Dibob chega ao Doce Maravilha com show de 25 anos e reencontro da cena Riocore

Vinte e cinco anos depois de surgir entre campeonatos de surfe no Rio de Janeiro e saraus de colégio, o Dibob abre a programação do Festival Doce Maravilha com uma noite dedicada ao rock nacional no dia 7 de agosto.
Na mesma data, a Noite Doce reúne Fresno, em um show comemorativo dos 10 anos de A Sinfonia de Tudo que Há e Raimundos com Digão, convidando Charlie Brown Jr., com Marcão Britto e Thiago Castanho, para tocar hits das duas bandas.
Dibob abre o line-up lembrando a cena pop punk carioca alternativa dos anos 2000, o famoso Riocore, e recebe Danilo Cutrim e IZENZÊE, do Forfun, além de Diego Miranda e Dedé Teicher, do Scracho. Em entrevista ao TMDQA!, o vocalista Dedeco relembra o nascimento da cena e fala sobre a celebração da história da banda.
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Como nasce uma cena…
Formado em 2001 por Dedeco (voz e guitarra), Gesta (voz e baixo), Miguel (guitarra) e Faucom (bateria), o Dibob foi um dos primeiros nomes daquela cena carioca dos anos 2000 a furar a bolha local, ganhar projeção nacional e assinar com uma grande gravadora.
Depois dos discos O Fantástico Mundo Dibob (2004) e A Ópera do Cafajeste (2007), a banda atravessou anos de menor atividade, com shows pontuais e um longo intervalo sem músicas inéditas.
A retomada começou em 2021, quando o grupo voltou a gravar e lançou “Só Alegria”, primeiro single inédito em 14 anos. Na época, o TMDQA! conversou com a banda sobre esse retorno. O clipe nostálgico é dirigido por Daniel Ferro, também responsável pelo documentário Andar Na Pedra – A História dos Raimundos (Globoplay, 2026).
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O movimento seguiu com a música “Só Chamar”, ganhou corpo no álbum Ainda, de 2024, e teve como lançamento mais recente “2000 e Pouco”, single fruto de parceria com Melton Sello lançada em 2025.
Essa volta foi muito engraçada também. Porque, como a gente ficou meio preso lá atrás, antes da era digital, a gente foi tentar se atualizar, né? Tanto que a gente brinca que a galera que gosta de Dibob às vezes nem sabe que a gente está tocando ainda, porque a gente não fomentou isso. Então, a gente está num trabalho tardio de falar que a gente tem as nossas coisas.”
Antes de virar lembrança de uma geração, o Dibob nasceu em um circuito muito físico. A banda tocava depois de campeonato de surfe, fechava saraus de colégio e via as músicas se espalharem de maneira informal, muitas vezes em CDs virgens e arquivos MP3 pirateados. O vocalista lembra desse começo com uma mistura de surpresa e diversão.
Os nossos primeiros shows eram na praia, depois de um campeonato de surfe. Botava o palco e tocava lá. A gente começou a fechar uns saraus também, saraus de colégio mesmo. Foi num sarau desses que a gente tomou o primeiro susto… Inclusive é no mesmo colégio onde meu filho estuda hoje. A gente chegou lá e o colégio estava abarrotado enquanto a gente fazia as nossas músicas.”
Dedeco conta que, na época, as bandas se encontravam em ensaios, eventos, estúdios, festas e palcos improvisados, naquilo que pode ser considerado o nascimento de uma cena. Nos encontros, uma banda puxava a outra: o Dibob vinha mais da Zona Sul; o Forfun, da Tijuca; o Scracho apareceu depois, ainda mais novo.
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A gente meio que retomou essa coisa de sarau. Foi misturando. O Forfun era mais da Tijuca, a gente era mais Zona Sul, Leblon, Botafogo. A massa do bolo foi formando. O Diego e o Caio, do Scracho, estavam no estúdio e pediram para ver nosso ensaio. Eles eram mais novos que a gente. Aí a gente botou os moleques no ensaio, eles ficaram amarradões. Depois a gente botou o Scracho para tocar também. Os saraus estavam virando grandes eventos no Rio.”
A partir daí, a cena ganhou densidade. Dedeco cita bandas anteriores do underground carioca, como River Raid, Rivets, Barneys e Carbona, além de Los Hermanos, que surgia em outro circuito.
O salto veio quando a banda lançou O Fantástico Mundo Dibob, em 2004, e lotou o Canecão por dois dias. A partir dali, a escala mudou:
Aí foi: ‘caraca!’ Foi quando o Faustão chamou a gente, o Luciano Huck chamou a gente. Aí começou mais a gravadora“.
O público que cresceu junto
O tempo também reposicionou o público do Dibob. A banda que começou falando para adolescentes hoje encontra fãs de 35, 36 anos, gente que acompanhou os primeiros discos por irmãos mais velhos e uma leva de crianças que chega às músicas pelos pais.
O músico diz que ainda se impressiona quando vê como aquelas canções continuaram circulando em casa, no carro, em festas e em encontros de família.
Essa renovação aparece também nos shows recentes. Lançado em 2024, o álbum Ainda ajudou o Dibob a apresentar uma fase mais solar para quem já conhecia a banda e para quem chegou depois:
Tem muita criança. Muitos amigos mandam vídeo dos filhos cantando as músicas, filhos de 8, 9 anos. Esse último disco do Dibob foi bem mais leve, bem solar. Foi uma coisa mais alegre, só mensagem positiva, só coisa boa“.
A retomada da banda não veio de uma grande estratégia, mas atendendo a pedidos. O Dibob foi escalado em um festival grande:
A gente percebeu que a galera tem esse carinho com a gente. Meio que um carinho familiar. Acho que eles se identificam com a vibe do Dibob”.
A reação do público ajudou a empurrar a banda para a gravação do disco novo.
A gente estava há uns cinco anos parado, sem nada, e os caras chamaram a gente para ser o card principal de um evento grandão na Marina da Glória. A gente foi meio revival. O show foi lotadaço, todo mundo cantando tudo. Aí a gente viu: não vamos abandonar essa galera. A gente está devendo um disco para eles.”
É rock, mas é… Rock pelúcia?
Ao tentar definir onde o Dibob entra na música brasileira, Dedeco menciona o “bololô” do pop punk. As influências ajudam a explicar essa combinação. Uma das maiores referências nacionais do Dibob faz parte do line-up da Noite Doce, Raimundos. Entre os nomes internacionais, Sublime aparece como devoção central.
O Dibob sempre foi mais o cara da praia, surfista, despojado, zoação. A gente fala que é rock. Rock carioca. Tem o tal do Riocore, que foi o termo que inventaram, mas é meio que rock praiano. Tem uma pegada pop punk, mas a gente se mexe nesse bololô de rock nacional. Raimundos talvez seja a maior influência nacional. A gente começou muito assim, todo mundo gostava muito de Raimundos, porque via as músicas nos filmes de surfe. Fora as bandas lá de fora, tipo blink e Sublime. Sublime é minha banda predileta de todos os tempos.”
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Essa formação aparece na própria identidade do Dibob. A banda tem a fase da provocação, atitude, mas também uma inclinação melódica. No fim da entrevista, quando perguntado se o rock também pode ser doce, Dedeco diz com humor:
O rock do Dibob é muito doce. Dizem até que a gente é rock pelúcia. A gente se encaixa no rock pelúcia. Claro que a gente tem nossas fases: rock tipo Raimundos, que fala besteira, quinta série. Mas tem também o rock emotivo, com melodia. A gente é meio que rock melódico mesmo, sempre foi. Então, acho que o rock pode ser muito doce.”
Programação da quarta edição do Doce Maravilha
O festival Doce Maravilha continua no final de semana dos dias 8 e 9 de agosto também no Jockey Club Brasileiro, reunindo diferentes gerações e trajetórias da música brasileira em uma grande celebração.
No sábado (8), o evento terá apresentações de Paulinho da Viola com Maria Bethânia, Bloco do Silva, Chico Chico celebra Belchior com Juliana Linhares, Leci Brandão & Rappin’ Hood e Cortejo Afro convidando Luedji Luna & Margareth Menezes.
No domingo (9), o festival encerra sua quarta edição com os shows de Caetano Veloso convidando Emicida, Os Paralamas do Sucesso com o show 40 Anos de Selvagem?, Falamansa convidando Ruan Vitor Vaqueirinho, Sandra Sá celebrando os 40 anos do álbum Sandra Sá (1986), Academia da Berlinda com o show 10 Anos de Nada Sem Ela com Louise e Nova Orquestra toca: Bloco do Eu Sozinho.
O evento contará ainda com DJs de destaque da cena carioca, incluindo a participação de Nelson Motta, curador do festival como DJ, ao lado de Lou Cascudo no DJ Set Noites Tropicais. Confira nossa conversa especial com Nelson Motta aqui.
Serviço – Doce Maravilha 2026
Noite Doce
Data: 07 de agosto – sexta-feira
Horário: 18h às 22h
Local: Jockey Club Brasileiro – Praça Santos Dumont, 31, Gávea, Rio de Janeiro – RJ
Vendas: Ingresse
Doce Maravilha 2026
Data: 08 e 09 de agosto – sábado e domingo
Abertura: 14h – shows a partir das 14h35
Local: Jockey Club Brasileiro – Praça Santos Dumont, 31, Gávea, Rio de Janeiro – RJ
Vendas: Ingresse
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Liz Sacramento
Dibob chega ao Doce Maravilha com show de 25 anos e reencontro da cena Riocore



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