De volta aos palcos, Regina Casé questiona tecnologia e revela descoberta científica: “As árvores são nossas primas” (ENTREVISTA)
Depois de anos marcando a história da televisão e do cinema nacional, Regina Casé está de volta ao teatro, onde tudo começou. Mas quem espera apenas o humor irreverente da artista vai se deparar com uma jornada cósmica, científica e profundamente urgente. Ela estreia neste mês o espetáculo “VIVA! VIDA!”, dirigido por Daniela Thomas e Estêvão Ciavatta Pantoja. A peça cruza bilhões de anos – desde a formação geológica do planeta até a era do WhatsApp – para responder a uma pergunta incômoda de como a tecnologia está nos afastando do que realmente importa. Regina e o pianista e fenômeno do jazz internacional Amaro Freitas, responsável pela trilha sonora, conversaram com o POPline sobre a produção. Confira!
Crédito: Carlos Airó Nascimento_Identidade Vusual Estúdio Radiográfico e Roberto Cifarelli
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Uma descoberta no processo criativo que mudou tudo
A paixão de Regina pela natureza não é novidade; há duas décadas ela se dedica a programas de identificação de árvores. No entanto, o processo de criação do espetáculo, que contou com a consultoria dos renomados cientistas Antônio Nobre e Fábio Scarano, trouxe revelações que mudaram a perspectiva da própria atriz.
“Uma das coisas que mais me impressionou (…) aprendi aqui que o cientista Carl Sagan usa esse termo: as árvores são nossas primas, porque qualquer árvore é capaz de ler o nosso código genético. É igualzinho, gente, realmente parente”, revela Regina.
A urgência do espetáculo ganha ainda mais força em um cenário de recordes históricos de calor e eventos climáticos extremos. Para a atriz, a reação da humanidade ainda está longe do ideal:
“É muito mais urgente do que as pessoas imaginam. A gente tem que correr para trás, tem que virar a terra para o outro lado para correr atrás do prejuízo.”
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O som do Big Bang e das placas tectônicas no piano
Para traduzir musicalmente uma narrativa que começa antes mesmo da existência da humanidade, Amaro Freitas – recém-premiado internacionalmente com o prestigiado prêmio Paul Acket 2026 – precisou desconstruir o próprio instrumento. O pianista revela que, para criar a trilha sonora, precisou “mexer nas entranhas” do piano.
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O som dos trovões e vulcões: Criados arranhando diretamente as cordas internas do instrumento.
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O tremor da Terra: Simbolizado ao bater nas cordas graves, deixando-as vibrar como o movimento das placas tectônicas.
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O ritmo ancestral: O uso de prendedores de roupa nas cordas para transformar o piano clássico em um tambor primitivo.
“Antes de se criar uma corda, veio o tambor. E antes do tambor, veio o ruído, veio o trovão, veio a era vulcânica… Isso tudo foi simbolizado com a minha mão dentro do piano”, explica Amaro, que vê a música como um portal espiritual capaz de gerar a empatia que os dados e estatísticas frias não conseguem alcançar.
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A obsessão pelas telas e o “Capitaloceno”
Tanto Regina quanto Amaro apontam um paradoxo da vida moderna que é a hiperconexão que desconecta. O espetáculo ironiza e reflete sobre como os smartphones moldaram o comportamento humano. Amaro relata o espanto com o público atual nos shows:
“A quantidade de celulares que tem no show é insana. A pessoa está assistindo, fazendo um vídeo e postando em tempo real para provar o que estava vivendo naquela hora. A tecnologia se tornou parte da nossa vida como um remédio que você precisa tomar.”
O músico vai além e aponta que a tecnologia virou refém de um sistema destrutivo. “Às vezes, questões como desmatamento, poluição de rios e aquecimento global se tornam irrelevantes diante do capitalismo desenfreado. Vivemos a era do capitaloceno, o grande regente da destruição em massa desse planeta”, alerta.
O “corpo a corpo” e o veredito final
Para Regina Casé, o retorno ao teatro representa resgatar sua própria base e saciar a saudade do contato direto com o público. “Eu adoro o corpo a corpo. Na televisão eu sinto muita saudade de ter essa coisa de ir na plateia, de olhar o olho no olho”, confessa.
Se pudessem resumir o espetáculo em uma única mensagem que o público deve levar para a casa, a resposta de Regina é categórica e serve como um mantra para os tempos atuais:
“Não tem como a gente se afastar da natureza. A gente depende do vento, do sol, da lua, do mar, do rio. Eu queria que o público entendesse que realmente a gente é uma coisa só.”
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Serviço: VIVA! VIDA! com Regina Casé
Onde: Teatro Sesc Ginástico (Rua Graça Aranha, 187 – Centro, Rio de Janeiro)
Temporada: De 05 de junho a 05 de julho
Horários: Quintas e sextas às 19h; Sábados e domingos às 17h
Duração: 90 minutos | Classificação: Livre
Ingressos: À venda em www.ingresso.com e na bilheteria do teatro.
Depois, segue para São Paulo, com estreia em 09 de julho, e Belo Horizonte, com estreia em 04 de setembro.
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Bruna Cora




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