Lenda do Punk detona ativistas pró-Trump, que são expulsos de show: “não temos que nos aliar”

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O show do Circle Jerks realizado no último domingo (24) no Brooklyn Bowl, em Las Vegas, nos Estados Unidos, foi marcado por confusão na plateia após declarações do vocalista Keith Morris durante a apresentação.

Conhecido por suas posições críticas e por letras que abordam temas sociais e políticos, Morris fez uma série de comentários entre as músicas refletindo sobre o atual cenário político de seu país. Em tom de desabafo, o cantor de 70 anos afirmou que os EUA vivem “tempos incrivelmente horríveis” e criticou duramente a classe política americana (via Lambgoat):

“Algumas das nossas músicas abordam temas violentos. Não somos pessoas violentas, mas vivemos em tempos tão horríveis. É muito fácil sair correndo para comprar uma arma e querer atirar em alguém. Claro que não faríamos isso. O que faríamos seria alugar um trator e simplesmente sair atirando pela calçada. Voltar para a loja, entrar no carro e sair da calçada.

Enfim, vivemos tempos incrivelmente horríveis agora. Vou fazer 71 anos daqui a quatro meses. É isso aí, estamos vivendo tempos incrivelmente horríveis agora. Vou fazer 71 anos daqui a quatro meses. Em todo o tempo que passei no planeta Terra, vivendo no continente norte-americano, nunca vi uma merda tão grande… É uma verdadeira barcaça de políticos incompetentes. Eles são os piores.

E até vocês, republicanos, que acham que seus caras, seu pessoal, estão fazendo todas essas coisas maravilhosas por vocês, só querem ferrar com vocês. E eu acredito que o lema deles seja: ‘quanto mais jovem, melhor’.”

Segundo relatos, parte do público, incluindo dois fãs ligados ao movimento MAGA (“Make America Great Again”), associado ao presidente Donald Trump, se incomodou com as falas do músico. A situação piorou após a execução de “When The Sh*t Hits The Fan”, clássico do Circle Jerks lançado no início dos anos 1980.

Depois da música, Morris voltou a falar com a plateia e foi interrompido por um fã na primeira fila, que teria o chamado de “traidor” enquanto fazia gestos obscenos em sua direção. O clima ficou ainda mais complicado quando o vocalista se recusou a autografar um disco da banda durante o show.

Vocalista do Circle Jerks entra em conflito com fãs pró-Trump durante show

Irritado com as reações negativas, Keith Morris respondeu diretamente aos fãs que o hostilizavam durante a apresentação no estado de Nevada. Chegando a chamá-los de “nazistas”, o artista disse:

“Eu sou um traidor? Ah, não, não, não, não, não, não, não, não. Vão se foder. Eu voto em todas as eleições e sempre voto no menos pior dos piores. Então, vocês estão dizendo que não estão aqui pela minha baboseira política, vocês estão aqui pela música. Mas vocês entendem as nossas letras? Vocês entendem sobre o que estamos cantando? Vocês entendem que eu acho que o Donald Trump é o maior filho da puta que já pisou na terra? Vocês são nazistas? Vocês são fascistas? Bem, é o seguinte, senhores. Primeiro: eu não vou assinar o disco de vocês. Segundo, da próxima vez que viermos à cidade, fiquem em casa. É muito simples.”

A tensão atingiu o auge durante “Under The Gun”, quando uma suposta briga envolvendo os mesmos espectadores da primeira fila interrompeu temporariamente o show e seguranças do local precisaram intervir para expulsar diversas pessoas envolvidas na confusão.

Enquanto isso, grande parte do público passou a gritar “fuck you” em coro, demonstrando apoio à banda e ao vocalista e comemorando as expulsões. Após a intervenção da segurança, Morris voltou a se dirigir à plateia e encerrou o episódio com mais críticas ao cenário político e social dos Estados Unidos:

“Sabe de uma coisa? Somos todos cidadãos dos Estados Unidos. Isso não significa que temos que nos aliar a esses filhos da puta idiotas. Nenhum deles! Temos músicas com letras incríveis. Temos músicas sobre todas as merdas que nos incomodam. E esperamos que isso incomode vocês a ponto de vocês quererem fazer algo a respeito.”

O clima pesou, mas tem hora que não dá pra evitar, né? Veja alguns registros logo abaixo!

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Gabriel von Borell

Lenda do Punk detona ativistas pró-Trump, que são expulsos de show: “não temos que nos aliar”


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