As 5 decisões mais arriscadas da carreira de Anitta

Falar sobre o sucesso de Anitta em 2026 é falar sobre uma artista consolidada, respeitada internacionalmente e apontada como uma das maiores referências de estratégia na música latina. Mas seu tamanho atual não é fruto do acaso ou de algoritmos generosos. É o resultado de uma série de decisões em que ela colocou tudo a perder para manter o controle de sua narrativa. Seja batendo de frente com gigantes da indústria, recomeçando do zero no exterior ou desafiando preconceitos estruturais com o recente álbum EQUILIBRIVM”, a trajetória de Larissa de Macedo Machado é um estudo de caso. Para entender como ela chegou até aqui, listamos 5 jogadas mais arriscadas da carreira de Anitta, enriquecidas pelo olhar de quem testemunhou essa história acontecer de perto: os seus fãs.

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Foto: Jhuan Martins

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1. A coragem de assumir as próprias rédeas

Logo após o estouro de “Show das Poderosas”, o mercado fonográfico enxergava Anitta como um produto pop de longo prazo. Foi nesse cenário que tomou sua primeira decisão extrema. Ela rompeu com sua antiga empresária para se tornar CEO de si mesma. Anos mais tarde, o movimento de autonomia se repetiu no embate com sua antiga gravadora, a Warner Music.

As 5 decisões mais arriscadas da carreira de Anitta

Crédito: Reprodução

Para o jornalista e fã desde 2012, Pahby, que acompanhou o nascimento desse fenômeno antes mesmo das rádios (quando a artista cantou a música para ele em um acústico na praia de Copacabana), esse é o maior ato de coragem da cantora.

“Eu acho que a jogada mais arriscada que Anitta fez até hoje foi sair do empresariamento da Kamilla Fialho em um momento de total ascensão. Ali, se ela não fosse tão genial quanto ficou provado que é, ela poderia ter se colocado em um imbróglio judicial e ter caído em um limbo artístico talvez irreversível. Já aconteceu com muitos artistas e com ela não. Essa movimentação de sair das mãos de empresários se repetiu e se tornou um ato de coragem muito maior quando ela precisou publicamente pedir para a antiga gravadora, Warner Music, liberá-la, mesmo que ela tivesse que ‘vender os órgãos para isso’ (palavras dela). Anitta não tem medo de peitar grandes empresários como Roberto Medina e o Rock In Rio, grandes nomes da música ou jornalistas. Ela traça um objetivo e Deus proteja quem estiver no caminho, porque ela vai passar, tem que respeitar.”

A página Anitta Crave reforça o impacto dessa mentalidade corporativa no legado da artista:

“Outro ponto que achamos muito importante foi ela assumir o controle da própria carreira e dos negócios. A Anitta sempre tomou decisões muito estratégicas, mesmo quando pareciam ‘ousadas demais’ para o momento. Hoje, vendo o tamanho da influência dela dentro e fora do Brasil, fica claro que esses riscos foram essenciais.”

2. O projeto “CheckMate”

Depois de lançar sua primeira música em espanhol, “Paradinha”, Anitta trabalhou o projeto “CheckMate” entre setembro e dezembro de 2017. A proposta ousada consistiu em lançar uma música inédita acompanhada de um clipe totalmente novo a cada mês, explorando diferentes ritmos, idiomas e conexões globais.

  • O risco: Estafa criativa, saturação de imagem e um custo logístico e financeiro astronômico. Se um único single falhasse ou atrasasse, a narrativa de “Xeque-Mate” desmoronaria publicamente.

  • A estratégia milimétrica: Mês a mês, ela mostrou sua versatilidade ao mercado internacional. Começou em setembro com a bossa nova em inglês “Will I See You” (produzida por Poo Bear); acelerou em outubro na música eletrônica com “Is That For Me” (parceria com o DJ sueco Alesso); dominou a América Latina em novembro com o reggaeton “Downtown” (colaboração com J Balvin); e deu a cartada final em dezembro com o fenômeno “Vai Malandra”, um retorno triunfal às suas raízes do funk gravado no Vidigal.

  • O impacto: O projeto mudou a dinâmica da indústria fonográfica brasileira, que passou a adotar o lançamento constante de singles e clipes como o novo padrão da era do streaming.

3. O “salto no escuro” internacional

No auge absoluto no Brasil, cobrando os maiores cachês do país e lotando arenas, Anitta tomou a decisão de ir para o exterior, o que muitos consideravam um erro estratégico. Para furar a bolha, ela aceitou dar passos atrás, cantar em palcos pequenos e fazer circuitos de rádios locais nos Estados Unidos e Europa. Se aventurar além do inglês e espanhol também ajudou a expandir a “dominação” global de Anitta. Sua parceria com o cantor italiano Fred de Palma rendeu o sucesso “Paloma”, um hit de verão lançado em 2020 que conquistou o público europeu. Além disso, a cantora participou da faixa “Mon Soleil” (2021) do cantor francês Dadju, onde arriscou versos no idioma.

Fã desde 2013, Rodrigo Tardelli enxerga esse movimento como o ponto de virada mais inspirador da artista:

“O passo mais arriscado e mais transformador dela foi ter insistido na carreira internacional, nas músicas que ela achava que tinham mais potencial, no conceito de álbum que ela queria fazer, na estética, enfim, no que ela sempre sentiu que iria funcionar, quando todo mundo duvidava. Ela poderia ter ficado confortável sendo gigante no Brasil. Mas ela escolheu recomeçar do zero em outro idioma, outra cultura, outro mercado, sem garantia nenhuma. Isso ressoa muito comigo porque acredito que crescimento real sempre exige esse salto no escuro. A Anitta não esperou o mundo estar pronto pra ela. Ela criou o caminho enquanto andava. E deu certo porque ela nunca abriu mão de quem ela é.”

A fanpage Anitta – Recife complementa a ideia:

“Apostar no mercado internacional, mesmo enfrentando todas as barreiras de ser uma artista brasileira e do funk, foi uma escolha extremamente arriscada, mas que abriu portas históricas e consolidou ainda mais a força dela globalmente.”

Anos depois (2022), em uma em uma verdadeira tarefa patriótica envolvendo todo o brasileiro, Anitta chegou pela primeira vez em sua carreira no topo da parada global do Spotify. A canção responsável pelo feito foi “Envolver”, que viralizou com a coreografia que gerou desafios nas redes sociais.

4. A globalização do funk raiz

Ao assinar com grandes gravadoras internacionais, a pressão do mercado norte-americano era evidente. A ideia era moldar Anitta para que ela performasse um pop latino comercial e genérico, que já tinha fórmula aceita nas rádios gringas. Ela transitou pelo reggaeton, mas bateu o pé de que seu manifesto estético para o mundo seria o funk carioca de favela, consolidado no elogiado álbum “Funk Generation”.

De acordo com a fanpage Anitta Crave, o risco não foi apenas musical, mas de preservação de identidade:

“Muita gente duvidava que uma artista cantando em português, vindo do funk carioca, conseguiria espaço real no mercado internacional, ainda mais competindo com artistas já consolidados globalmente. Ela assumiu riscos grandes: mudou estratégias musicais, investiu em parcerias internacionais, passou a cantar em outros idiomas e se expôs a críticas tanto do público brasileiro quanto do internacional. Mesmo assim, ela conseguiu transformar o funk em um produto global sem perder totalmente sua identidade artística.”

5. “EQUILIBRIVM”: Espiritualidade, maturidade e o combate à intolerância

A decisão mais recente e artística da trajetória de Anitta atende pelo nome de EQUILIBRIVM”. Em vez de se escorar em fórmulas fáceis para o TikTok pós-sucesso global, ela entregou seu trabalho mais maduro e conceitual, dividindo o álbum em dois atos. Um deles totalmente voltado às suas raízes brasileiras, ao samba, à MPB e à sua conexão com a fé.

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(Foto: Divulgação / Mar+Vin)

A equipe da Anitta Crave destaca o imenso valor sociocultural e o risco comercial dessa escolha:

“Isso fica ainda mais evidente agora com o álbum ‘EQUILIBRIVM’, onde ela segue quebrando barreiras ao abordar espiritualidade e religiões de matriz africana de forma muito aberta e artística. Em um país onde ainda existe muita intolerância religiosa, principalmente contra religiões afro-brasileiras, foi extremamente corajoso lançar um projeto tão conectado ao candomblé, aos orixás e à própria vivência espiritual dela. Além de arriscado comercialmente, também foi um posicionamento pessoal muito forte e justamente por isso o álbum acabou sendo visto por muitos fãs como um dos trabalhos mais autênticos e importantes da carreira dela.”

Para Júlia, da página Anitta – Recife, este é o reflexo de uma artista que não precisa mais provar nada para a indústria:

“É a decisão de lançar esse novo álbum, trazendo uma sonoridade completamente diferente do que ela já havia apresentado. É um projeto muito mais pessoal, conectado à espiritualidade, às suas raízes e ao momento que ela vive atualmente, mostrando uma artista cada vez mais madura, leve e segura da própria identidade!”

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Bruna Cora

As 5 decisões mais arriscadas da carreira de Anitta


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