IveTim, por Criolo
O cantor Criolo é o terceiro convidado da Coluna Pop, um espaço no POPline para os artistas expressarem suas opiniões, anseios e perspectivas sobre música e mercado, e compartilharem histórias pessoais, em comemoração aos 20 anos do portal.
(Foto: Divulgação)
Em 2015, tive a felicidade de ser convidado para um série de shows em homenagem ao mestre Tim Maia, algo impossível tamanha a distância de construção do já vivido e de possibilidades em grandes eventos, mas não de mundos.
Eu venho de um bairro do extremo sul de São Paulo, Grajaú, terra de gente linda que trabalha muito, cria muito e tem um ritmo acelerado entre o crime, a paixão, o romantismo, o ginasial, a fome, a vontade de viver, sorrir, produzir. Enfim, um povo que trabalha duro e que ergue a cidade, que sonha com mudanças e alegrias para todos. Acredito que, nisso, estávamos bem pertinho um do outro.
Vi no Rap minha vida transformada com possibilidade de existência e companhia para dias difíceis.
Tim Maia para nossa cultura é uma mistura de postura de rua, poesia de vivência e muita musicalidade brasileira, que atravessou continentes e trouxe um tanto dessa música de fora, que impactou e segue transformando o planeta. Um herói improvável e tão genial que faria, sim, todo o sentido num Brasil tão brasileiro. A música, essa proximidade que se dá com a voz e a imagem de alguém que se parece com a gente, tem o nosso jeito, mas tem uma coragem com as palavras que muitas vezes não temos e gostaríamos de exercer essa força de ousadia, pra mim surreal.
Tenho em meu íntimo que meu nome surge, por milagre das desistências de outros que com seus talentos não teriam uma agenda para este recorte de tempo e agenda de viagens.
O que o amor e a música unem, o universo cuida, e a matemática não explica. Este sonho é realizado e ter forças para cantar as poucas músicas que eram minha responsabilidade, num show de 2 horas e meia, só foi possível pois a estrela de grandeza maior, gentileza inigualável, doçura, sensibilidade e humildade, se encarregou de fazer acontecer.
Eu cantar Tim Maia, com o nervosismo e alegria se misturando a cada apresentação, só foi possível por que ela assim o fez acontecer. Ivete Sangalo, uma das poucas pessoas que vive a situação de auge eterno, cuidou de me permitir receber um pouco de seu brilho, pra ver se eu aos poucos ativava o meu próprio.
Os gênios Daniel e Duani cuidavam do laboral da criação da musicalidade e do ambiente, pois o palco é composto por seres humanos, antes e acima de tudo, por gente que ama a música. Eles foram incríveis e impecáveis, mas quando Ivete chega ela para o relógio. Pra mim fica essa passagem do mundo recortado, das gigantescas coisas que podem ser construídas com suporte e amor. Então vivi eu a alegria de homenagear um imortal ao lado de uma única e eterna estrela da música brasileira.
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Leonardo Torres




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