Flavio Ferrari encontra uma nova estrada em “Flor da Pele”

Flavio Ferrari
Foto: Divulgação

Ao longo dos últimos oito anos, Flavio Ferrari construiu sua trajetória seguindo um caminho guiado mais pela intuição do que por fórmulas. Entre composições, shows pelo Brasil e uma crescente conexão com o público nas plataformas digitais, o cantor e compositor pernambucano foi moldando uma obra marcada pela delicadeza da voz, pela força dos sentimentos e por uma relação cada vez mais próxima com suas raízes musicais.

Nesse percurso, dividiu composições com artistas como Juliano Holanda, Joyce Alane, Lucas Mamede e Bryan Behr, passou por palcos de diferentes regiões do país e ampliou sua presença para além das fronteiras brasileiras.

O reconhecimento ganhou novas proporções quando sua releitura de “Carta Branca”, clássico eternizado pela banda Magníficos, se transformou em um fenômeno nas redes sociais, acumulando mais de um bilhão de reproduções em conteúdos espalhados pela internet. Mais recentemente, veio também a indicação ao Prêmio da Música de Pernambuco pelo álbum Uma Espécie de Amor Pontiaguda.

Agora, com o lançamento de Flor da Pele, seu quarto disco de estúdio, Flavio chega a um ponto de inflexão na própria carreira. O álbum, produzido por Juliano Valle e lançado em parceria com a Canetaria, surge como a materialização de desejos artísticos que o cantor carregava há anos. “Sempre fui de fazer o que dava na telha, seguir o meu coração nas decisões de sonoridade e estética. Hoje eu entendo que tudo o que fiz ao longo da minha vida moldou a forma como enxergo a minha música.”

A sonoridade de Flor da Pele

Essa descoberta passa diretamente pela relação com a cultura nordestina. Desde os primeiros trabalhos, instrumentos como a sanfona apareciam em suas canções, mas ocupavam um papel complementar dentro da produção. Em Flor da Pele, a lógica foi invertida.

“Minha ideia foi trazer realmente os instrumentos nordestinos e brasileiros para o primeiro plano da estética do álbum. Isso me fez sentir algo muito especial por esse projeto, uma sensação de estar fazendo algo novo em relação a tudo que eu já havia feito”, conta.

A mudança não está apenas na escolha dos timbres. Ela atravessa a construção rítmica do disco e influencia a própria energia das canções. O violão, presença constante em sua discografia, continua ocupando espaço importante, mas divide protagonismo com camadas de percussão que conduzem grande parte da narrativa sonora.

Flavio resume essa transformação através de uma imagem simples. Enquanto seus trabalhos anteriores carregavam uma atmosfera mais próxima de um teatro, Flor da Pele nasceu com a intenção de soar como um festival. Além disso, o trabalho busca provocar uma experiência emocional intensa, capaz de ser percebida quase fisicamente por quem escuta.

“Esse disco é exatamente sobre estar vulnerável aos sentimentos. A minha intenção é fazer com que a pessoa que ouvir essas canções sinta, quase que de forma física, o que cada uma delas tem a transmitir. Eu sinto que a gente conseguiu colocar exatamente a energia que eu esperava sentir quando tivesse tudo pronto.”

A nova fase de Flavio Ferrari

Em um mercado cada vez mais orientado por lançamentos rápidos e consumo fragmentado, Flavio segue enxergando o álbum como uma experiência insubstituível. Para ele, existe uma espécie de magia na construção de uma obra pensada para ser ouvida do início ao fim. “Não tem nada mais gostoso para mim do que dar play no início do álbum e ouvir na ordem certa. Se está naquela ordem ali, pode ter certeza que tem um motivo.”

A mesma sinceridade que orienta sua visão sobre os discos aparece também em sua forma de compor. Ao ser questionado sobre sensibilidade e vulnerabilidade masculina na música, o artista evita generalizações e prefere falar da própria experiência.

Talvez seja justamente essa honestidade que conecta todos os momentos de sua trajetória. Da criança que ouvia DVDs de forró em Recife ao artista que hoje reúne centenas de milhares de ouvintes mensais, existe um fio condutor que atravessa sua obra: a disposição de seguir a própria intuição.

Por isso, ao olhar para Flor da Pele, Flavio não vê apenas mais um capítulo em sua discografia. O álbum representa uma mudança de rota, uma nova paisagem artística que ele decidiu explorar. “Esse disco vem para mim como uma virada artística. Uma rua nova para onde eu senti vontade de ir, peguei e fui.”

TMDQA! conheceu o trabalho de Flavio Ferrari através da Novos Flows, startup brasileira com uma curadoria especializada para encurtar barreiras e criar novas oportunidades para talentos emergentes. Foi a partir desse envio que esta matéria nasceu, e seguimos atentos ao que chega por lá.

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Felipe Mascari

Flavio Ferrari encontra uma nova estrada em “Flor da Pele”


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