De Shakira a Pedro Sampaio: quais músicas têm potencial para crescer nas paradas durante a Copa do Mundo 2026?
A Copa do Mundo é um evento que mexe com o imaginário coletivo e que faz com que as pessoas – inclusive as que sequer gostam de futebol – queiram não só participar, mas também se preparar para o período das partidas. Não à toa, o álbum de figurinhas da Copa de 2026 virou febre semanas antes do primeiro jogo e já está todo mundo à procura do manto perfeito seguindo a aesthetic ‘Brazil core’.
Na música, não é diferente. Sempre tem aquela faixa temática que reforça a emoção e a atmosfera de catarse que fazem parte de um evento esportivo dessa magnitude. E tem também aquelas que nem são oficiais ou sequer têm relação com a Copa, mas que retornam às paradas por conta do clima coletivo de festa.
Às vésperas da abertura da Copa do Mundo 2026, marcada para 11 de junho, no Estádio Azteca, na Cidade do México, o POPline analisou os charts para identificar quais músicas podem se destacar nesse período e conversou com especialistas de dentro dos streamings para entender os efeitos da Copa nos hábitos de consumo de música dos ouvintes.
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Efeito Copa nas plataformas: streams que podem cair durante as partidas, mas ‘explodir’ logo ao final delas
Músicas temáticas lançadas dias ou semanas antes da primeira bola rolar em campo ou aquelas que nem foram oficializadas pela FIFA mas que foram abraçadas pelo público tendem a ir ecoando na cabeça do torcedor de quando ele começa a entrar no mood da Copa até a hora de sentar para assistir a um jogo.
Ali durante os dois tempos de partida e, quem sabe, uma prorrogação, a emoção de ver a Seleção do seu país em campo não divide espaço com mais nada. Quando o placar aponta o resultado, porém, a música volta a embalar o sentimento coletivo de catarse e o efeito disso é observado nos charts.
“A Copa do Mundo provoca um efeito bem peculiar no consumo de música. Durante as partidas, os streams caem visivelmente nos países que estão em campo. As pessoas param tudo para assistir, e isso reflete nos dados. Mas o que vem logo depois do apito final é o momento mais interessante: a música volta com uma intensidade diferente, carregando toda a emoção do que acabou de acontecer. Músicas de celebração, de orgulho, de catarse sobem rápido nas paradas. É como se o futebol acumulasse uma tensão que a música precisa liberar. Nenhum outro evento faz isso com a mesma força!”, reflete Daniel Aguiar, Editor Sênior de Música da Deezer na América Latina.

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Toda a emoção inerente ao megaevento e o clima de festa que se compartilham tendem a beneficiar não só músicas lançadas para a Copa, mas faixas que já se tornaram grandes hits nos charts de um país e que estão precisando só de um ‘empurrãozinho’ para voltar a brilhar nas paradas.
De fato, uma Copa do Mundo pode ser o ‘empurrão’ perfeito nesses casos. O que se torna compartilhável nas redes sociais, por parte dos creators e dos próprios usuários, também pode ser decisivo nesse movimento.
“Grandes eventos esportivos têm um impacto direto no consumo de música ao criar momentos culturais compartilhados em escala global. No Spotify, é comum observarmos aumentos significativos nos streams de artistas, músicas e playlists associados ao torneio. especialmente em faixas que fazem parte da narrativa do evento, como músicas-tema, hits nacionais e canções que ganham força entre torcedores e creators durante a competição. Esse movimento também pode se refletir nas paradas da plataforma, impulsionando tanto sucessos já consolidados quanto descobertas locais para novas audiências ao redor do mundo”, destaca Carolina Alzuguir, Líder de Música do Spotify Brasil.
Cerimônia de abertura: palco de artistas consolidados e também de descobertas que podem ter reflexo nos charts
A Copa desse ano se dividirá entre três países. Alguns dos artistas que irão comandar a cerimônia de abertura nos Estados Unidos são Anitta, Lisa (do BLACKPINK) e Rema – donos de um dos hinos oficiais do evento, a faixa “Goals” -; Tyla e Future, que também somam forças para outra música oficial da FIFA, “Game Time”; e Katy Perry.
No Canadá, as performances ficam por conta de Alanis Morissette, Michael Bublé, Alessia Cara, Elyanna e Jessie Reyez. Já os escalados para embalar a festa no México são Maná, Los Ángeles Azules, Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean e J Balvin.
Vários dos nomes já são artistas consolidados a nível global, enquanto outros cravam seu nome na cena regional, mas ambos os casos podem se beneficiar com uma aparição em um evento assistido por milhões de pessoas. O efeito de tamanha visibilidade no aumento de streams é quase que confirmado.
“A cerimônia de abertura funciona como o maior palco de descoberta musical do mundo. Em questão de horas após uma apresentação, é possível acompanhar picos de streams de artistas que grande parte do público ainda não conhecia. A Copa 2026 é um exemplo perfeito disso: a música oficial do torneio, ‘Goals’, de LISA, Anitta e Rema, já movimenta as paradas antes mesmo da abertura acontecer porque a cerimônia cria antecipação que vira consumo. Quando você reúne três continentes numa única faixa, com K-pop, Afrobeats e até uma nuance de Funk Carioca, você não está apenas fazendo uma música de Copa: está mapeando como o mundo ouve música hoje. E a Deezer acompanha esse movimento em tempo real, vendo gêneros e artistas cruzarem fronteiras que antes pareciam intransponíveis”, diz Daniel, da Deezer.
Foto: Twitter/@Anitta
No Spotify, o mesmo movimento é observado. Carolina reitera: “Também notamos que apresentações em cerimônias de abertura e outros momentos de grande visibilidade costumam gerar impacto quase imediato no consumo. Músicas performadas nesses palcos frequentemente registram picos de streams logo após a transmissão, à medida que fãs buscam revisitar a performance, salvar faixas nas playlists e compartilhar o momento nas redes sociais”.
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O que deve crescer nos charts ao longo das partidas
A duas semanas da cerimônia de abertura, Shakira e Burna Boy já aparecem dentro do Top 100 Global do Spotify com “Dai Dai”, faixa também oficializada pela FIFA. Nesta sexta-feira (29), a parceria já somava mais de 1,6 milhão de plays diários na plataforma, se destacando na 93ª posição. Somado à força da imagem da colombiana como um dos ícones do evento, visto que “Waka Waka” é uma das canções mais emblemáticas de toda a história do torneio, “Dai Dai” tem tudo para performar bem nas paradas.
“Goals”, de Anitta, Lisa e Rema figura atualmente no Top 30 do Spotify da Tailândia, onde a idol do BLACKPINK nasceu. A recém-lançada “Game Time”, parceria de Tyla e Future, também deve dar as caras nos charts logo logo. A potência dos dois artistas na plataforma, do alto de seus 32 milhões e 58,2 milhões de ouvintes mensais, respectivamente, pode ser um fator de ajuda.
No Brasil, “Bate no Peito”, a parceria de Papatinho, Ludmilla, João Gomes, Zeca Pagodinho, Samuel Rosa e Veigh – nomes consolidados de diferentes gerações da música brasileira – pode ter força para aparecer nas paradas. O que também pode acontecer é vermos subir ainda mais grandes hits nacionais que fizeram barulho nos últimos meses e que, ainda frescos no imaginário do público, podem ganhar ainda mais força movidos pelo clima coletivo de festa da Copa.
É o que pode acontecer com “P do Pecado – Ao Vivo”, exitosa parceria do Grupo Menos é Mais e Simone Mendes. A música se recusa a deixar a lista das mais tocadas do Spotify Brasil, figurando atualmente na 28ª posição. “JETSKI”, que ‘bombou’ no Carnaval com as vozes de Pedro Sampaio, Melody e MC Meno K, pode surfar no ‘hype’ da Copa e retornar ao Top 50. Não está muito longe: atualmente a música se destaca na posição de nº 55.
“Antigamente existia praticamente um único hino dominando o torneio inteiro. Hoje a internet fragmenta muito mais o consumo de música. Mesmo assim, quando uma canção consegue se conectar emocionalmente com o futebol e com a experiência coletiva das pessoas, ela ultrapassa o campeonato. O hino da Copa fica porque ele acaba organizando emocionalmente uma época inteira na memória das pessoas”, destaca o DJ e produtor musical Diego Spy, mais conhecido como JESTFLY.
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Matheus de Carvalho




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