Katy Perry ainda conseguirá emplacar um novo hit nas paradas? (POPline Debate)

Katy Perry tem uma música nova, “Watch It Burn”, mas você não a encontra nas paradas. A popstar lançou o single em 25 de junho e, apesar da grande expectativa dos fãs, a faixa fechou o dia com 1,2 milhão de reproduções no Spotify mundialmente – insuficientes para o chart principal. O fandom reclama da ausência da música nas playlists editoriais, mas há mais fatores envolvidos no sumiço de Katy nas paradas.

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Katy Perry ainda conseguirá emplacar um novo hit nas paradas? (POPline Debate)

(Foto: Divulgação)

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A última vez que Katy Perry foi nº1 na Billboard Hot 100 foi em 2014, com “Dark Horse”. Ela não entra no Top 40 da parada norte-americana desde 2020, com “Daisies”. E na Billboard Global 200, criada em 2020, o maior sucesso dela é “The One That Got Away”, single de 2011 que viralizou em 2026 graças a edits no TikTok.

Por outro lado, embora os ‘haters’ queriam chamá-la de “flopada”, Katy ainda é uma máquina de venda de ingressos. Sua última turnê de arenas teve faturamento de US$ 134 milhões com 91 shows. Em sua recente passagem como ‘headliner’ do Rock in Rio Lisboa, ela foi a principal força motriz para venda de 100 mil ingressos para o dia de seu show. É um cenário, no mínimo, curioso, tema da nova edição do quadro POPline Debate, em que os jornalistas do site discutem um tema em alta.

1. “Watch It Burn”, o novo single da Katy Perry lançado no dia 25, estreou com reproduções insuficientes para as paradas de streaming, e dificilmente entrará nas paradas da Billboard assim. O desempenho da música te surpreende?

Bruna Cora: Observando a movimentação da era “143”, o resultado não surpreende. O que é uma pena, já que é uma boa música pop, que foge da fórmula voz e beats lineares, apesar de não ser inovadora.

Leonardo Nascimento: Na verdade, não me surpreende. Acredito que a Katy Perry tenha se tornado mais um símbolo e lenda da música pop do que uma potência para os charts. O mesmo acontece com outros artistas que, hoje em dia, mantêm sua relevância no cenário ao mesmo tempo que não estão presentes nas paradas de sucesso, como Madonna, Miley Cyrus, Britney Spears e outros nomes. Katy não entra nos charts mas acaba se encaixando em um outro patamar — o da relevância e influência na história do pop.

Leonardo Torres: Eu sempre crio expectativa de ver o lançamento desses grandes nomes do pop nas paradas do Spotify no dia seguinte. Então é um tanto decepcionante procurar “Watch It Burn” ali e não encontrar, até porque gostei bastante da música. Por outro lado, todos os singles dela têm caminhado dessa forma, então é aquilo: “disappointed but not surprised”.

Matheus de Carvalho: Surpresa seria se a música já debutasse nos charts, pra ser honesto. O que eu gostaria que acontecesse. Acho que a Katy merece muito. Mas infelizmente os lançamentos dela não têm um bom desempenho há anos, desde o pós-era “Witness”, que acho que foi um divisor de águas na carreira dela (e não no bom sentido). “bandaids”, single que ela lançou no final de 2025, até chegou a fazer um barulho e receber muitos elogios, mas é fato que Katy não tem mais os charts a favor dela.

Vanessa Bandeira: Por um lado, sim. Era uma música que gerou muita expectativa nos fãs e na indústria no geral, então o desempenho abaixo do esperado me surpreendeu. Achei que teria mais atenção. Por outro lado, não me choca totalmente. Por mais que a estratégia de fazer mistério e suspense funcione às vezes, há um risco grande desse buzz envelhecer. Se demorar demais para entregar o produto final, quando ele chega, o público geral já perdeu o interesse e o momento esfria.

Katy Perry ainda conseguirá emplacar um novo hit nas paradas? (POPline Debate)

(Foto: Instagram @katyperry)

2. A última vez que Katy Perry alcançou o Top 10 na Billboard Hot 100 foi em 2017, com “Chained to the Rhythm”. A que você atrela o mau desempenho dos singles da popstar nas paradas nos últimos anos?

Leonardo Torres: São tantos fatores. O apoio de Katy à campanha eleitoral de Hillary Clinton em 2016 gerou uma perseguição midiática contra ela nos Estados Unidos, que ecoou no mundo todo. Era o início da era Trump e quem se posicionou contra ele pagou um preço alto. Lembro que, aqui no POPline, mostramos muito do que estava sendo dito lá fora sobre Katy Perry, e os fãs ficavam com raiva da gente, como se nós estivéssemos apontando o dedo contra ela. Estávamos só mostrando o que era noticiado lá fora. Mas foi um período difícil. Além disso, teve a briga com Taylor Swift, que não a ajudou em nada; a associação com Dr. Luke no álbum anterior; a antipatia dos fãs da Lady Gaga desde “Roar” x “Applause”; e principalmente o crescimento do público katycat. Quando os fãs crescem, é natural que os artistas enfraqueçam nas paradas. O consumo adolescente é diferente.

Matheus de Carvalho: Acredito que, embora ela tenha apresentado propostas diferentes em seus álbuns, ela nunca deixou de investir nessa estética lúdica de um pop mais ‘açucarado’, sobretudo nos videoclipes e turnês, e acho que de alguma forma o público passou a sempre esperar o mesmo dela, e isso acabou virando algo negativo pra sua imagem. A colaboração com nomes controversos da indústria, como Dr. Luke, no disco “143”, também foi prejudicial para essa imagem. Fez parecer como se ela tivesse perdido a mão pra abordar e se posicionar diante determinados assuntos. E, pior, que tivesse perdido o tato até pra fazer música.

Vanessa Bandeira: Falta uma estratégia de divulgação mais agressiva e atualizada para o trabalho da Katy. O mundo todo sabe quem ela é, isso é inegável, mas nem todo mundo ficou sabendo que ela lançou “Watch It Burn”. Por mais que ela tenha um legado gigantesco e um nome de peso na indústria, parece que a equipe dela tem dificuldade de enxergar como o mercado atual funciona, ou a própria artista está enfrentando barreiras para se adaptar a essa nova dinâmica de consumo.

Leonardo Nascimento: Talvez o público adolescente à época do sucesso estrondoso de Katy tenha amadurecido e buscado canções mais próximas ao momento que vivem. Quem viveu o sucesso de “Teenage Dream” conhece a leveza e alegria que o álbum trouxe, mas, 16 anos após o lançamento que conquistou o mundo, talvez Katy tenha perdido o contato com o público conquistado à época.

Bruna Cora: Quando ela resolveu seguir um novo caminho em “Chained to the Rythm”, era natural que uma parcela do público se perdesse. Isso sempre acontece quando o artista sai da zona de conforto e explora temáticas críticas. Com a pausa na carreira e depois a residência em Vegas, acredito que ela acabou não renovando o público. E acho também que as novas formas de consumo de música também a impactaram. Mas, depois de anos, lançar o primeiro single de uma nova era com Dr. Luke foi uma escolha, né?

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3. Mesmo sem um hit recente, Katy vendeu mais de um milhão de ingressos para “The Lifetimes Tour” no ano passado, com alta demanda por shows extras. Estar nas paradas ainda faz diferença para quem consegue esgotar ingressos?

Vanessa Bandeira: Nem um pouco. Aquela máxima de que “se você parar de olhar os charts, o problema acaba” é muito real aqui. As músicas clássicas da Katy seguem sendo extremamente conhecidas e consumidas. O mercado de turnês hoje prova que estabilidade e uma fã-base leal construída ao longo dos anos valem muito mais do que um hit passageiro no topo das paradas. Estar no topo da Billboard virou uma métrica de vaidade; lotar estádios é o que mostra o verdadeiro impacto cultural e financeiro a longo prazo.

Matheus de Carvalho: Acho que são coisas isoladas. Não é porque um artista ocupa o topo dos charts e domina virais do momento nas redes sociais que ele irá conseguir converter todo esse desempenho expressivo em ingressos vendidos. E, no caminho inverso, a mesma coisa. Não é porque consegue lotar arenas e até estádios que necessariamente estará nas paradas de sucesso. Mas, no caso da Katy, também não dá pra chamá-la de “flopada” nas plataformas. Com anos de carreira, a mulher é dona de 89,1 milhões de ouvintes mensais no Spotify, o que faz dela a 13ª artista mais ouvida do mundo na plataforma! Eu, no lugar de um artista desse porte, mesmo que me incomodasse com o desempenho dos meus últimos lançamentos, me sentiria pelo menos um pouquinho acalentado com esses números, que vejo como reflexo de uma carreira consolidada.

Bruna Cora: Gostando ou não, Katy Perry já entrou na história da música como uma das maiores hitmakers. Ou seja, mesmo não impactando as paradas como antes, ela conquistou uma fanbase fiel, o que garante também um público nostálgico pela simpatia, já que ela não tem fama de abandonar e parar de divulgar seus trabalhos.

Leonardo Nascimento: Katy Perry se tornou um patrimônio da cultura pop. É o tipo de artista que, mesmo sem aparecer nos charts, ainda é uma presença constante em playlists e na memória de quem presenciou seu sucesso. Acredito que os charts precisam ser utilizados apenas para definir o poder de venda de um artista, e não sua popularidade de modo geral. Um exemplo é: quantas faixas nas paradas de sucesso tinha Madonna quando reuniu mais de 1,6 milhão de pessoas em Copacabana?

Leonardo Torres: Não. As paradas são importantes para artistas jovens e iniciantes, como uma espécie de portfólio. Katy teve isso quando colocou cinco singles do mesmo álbum no topo da Billboard Hot 100, o que só Michael Jackson conseguiu além ela. Isso ninguém tira. Ela tem um repertório de hits para cantar o resto da vida e o público, em geral, vai aos shows para ouvi-los. Obviamente, quando você faz um trabalho, você quer que as pessoas ouçam – e gostem – mas o que lota show é a força do catálogo. Isso ela já conquistou.

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4. “The One That Got Away”, da era de ouro “Teenage Dream” (2010), voltou às paradas em 2026 ao ser redescoberta e viralizar. Acredita que uma música nova dela ainda conseguirá desempenho semelhante?

Matheus de Carvalho: Sinceramente? Não. Esse movimento dos ‘sleeper hits’ não necessariamente tem a ver com algo que o artista esteja fazendo no momento, pode ou não estar associado. Na maioria das vezes, é algo externo que leva a essa retomada repentina aos charts ou algo que é ativado pela nostalgia. A Katy é uma potência do pop e seu legado será eternamente preservado, mas força para os charts é algo que ela já perdeu e que acredito que dificilmente será recuperado. O que não invalida, claro, que ela possa lançar boas músicas.

Bruna Cora: Em um primeiro momento, acredito que não, principalmente pelos acontecimentos recentes que envolveram o lançamento de “Watch It Burn”, em relação à divulgação. No entanto, tudo é possível, ainda mais quando envolve um dos grandes nomes da indústria da música, que é o caso de Katy Perry.

Leonardo Nascimento: É mais provável que alguma faixa antiga alcance um desempenho notável do que uma nova música, em uma espécie de “revival”. Porém, estou esperançoso que sua nova era tenha mais aceitação e conexão com o público, visto que Katy promete explorar a raiva e vingança em suas músicas.

Vanessa Bandeira: Vai depender exclusivamente do quanto ela está disposta a fazer isso acontecer, da proposta que quer entregar e de qual público deseja alcançar. “The One That Got Away”, mesmo sendo de 2010, conversa perfeitamente com a geração atual, o que explica o sucesso avassalador de edits da faixa em séries e filmes nas redes sociais. Se ela trouxer de volta essa sonoridade pop melodramática e marcante para os dias atuais, tenho a certeza de que conseguiria um desempenho semelhante.

Leonardo Torres: Eu acredito. Tudo pode acontecer. Em setembro de 2025, Zara Larsson falou que o álbum “Midnight Sun” era um flop. Em março deste ano, ela já estava com três faixas no Top 40 da Billboard Hot 100, incluindo uma do álbum. Quando os astros se alinham, o cenário muda. Tudo influencia: o momento sociopolítico, o viral, o feat., a qualidade do trabalho. Tudo precisa trabalhar junto a seu favor para dar certo. O fã de pop trata o sucesso como obrigação, mas o sucesso é fora da curva. Na vida, a gente mais fracassa do que emplaca.

(Foto: Divulgação)

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Leonardo Torres

Katy Perry ainda conseguirá emplacar um novo hit nas paradas? (POPline Debate)


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