de axé dos anos 90, originalmente gravado pelo grupo As Meninas, chamou atenção.
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Crédito: Jorge Daux
Apesar de parecer inusitada, a escolha da canção, que aparece ao lado de gigantes como Cazuza e Walter Franco, foi intencional. Em entrevista ao POPline, Paulo Miklos revelou que busca justamente o “estranhamento” ao trazer o hit para o seu próprio universo.
“Gosto dessa possibilidade de interpretar uma música jogando um outro olhar para algo que está aparentemente distante. O recado dela, curiosamente, passa despercebido. Agora estou feliz de deixar isso explícito”, pontua o cantor.
O isolamento e o segredo por trás do novo disco solo
“Coisas da Vida” não é apenas uma coletânea de releituras; é um diário de bordo emocional do artista. Cada uma das 11 faixas foi escolhida por estar atrelada a uma sensação ou “acontecimento decisivo” de sua trajetória recente. A faixa mais surpreendente e íntima do registro, segundo ele, é a versão de “Mestre Jonas” (clássico de Sá, Rodrix e Guarabyra). Miklos revela que a letra reflete um momento delicado e recente de sua vida pessoal:
“Sou eu aqui dentro do meu novo apartamento. Reconstruindo minha vida. Ao mesmo tempo, correndo o risco do isolamento. É incrível como certas canções fazem a gente se projetar nelas.”
TikTok vs. Clássicos
Com mais de quatro décadas de estrada, o músico assiste de camarote às transformações do mercado fonográfico. Questionado sobre a era atual, dominada por músicas feitas sob medida para dancinhas de aplicativos e que duram apenas duas semanas no topo, Paulo Miklos faz um alerta sobre a pressa do mercado atual.
“A própria indústria diminuiu o tempo que a gente tem para saborear o novo. Mas o que é bom sempre fica. Permanece nas nossas vidas. Toca as pessoas”, analisa.
Essa liberdade para lançar um projeto focado na interpretação, e não no imediatismo dos algoritmos, vem com a maturidade. O cantor confessa que, finalmente, conseguiu deixar para trás o “fantasma” das cobranças que o perseguiram desde o estouro de “Sonífera Ilha”, em 1984. Na época, e também após a trilogia clássica dos Titãs (“Cabeça Dinossauro”, “Jesus Não Tem Dentes…” e “Õ Blesq Blom”), a indústria exigia que a banda repetisse a mesma fórmula de sucesso a cada passo. “Hoje, estou em um momento de síntese, sem precisar provar nada a ninguém”, desabafa.
Após reunião histórica, o que esperar dos Titãs daqui para frente?
Todos ao mesmo tempo agora: Titãs (com o auxílio luxuoso do produtor de longa data Liminha) dão o pontapé na turnê que celebra 40 anos da banda (Crédito: Daiv Santos)
É impossível falar de Paulo Miklos sem mencionar a estrondosa turnê de reunião dos Titãs, que arrastou multidões por estádios recentemente. Para os fãs que ficaram com um gosto de “quero mais”, o músico faz questão de deixar as portas escancaradas para o futuro. Apesar de estar focado em promover seu trabalho solo com “Coisas da Vida”, o cantor garante que a história com os antigos companheiros está longe do fim.
Os Titãs são minha escola, meus amigos queridos desde os tempos de escola. E parceiros para novos projetos e composições. Estamos sempre torcendo e colaborando uns com os outros”, finaliza.
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Bruna Cora




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