“Quem paga mais leva”: produtoras revelam mercado de “leilão” para trazer K-Pop ao Brasil (EXCLUSIVO)
Que o Brasil ultimamente tem recebido o show de vários grupos de K-Pop não é novidade. Inclusive, nos últimos anos, a lista de atos desembarcando por aqui só aumentou, fazendo de 2026 um ano histórico. A agenda de shows internacionais no país inclui ou já incluiu gigantes e promessas como BTS, ENHYPEN, aespa, NTX e Stray Kids. Mas como essa engrenagem funciona longe dos holofotes? Os próprios produtores contam!
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(Foto: X @aespa_official)
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Todos sabem que trazer um artista sul-coreano ao Brasil envolve todo um movimento complexo por trás. São negociações que podem levar meses, disputas acirradas entre produtoras, além de valores de contratos que definem o famoso “come to Brazil”. Para entender o que acontece nos bastidores antes dos ingressos irem à venda, o POPline conversou com os principais nomes do mercado: Andre Matalon (Music On Events), Mideum Seo (K-BEAT), Laiza Kertscher (Highway Star), Patrícia Kazys (Far Music Entertainment) e a produtora de estrada Caren Murai.
O “leilão” de contratos e a barreira do fuso horário
(Foto: Twitter @ENHYPEN)
Se o público imagina que o processo é puramente baseado no desejo do artista de ver os fãs brasileiros, a realidade do mercado é muito mais corporativa. Patrícia Kazys, diretora da Far Music Entertainment (responsável pelas vindas de Cha Eunwoo e P1Harmony), revela que o cenário atual se transformou em uma disputa financeira agressiva.
“Depende muito do artista. Hoje tudo é um ‘leilão’: quem oferta mais cachê ganha a tour. Depende muito da sua oferta”, explica Patrícia.
Além do lance mais alto levar a melhor, o fuso horário de 12 horas de diferença com a Coreia do Sul transforma a rotina das produtoras locais em um plantão permanente de 24 horas. André Matalon, da Music On Events — produtora que assina o aguardado show do ENHYPEN em estádio —, destaca que o ritmo exige agilidade extrema.
“Muitas vezes você recebe um e-mail às 6h da manhã e, se demora um pouco para responder, já passou da meia-noite na Coreia. Isso exige muita atenção e agilidade na comunicação”, revela André, detalhando que o processo com o ENHYPEN começou em setembro de 2025.
Laiza Kertscher, que cuida das negociações da Highway Star (pioneira com cases como BTS, Monsta X e KARD), concorda que a cultura de trabalho oriental dita o ritmo dos bastidores. “Eles acabam esperando que a equipe local siga um trabalho quase full time, mesmo com a diferença de fusos horários. Mas já nos adaptamos a esse estilo e conseguimos nos preparar com antecedência”, comenta.
O custo do teto: passagens de até R$ 30 mil e exigências técnicas
(Foto: Weverse – SEVENTEEN)
O maior vilão para viabilizar uma turnê de K-Pop na América do Sul não é, necessariamente, o cachê exigido pelas agências, mas sim o custo de deslocamento das comitivas, que frequentemente passam de 20 a 30 pessoas entre idols, dançarinos, maquiadores e técnicos.
Mideum Seo, Co-CEO e Produtor Principal da K-BEAT (empresa que gerencia as vindas do grupo NTX e do cantor GAHO), abriu os valores reais dessa operação. Na Coreia, os artistas conseguem lucrar facilmente fazendo shows a minutos de casa em festivais universitários, ou voando apenas uma hora até o Japão. Cruza o globo, muda a balança:
“Trazer esse mesmo artista para o Brasil significa, no mínimo, passagens aéreas de ida e volta que vão de 8 a 10 mil reais por pessoa em classe econômica, podendo chegar a cerca de 30 mil reais em classe executiva. O impacto não é apenas financeiro: há também o tempo que o artista precisa investir no deslocamento. Por isso, a maior dificuldade está justamente nesse custo duplo: o financeiro e o de oportunidade”, calcula Mideum Seo.
Essa realidade ajuda a explicar cenários que intrigam os fãs brasileiros. É o caso do fenômeno SEVENTEEN: mesmo com 11 anos de uma carreira extremamente bem-sucedida e estádios lotados na Ásia e América do Norte, o grupo nunca desembarcou no Brasil. Com 13 integrantes, uma estrutura de show massiva e um corpo de baile numeroso, a logística para trazer a comitiva completa cruzando o globo se torna um dos maiores desafios financeiros do mercado atual.
Laiza Kertscher, da Highway Star, confirma o peso da logística aérea. “Por vezes os custos das passagens para toda a equipe e artistas superam o custo do cachê e inviabilizam produções. Pelo tempo longo de viagem, muitos só optam por se apresentar na América do Sul quando estão em grandes turnês mundiais”, pontua.
Fora do eixo: Como os shows menores se tornam rentáveis?
(Foto: Instagram @ntx_official_)
Se São Paulo ainda desponta como a praça principal e indispensável — por concentrar os melhores hotéis, aeroportos internacionais e arenas, como defendem Patrícia Kazys e Laiza Kertscher —, outras produtoras estão encontrando a rentabilidade expandindo as fronteiras brasileiras.
A K-BEAT se tornou um caso único no mercado ao realizar uma turnê que passou por 13 cidades do Brasil, levando o grupo NTX para praças distantes dos grandes polos pop, como João Pessoa e Belém (onde tocaram para 3 mil pessoas). Mideum Seo explica que a lógica para o negócio se pagar em teatros menores é focar no crescimento em escala do fandom.
“A ideia não é reunir em São Paulo um pedacinho do fandom de cada cidade, e sim maximizar os fãs em todas as cidades, como faz um artista nacional ao rodar o país em turnê. É um ciclo virtuoso. Investimos pesado para rodar o Brasil inteiro; com isso, o artista ganha fama em âmbito nacional. O fandom cresce e é ao longo desse processo que a receita também se realiza”, detalha o empresário, que já planeja trazer ao país o cantor GAHO (das trilhas sonoras de Itaewon Class e Sorriso Real) entre agosto e setembro deste ano, além do grupo YOUNITE.
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Vanessa Bandeira




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