Festival Sem Assédio une música e conscientização pelo combate à violência em Curitiba

Em Curitiba, no Paraná, um grupo de mulheres e pessoas dissidentes de gênero se reuniu para criar um festival que une música, debate e conscientização sobre o combate ao assédio e às diferentes formas de violência enfrentadas por artistas na cena independente da cidade.
Intitulado Festival Sem Assédio, o evento, marcado para acontecer no Janaíno Vegan, no Largo da Ordem, em 11 de julho, surgiu após uma série de denúncias de musicistas que relataram ter vivenciado situações de assédio sexual, psicológico e financeiro em espaços ligados à produção cultural e à noite curitibana.
A programação contará com as DJs GG Queen e Yohrani junto com as bandas Capetassauras, Demolidoras, Domperidhona, Fancharia, Lia Kapp, Madame Crüe e Mordazes Musgos. Os ingressos custam R$20, com primeiro lote promocional no valor de R$15, podendo ser adquiridos pela plataforma Pixta.
A iniciativa nasceu da necessidade de transformar experiências individuais em uma mobilização coletiva. Após sofrer importunação sexual e assédio por parte de um produtor da cidade, a artista Duda decidiu unir forças com outras pessoas que também haviam passado por situações semelhantes. Em nota para a imprensa, ela contou:
Quando fui importunada sexualmente e assediada por um produtor de Curitiba, decidi unir minhas forças com a de outras pessoas que vinham passando por situações semelhantes para literalmente ‘armar um barraco’, um festival com foco na conscientização sobre o respeito no rolê. O Festival Sem Assédio é a resposta de muitos artistas preocupados com a falta de respeito generalizada e misoginia em diversos espaços da noite curitibana, não somente na cena underground.”
A criação do festival dialoga ainda com uma longa trajetória de reivindicações por espaço e reconhecimento protagonizada por mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ na cena musical da cidade. Desde a década de 1990, artistas vêm enfrentando dificuldades para ocupar palcos, conquistar visibilidade e serem reconhecidas como protagonistas da produção cultural independente.
Apesar dos avanços conquistados ao longo das décadas, relatos de assédio, desigualdade e invisibilização ainda fazem parte da realidade de muitas artistas. Bandas formadas por mulheres e dissidências de gênero continuam tendo menos oportunidades de destaque em eventos, além de enfrentarem barreiras relacionadas à contratação, remuneração e reconhecimento. Pesquisadora da cena underground curitibana, Carol Cardoso comentou:
Na minha pesquisa de mestrado, conversei com três musicistas que ainda estão na ativa na cena musical da cidade e escutei relatos sobre assédio e diversos tipos de violência que elas enfrentavam lá na década de 1990. O que assusta é que estamos em 2026 e as artistas ainda estão passando pelas mesmas situações que já deveriam ter sido superadas!”
Entre as pautas levantadas pelas idealizadoras do Festival Sem Assédio estão a sexualização dos corpos das mulheres em cartazes e materiais de divulgação de shows, a falta de convites para que bandas formadas por mulheres e dissidências ocupem posições de destaque nos eventos, a desigualdade nos cachês e o desconhecimento sobre a existência de grupos com essas formações.
Além da programação musical, o festival terá espaços de diálogo e reflexão sobre os impactos do assédio para mulheres, pessoas dissidentes de gênero e para a própria cena musical. Durante o evento, serão realizadas conversas com o público sobre prevenção e enfrentamento às violências, além da distribuição de um fanzine com conteúdos informativos e um manifesto contra a misoginia e o machismo presentes na cena underground.
Festival Sem Assédio combate violência às mulheres em Curitiba
A programação musical segue a proposta de ampliar a visibilidade de artistas historicamente sub-representadas. O line-up é formado por DJs e bandas compostas majoritariamente por mulheres e dissidências de gênero, em contraponto ao cenário predominante dos eventos da cidade, que ainda apresentam majoritariamente grupos formados por homens.
Vale lembrar que o evento ainda disponibiliza lista trans com ingressos a R$10, entrada gratuita para pessoas com deficiência e meia-entrada para acompanhantes. Pessoas interessadas nessas modalidades devem entrar em contato com o perfil oficial do festival no Instagram para solicitar o ingresso.
Além da programação musical e dos debates, o Festival Sem Assédio terá expositores de marcas e artistas de produções independentes, com apoio do Ateliê Hopfer, Centro + Cidadania LGBTQIA+ Heliana Hemetério, CODEX, CM Geléias, Clube Garagem, Guli Estúdio, Rec N Roll Studio, Rock Camp Curitiba e Riot Grrrande do Sul.
SERVIÇO:
Festival Sem Assédio
- Show com Capetassauras, Demolidoras, Domperidhona, Fancharia, Lia
Kapp, Madame Crüe e Mordazes Musgos. - Discotecagem: DJs GG Queen e Yohrani
- Data e horário: 11/07/2026 a partir das 17h
- Local: Janaíno Vegan Largo da Ordem
- Endereço: Rua Dr Claudino dos Santos, 116, Largo da Ordem
- Entrada: R$ 20,00 (lote antecipado promocional a R$ 15,00) pelo PIXTA
https://pixta.me/sofia-nyx/festival-sem-assedio
Lista trans e pessoas com deficiência, entrem em contato por meio da
DM do festival no perfil do instagram.
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Gabriel von Borell
Festival Sem Assédio une música e conscientização pelo combate à violência em Curitiba




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