Copa do Mundo 2026: conheça bandas e artistas de todos os países do Grupo K

Bandas da Copa do Mundo 2026 - Grupo K

A final da Copa do Mundo 2026 está definida. No próximo domingo (19), Espanha e Argentina definirão quem será o grande vencedor da maior edição de todos os tempos do torneio, responsável por tantas histórias fantásticas ao longo do último mês.

Antes disso, ainda teremos mais um jogo pra acompanhar quando Inglaterra e França se enfrentarem na disputa pelo terceiro lugar, marcada para sábado (18).

Por aqui, a nossa série musical também está perto do fim – este já é o penúltimo especial para conhecermos, mas a boa notícia é que tem muita coisa boa dos países do Grupo K, que contou com Portugal, República Democrática do Congo, Uzbequistão e Colômbia.

Logo abaixo, veja então a lista com recomendações do Grupo K, depois dos links para os grupos anteriores!

Bandas e artistas do Grupo K da Copa do Mundo 2026

Portugal: Blasted Mechanism

Portugal possui uma tradição musical extremamente rica. O fado, inscrito pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, segue como a alma sonora do país, tendo sido reinventado por nomes como Mariza e Ana Moura para audiências globais. No Rock, os Xutos & Pontapés são uma instituição nacional com mais de quatro décadas de estrada, e o Moonspell se consolidou como uma das maiores bandas de Metal da Europa, levando a língua portuguesa para os palcos mais pesados do mundo.

Em outras cenas, há destaque também como Linda Martini, com seu Rock intenso e cerebral que representa o lado mais experimental da cena contemporânea, enquanto os Ornatos Violeta, com apenas dois álbuns gravados nos anos 1990, se tornaram uma das bandas mais cultuadas da história do rock português. No Rap, Portugal vive um momento de efervescência, com nomes como Sam The Kid, Slow J e Plutónio mantendo o gênero como uma das forças mais criativas do país.

Mas o destaque português para esta Copa é o Blasted Mechanism, um projeto que desafia qualquer tentativa de classificação convencional. Fundada em 1995 por Valdjiu e pelo ex-vocalista Karkov, a banda se autodefine como “um projeto artístico de música tocada por seres de outro mundo”, e o que poderia soar como exagero promocional é, na verdade, uma descrição literal: os integrantes sobem ao palco fantasiados de criaturas alienígenas, mutantes intergalácticos e seres tribais, num espetáculo audiovisual que transforma cada show em uma experiência imersiva.

A formação atual conta com Guitshu (voz e teclados), Valdjiu (bambuleco, kalachakra e guitarras), Ary (baixo), Fred Stone (bateria) e Riic Wolf (voz), mas a banda já passou por diversas “gerações”, sempre focando em uma fusão de Rock alternativo, música eletrônica, world music e elementos tradicionais de diversas culturas, incluindo boa parte deste universo sendo construído com instrumentos inventados pela própria banda: o bambuleco (um híbrido de baixo e guitarra), a kalachakra (que junta guitarra, baixo, cítara, tampura, harpa e violino num único instrumento) e o maegeri (um bambuleco com braço mutante que pode acoplar um sintetizador analógico ou uma guitarra portuguesa).

República Democrática do Congo: Papa Wemba

De Kinshasa, capital da República Democrática do Congo que nunca para de dançar, nasceram gêneros como a rumba congolesa, o soukous e o ndombolo, que moldaram a música popular de toda a África Central e Ocidental. E o nome mais lendário dessa história é Papa Wemba (1949-2016), conhecido como o “Rei do Rumba Rock”.

Nascido Jules Shungu Wembadio Pene Kikumba na região do Kasai, criado em Kinshasa e influenciado pela mãe, cantora profissional de funerais, Wemba começou cantando no coro da igreja católica de São José antes de cofundar, em 1969, o Zaïko Langa Langa, uma das bandas juvenis mais influentes da história congolesa.

Fundou em 1977 o Viva La Musica, grupo que se tornaria uma instituição cultural em Kinshasa e depois em Paris. Com uma carreira que atravessou quase cinco décadas, Papa Wemba levou a rumba congolesa ao mundo: assinou com a Real World Records de Peter Gabriel, com quem inclusive saiu em turnê nos Anos 90, e lançou álbuns aclamados como Le Voyageur (1992) e Emotion (1995), que fundiram rumba, pop e world music para audiências globais.

Além de músico, foi ator, ícone de moda e figura central do movimento La SAPE (Société des Ambianceurs et des Personnes Élégantes), que transformou a elegância no vestir em identidade cultural congolesa. Morreu como queria, no palco, após colapsar durante uma apresentação no festival FEMUA em Abidjan, Costa do Marfim, em abril de 2016.

A cena congolesa, porém, segue vibrante. Fally Ipupa, herdeiro direto da tradição de rumba e ndombolo, é hoje um dos artistas mais populares da África francófona, lotando arenas na Europa e no continente. E no campo experimental, o coletivo KOKOKO!, formado em Kinshasa por músicos que constroem seus próprios instrumentos a partir de lixo eletrônico e sucata, mistura música congolesa de rua com eletrônica lo-fi numa proposta tão inventiva quanto o ambiente de onde nasce.

Uzbequistão: Origami Wings

O Uzbequistão é um dos países mais improváveis desta Copa do Mundo, tanto no futebol quanto na música. A tradição musical do país é profundamente ligada à cultura centro-asiática, com instrumentos como o dutar (alaúde de duas cordas) e o doira (tambor de moldura) ocupando lugar central na música folclórica.

No Pop, o grupo Yalla, fundado em Tashkent nos anos 1970, se tornou um dos conjuntos mais famosos da era soviética, misturando canções uzbeques com arranjos pop ocidentais e acumulando milhões de discos vendidos na URSS. Já Mirjalol Nematov é uma das grandes estrelas do Pop uzbeque contemporâneo, com uma base de fãs massiva na Ásia Central.

Mas o destaque escolhido vai para o Origami Wings (Крылья Оригами), banda de Indie Rock formada em Tashkent em 1999 por Ashot Danielyan, filólogo especializado em cultura japonesa (daí o nome do grupo).

A banda, que conta ainda com Alexander Ivlev (baixo) e Konstantine Lavrov (bateria), faz um Rock melódico cantado em russo e carregado de uma energia que mistura nostalgia e rebeldia. O álbum de estreia, Wings of Origami (2010), foi aclamado pela crítica local, e singles como “Три сердца осьминога” (“Três Corações de Polvo”) revelam um lado mais cinematográfico do grupo.

Um detalhe interessante é que, desde 2007, Danielyan organiza o Ilkhom Rock Fest, o único festival independente de Rock do Uzbequistão, que já trouxe mais de 50 bandas alternativas da Ásia Central, Armênia, Ucrânia, República Tcheca e Reino Unido para se apresentar no país.

Colômbia: Morat

A Colômbia é, hoje, uma das maiores potências da música global. Shakira pavimentou o caminho décadas atrás, e a explosão do Reggaeton e do Pop latino levou nomes como J Balvin, Maluma, Karol G e Feid ao topo das paradas mundiais, fazendo de Medellín e Bogotá centros da indústria musical contemporânea. Karol G, inclusive, fez história em 2026 ao se tornar a primeira latina a ser headliner do Coachella.

Mas, no meio dessa avalanche urbana, o destaque colombiano por aqui é o Morat, quarteto de Pop Rock formado em Bogotá por quatro amigos de infância que se conheceram no colégio: Juan Pablo Isaza (guitarra, teclados e voz), Juan Pablo Villamil (guitarra, banjo e voz), Simón Vargas (baixo e coros) e Martín Vargas (bateria e coros).

A trajetória do grupo inclui o hit “Mi Nuevo Vicio”, cedido a Paulina Rubio em 2015 e que alcançou o número um na Espanha e no México, abrindo as portas internacionais. Desde então, vieram cinco álbuns de estúdio, incluindo Ya Es Mañana (2025), vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum Pop/Rock e parcerias com nomes como Juanes e Camilo, além de sua estreia no Coachella.

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Felipe Ernani

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