“Vivendo e Não Aprendendo”: o disco que consolidou o IRA! na cena do Rock nacional

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O IRA! foi um dos mais fortes representantes do Rock nacional nos Anos 80 e, depois de ter chamado a atenção com seu disco de estreia, a banda alcançou um novo patamar em Agosto de 1986 ao lançar Vivendo e Não Aprendendo, seu segundo álbum de estúdio e um dos seus trabalhos de maior sucesso crítico e comercial.

A obra lançada pela WEA foi gravada por Nasi (vocal), Edgard Scandurra (guitarra), Ricardo Gaspa (baixo) e André Jung (bateria) entre Maio e Junho de 1986 no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, e impulsionada por clássicos como “Envelheço na Cidade”, “Dias de Luta” e “Flores em Você”.

O álbum vendeu cerca de 180 mil cópias, conquistou disco de ouro e, anos depois, entrou para a lista dos 100 maiores discos da música brasileira da Rolling Stone Brasil, ocupando a 94ª posição.

Agora, quatro décadas após o seu lançamento, Vivendo e Não Aprendendo volta a ser destaque ao integrar a programação do C6 no Rock, festival que irá celebrar alguns dos álbuns mais importantes da música brasileira dos Anos 80 com apresentações especiais.

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O disco do IRA! que superou conflitos e alcançou o sucesso

Apesar do resultado final ter se tornado um clássico na cena do Rock brasileiro, a gravação de Vivendo e Não Aprendendo esteve longe de ser tranquila. O IRA! desejava produzir um disco inspirado na sonoridade do The Jam, uma de suas principais referências, enquanto o produtor Liminha defendia uma abordagem diferente, considerando a guitarra de Edgard Scandurra “desafinada” para aquele tipo de produção.

O clima ficou ainda mais tenso durante a gravação de “Flores em Você” pois, depois de registrar os vocais acompanhados por um quarteto de cordas, Nasi supostamente ouviu de Liminha uma provocação e aquilo marcou o rompimento definitivo entre a banda e o produtor.

Com o desgaste, o grupo decidiu deixar o Rio de Janeiro e concluir o trabalho em São Paulo, onde a mixagem foi feita pelo conhecido de longa data Pena Schmidt. Na ficha técnica, além de Liminha e Pena Schmidt, também são citados como produtores Paulo Junqueiro, Vitor Farias e a própria banda.

Seguindo seu planejamento, a identidade sonora desejada pelo IRA! aparece ao longo de todo o disco. “Envelheço na Cidade” e “Dias de Luta” se transformaram em verdadeiros hinos do rock brasileiro, enquanto “Flores em Você” apostou em um arranjo de cordas inspirado em “Eleanor Rigby”, dos Beatles, e “Smithers-Jones”, do The Jam. Esta última ainda impulsionou as vendas do disco ao ser escolhida como tema de abertura da novela O Outro, da Rede Globo, e terminou 1987 entre as canções mais executadas nas rádios do país.

O elogiado álbum também resgatou as faixas “Gritos na Multidão” e “Pobre Paulista”, lançadas originalmente no compacto de estreia da banda, agora em versões ao vivo gravadas na casa Broadway, em São Paulo. O intuito da banda foi evitar o uso de playback dessas músicas quando eles fossem se apresentar em programas de televisão.

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Entre polêmicas e sucessos

Além da força de suas canções, que abordavam dilemas da juventude e críticas sociais, Vivendo e Não Aprendendo também se destacou por sua identidade visual. A capa apresenta ilustrações individuais dos quatro integrantes produzidas por artistas diferentes, enquanto o encarte faz referências ao universo dos quadrinhos publicados pela editora Ebal e incorpora trechos da partitura utilizada no quarteto de cordas de “Flores em Você”.

O disco ainda ficou marcado pela polêmica envolvendo “Pobre Paulista”, já que sua letra foi interpretada de forma equivocada por conta dos versos da terceira estrofe que, superficialmente, passam a ideia de bairrismo e preconceito contra as populações de migrantes provenientes de outras regiões do Brasil que encontram residência e trabalho em São Paulo.

Nasi e Edgard Scandurra vieram a público e negaram as acusações recentemente, ressaltando que a música em questão foi escrita pelo guitarrista quando ele tinha apenas 17 anos e dizendo que, na verdade, se tratava de uma crítica à opressão dos governantes de sua cidade natal, São Paulo.

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O legado de Vivendo e Não Aprendendo chega ao C6 no Rock

Por sua importância na história do Rock nacional, Vivendo e Não Aprendendo será um dos álbuns celebrados na Discoteca Básica, um dos pilares do novo festival C6 no Rock.

A proposta do evento, que acontece nos dias 22 e 23 de agosto no Parque Ibirapuera, em São Paulo, é revisitar álbuns fundamentais dos anos 80 com apresentações na íntegra e participação de integrantes das formações originais.

No caso do IRA!, os integrantes originais Nasi e Edgard Scandurra, ao lado de seus companheiros de banda atuais, irão conduzir a apresentação entoando os clássicos marcantes do trabalho e levando para o palco o clima de inquietação urbana que atravessava a juventude da época.

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Lara Teixeira

“Vivendo e Não Aprendendo”: o disco que consolidou o IRA! na cena do Rock nacional


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