Lançamentos nacionais: Tom Zé, Clayton Barros e Desejo Terrível

O single “Futuro Fruto” reúne Tom Zé, Marcelo Segreto, da Filarmônica de Pasárgada, e a estreante Loretta em colaboração que aproxima diferentes gerações da música brasileira.
A faixa ganhou um significado especial por integrar as celebrações dos 90 anos de Tom Zé, transformando a parceria em uma espécie de passagem de bastão entre gerações e propondo um diálogo entre artistas de momentos diferentes.
Nesse contexto, a presença de Loretta ao lado de dois nomes já estabelecidos reforça o caráter de renovação presente na canção. Para ela, a gravação representa ainda sua estreia em uma parceria com dois artistas de trajetórias marcantes na música brasileira.
Ao compartilhar a faixa com Tom Zé e Marcelo Segreto, a cantora iniciou seu percurso artístico inserida em um encontro que olha simultaneamente para a memória e para o futuro.
Clayton Barros

Clayton Barros, violonista da Cordel do Fogo Encantado, disponibilizou seu primeiro disco solo, Primitivo Atemporal, lançado em parceria com o selo Estelita. O álbum percorre diferentes tempos, territórios e sonoridades para refletir sobre o sertão, sua história, seus povos, sua cultura e as transformações provocadas pela passagem do tempo.
Com o violão como espinha dorsal, Primitivo Atemporal reúne uma miscelânea de estilos musicais, transitando pelo Samba, Rap, Repente, BBaião, Eletro, Funk, Rock e MPB, ritmos que fazem parte da trajetória e das referências de Clayton.
O disco teve produção do próprio artista, mixagem, arranjos e masterização de Felipe Weinberg, engenharia de som de João Cavalcante e foi gravado nos estúdios Casona, Estelita e Cacimba. Em nota para a imprensa, o artista pernambucano explicou:
“O disco fala diretamente sobre o Sertão. Desde os tempos primitivos até a diversidade do território, os povos originários, entradas e bandeiras, invasão, luta, miscigenação, a cultura e a relação com a natureza, instinto, misticismo, conhecimento autóctone e as personagens em desenvolvimento ao longo do tempo. O termo ‘Primitivo’ abrange isso tudo e muito mais coisa intrínseca no comportamento e na história do sertão e do seu povo. Já o termo ‘Atemporal’ busca evidenciar o resultado da nossa face primitiva nos dias atuais, o aprendizado e conhecimento que nunca envelhecem mesmo com tecnologias modernas. Uma visão de futurismo em contraponto com sabedoria ancestral a utilização e adaptação de novas tecnologias, – como na capa do disco: um vaqueiro de gibão montado na motocicleta. Tento criar um portal de passagem, entre esses dois momentos no espaço-tempo.”
Entre as participações especiais no trabalho de estúdio estão Bnegão, Flaira Ferro, Jessica Caitano e Fernando Catatau, que toca guitarras em “Venha ao Cais”. O álbum estabelece uma relação entre ancestralidade e contemporaneidade. A própria escolha do título sintetiza esse conceito, ao aproximar aquilo que é ancestral, instintivo e ligado à memória do Sertão das transformações e tecnologias do presente.
Desejo Terrível

Depois de dez anos construindo uma trajetória independente marcada pela experimentação, a banda mineira Desejo Terrível transformou a própria inquietação em matéria-prima para seu novo trabalho de estúdio. O grupo lançou o EP Neurose do Momento, registro que reúne três faixas.
Entre o Punk Rock, a psicodelia e referências à música popular brasileira, o material aborda a ansiedade contemporânea a partir do humor, do estranhamento e da imaginação. O lançamento reafirma uma característica que acompanha o grupo desde o início: a disposição para experimentar e mudar de direção sem abandonar a identidade construída ao longo do caminho.
Gravado no Estúdio Engenho, com mixagem e masterização de André Cabelo, vencedor do Latin Grammy de 2020, Neurose do Momento inaugura uma nova etapa na trajetória do grupo. Nas letras, a banda constrói um universo em que paranoia, hiperconectividade, imaginário popular e uma espécie de “ocultismo de boteco” convivem de maneira natural.
O absurdo, nesse contexto, aparece tanto como recurso de humor ou exagero quanto uma lente para observar situações cada vez mais familiares do cotidiano. Em nota para a imprensa, o vocalista Drin Cortes comentou:
“A neurose não é o tema do disco. É o idioma que o século 21 escolheu para conversar com a gente.”
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Gabriel von Borell
Lançamentos nacionais: Tom Zé, Clayton Barros e Desejo Terrível




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