Palco de protesto? Como Shakira pode usar o show da Copa contra Trump
O anúncio de Shakira na final da Copa do Mundo de 2026 acendeu um alerta nos bastidores políticos de Washington. Confirmada pela FIFA e pela Global Citizen como uma das atrações principais do inédito show do intervalo, ao lado de Madonna e BTS a estrela colombiana carrega a expectativa de transformar a maior audiência do planeta em um manifesto vivo contra o governo de Donald Trump. O evento, acontece no dia 19 de julho no MetLife Stadium com curadoria de Chris Martin (Coldplay).
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Crédito: Reproduçã/Instagram
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Do “sonho americano” ao medo constante nos EUA
Em uma contundente entrevista recente à BBC, Shakira relembrou sua trajetória ao mudar-se para os Estados Unidos no fim da adolescência, aos 19 anos, buscando o mesmo futuro que milhões de imigrantes colombianos. No entanto, o cenário atual sob a nova administração é drástico. Segundo a artista, a experiência de ser imigrante hoje no país “significa viver com medo constante”.
“Agora, mais do que nunca, precisamos permanecer unidos. Agora, mais do que nunca, precisamos levantar nossas vozes e deixar muito claro que um país pode mudar suas políticas de imigração, mas o tratamento de todas as pessoas deve sempre ser humano”, declarou a cantora.
Esse posicionamento vem ganhando força na postura da artista. Ao vencer o Grammy de Melhor Álbum Pop Latino em 2025, Shakira dedicou o prêmio diretamente aos impactados pelas políticas de Trump: “Vocês são amados, vocês têm valor, e eu sempre lutarei com vocês.”
De Olivia Rodrigo a Bad Bunny: o pop que desafia o governo
(Foto: Divulgação / NFL)
A insatisfação com a atual política migratória americana reverbera fortemente na indústria da música, criando uma rede de apoio que fortalece o ecossistema de Shakira. Recentemente, após operações violentas de deportação realizadas pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) em Los Angeles, a cantora Olivia Rodrigo quebrou o silêncio em suas redes sociais.
“Vivi em Los Angeles a vida inteira e estou profundamente abalada com essas deportações violentas dos meus vizinhos sob o governo atual”, desabafou Olivia.
O precedente histórico do Super Bowl
Artistas de peso já provaram que cláusulas contratuais não barram a expressão política. No Super Bowl deste ano, Bad Bunny conseguiu driblar o rígido veto da NFL contra protestos políticos, entregando uma poderosa mensagem de união latina em pleno horário nobre americano. O movimento do porto-riquenho serve de referência para o que Shakira pode arquitetar na Copa.
O clima de medo que ameaça os estádios da Copa nos EUA
O impacto das medidas de restrição já atinge diretamente os torcedores. O temor de deportação em massa fez com que organizações de direitos humanos acendessem o sinal de alerta para a segurança dos turistas e trabalhadores do evento.
A organização Human Rights Watch (HRW) publicou um relatório cobrando uma postura imediata da entidade máxima do futebol. A HRW exige que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, use sua influência política para pressionar o governo Trump a estabelecer uma “trégua do ICE” durante o torneio. A meta é garantir publicamente que as autoridades federais não realizarão operações de fiscalização de imigração nos estádios, hotéis e locais de competição da Copa.
Um espetáculo global com propósito humanitário
(Foto: divulgação)
Apesar das tensões que cercam os bastidores, o show do intervalo da Final da Copa do Mundo foi desenhado para ser o maior cruzamento de culturas da história da TV.
Além do impacto pop de unir a realeza do pop ocidental ao fenômeno do K-pop, o evento terá um forte braço social através do FIFA Global Citizen Education Fund. A iniciativa quer arrecadar US$ 100 milhões para expandir o acesso à educação e ao esporte para crianças carentes globalmente. Mais de US$ 30 milhões já foram garantidos, impulsionados pela doação automática de US$ 1 de cada ingresso vendido para os jogos da Copa.
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Bruna Cora
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