Lançamentos nacionais: Quase Livre, Ouriço e Maurício Pereira

Quase Livre lança novo single
Crédito: divulgação

A banda Quase Livre lançou no streaming “Atrasar”, novo single que parte de uma cena cotidiana pequena, mas facilmente reconhecível: alguém tentando sair de casa e se atrapalhando com uma sequência de imprevistos. Sendo assim, a pessoa precisa avisar que está a caminho.

A música se constrói como um percurso marcado por esses atrasos. Primeiro surge a pressa fragmentada em pequenas sílabas, quase como um pensamento acelerado. Em seguida, o caminho se impõe com a estrada, a chuva e a tentativa insistente de partir.

Aos poucos, o que parecia simples se transforma em um relato quase falado, que culmina em situações domésticas banais, como banho interrompido ou o macarrão que transborda da panela.

O clima de desordem é sustentado por um arranjo que abraça o excesso sem perder o controle, com synths, guitarras, baixo slapado, solos e corais se acumulando em camadas que reforçam a sensação de urgência e caos.

A força da faixa está justamente nesse contraste entre a dimensão mínima do “problema” e a forma como ele é tratado, sugerindo uma pequena tragédia doméstica, cantada com intensidade porque, naquele momento, ela realmente é urgente.

A mixagem assinada por Leo Ramos, da Supercombo, contribui para esse equilíbrio ao manter a faixa aberta, direta, sem suavizar demais as arestas que dão identidade à música.

Ouriço

Crédito: divulgação

Depois da divulgação dos dois primeiros singles, “Breu” e “Ossos do Ofício”, a Ouriço preparou o lançamento do EP Mantenha Distância.

O projeto marca um momento importante na trajetória do grupo, reunindo quatro composições inéditas que buscam apresentar ao público a pluralidade de sua sonoridade e ampliar o alcance de sua proposta artística.

Gravado e produzido com apoio do selo Alterego, o compacto já está disponível em todas as plataformas digitais. Para além do aspecto musical, a obra se propõe a desenvolver um comentário filosófico sobre as relações humanas, explorando as tensões entre proximidade e afastamento, afeto e dor.

Tal ideia se articula a partir da metáfora que inspira o próprio nome da banda: dois ouriços precisam da proximidade um do outro para sobreviver ao frio, mas se ferem pelos próprios espinhos quando chegam muito perto. Cada faixa do EP interpreta o dilema de maneira distinta, traduzindo-o em diferentes atmosferas sonoras e perspectivas líricas.

Em “Musa (da fossa)”, por exemplo, o eu lírico narra uma experiência de desilusão afetiva a partir da percepção de um vínculo desequilibrado. A canção chega à conclusão de que, em certos casos, o afastamento pode ser mais saudável do que a insistência em uma relação que já não se transforma.

A reflexão se reflete na própria linguagem musical da faixa, que assume uma estética mais agressiva, explosiva e verborrágica, com fortes influências do Indie Rock e do Emo do início dos anos 2000.

Maurício Pereira

Crédito: Bruno dos Anjos

No centro de “Casamata de Amoreiras” está um homem sozinho, trancado por dentro. É a partir desse ponto de partida que Maurício Pereira constrói o primeiro single de seu novo álbum, em parceria com Rômulo Fróes.

A canção inaugura um trabalho marcado por novos encontros e por uma abordagem mais aberta à construção coletiva. Em nota para a imprensa, Maurício comentou sobre sua primeira colaboração com Rômulo:

“Ele sempre me disse que queria fazer uma parceria. Achei que ele ia saber bem o que fazer com essa aqui.”

Fróes trouxe uma melodia e uma condução rítmica que foram imediatamente incorporadas ao arranjo. A partir desse ponto, a canção passou a se desenvolver a partir de uma imagem central muito definida de um homem que concentra os afetos em silêncio e se volta para dentro de si:

“Quis botar um homem sozinho e trancar ele por dentro. E ver como a poesia reagia a isso.”

O método de construção musical é uma das bases que atravessa todo o disco. Ao apresentar as canções à banda, Maurício parte menos de referências sonoras prévias e mais das atmosferas e situações sugeridas pelas letras.

A partir daí, mudanças de dinâmica, harmonia e textura ajudam a expandir o ambiente de cada faixa, criando um desdobramento direto do frescor trazido pelos novos parceiros do projeto.

Previsto para o fim de julho, o álbum marca o primeiro disco do artista desde Outono no Sudeste (2018). Nesse intervalo, Maurício seguiu ativo nos palcos e em projetos diversos, mas o novo trabalho surge atravessado por outros encontros e formas de escuta.

Produzido por Biel Basile, baterista d’O Terno, o álbum reúne colaborações de Tim Bernardes, na composição, no baixo elétrico e nos arranjos de metais, e Chico Bernardes, na composição, violão, arranjos e também na coprodução e mixagem, além da parceria com Rômulo Fróes e da participação da Charanga do França.

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Gabriel von Borell

Lançamentos nacionais: Quase Livre, Ouriço e Maurício Pereira


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