Além do reality: o que sustenta uma carreira na música?

Brenno Casagrande
Foto por Rodolfo Tavares

Por Brenno Casagrande – cantor e compositor

Um programa de televisão pode abrir muitas portas para um artista. Em pouco tempo, é possível apresentar sua voz, sua história e seu trabalho para milhões de pessoas. Mas, quando as câmeras se desligam, começa uma parte igualmente importante: entender como transformar aquela atenção em uma carreira que continue existindo.

A participação na segunda temporada do Estrela da Casa, da TV Globo, trouxe essa experiência de forma muito concreta. O projeto ampliou o alcance do meu trabalho e me apresentou a pessoas que talvez ainda não conhecessem minha música. A dimensão dessa vitrine ajuda a entender o tamanho da oportunidade: a segunda temporada alcançou 99,3 milhões de telespectadores e gerou mais de 180 milhões de visualizações nas redes sociais da TV Globo e do programa.

Ao mesmo tempo, reforçou de forma mais clara e palpável o que a própria trajetória na música já vinha mostrando: a exposição abre portas, mas também traz a responsabilidade de construir algo a partir delas. O trabalho continua depois, na relação com esse novo público e na construção contínua. E isso passa, antes de tudo, por entender quem se é como artista.

Identidade, repertório, presença de palco e conexão com o público não são coisas que se constroem de uma hora para outra. Também não existe uma fórmula única para transformar a visibilidade em uma carreira. Cada artista precisa entender o que tem a dizer, que caminho quer seguir e como pode fazer com que as pessoas se reconheçam naquilo que está sendo apresentado.

Essa construção já fazia parte da minha trajetória antes do programa. Como compositor, são quase 500 músicas gravadas por diferentes artistas, além de cinco passagens pelo Grammy Latino, com uma vitória. Em 2017, “Golpe Baixo”, na voz de Daniel, venceu na categoria Música Sertaneja. Depois, vieram indicações com “Sofazinho”, de Luan Santana, em 2019, a Melhor Álbum de Música Sertaneja; “Seus Olhos Não Mentem”, de Cláudia Leitte, em 2020, a Melhor Álbum de Pop Contemporâneo; “Para Qué (Que Me Duela)”, de Camilú com Brenno, em 2023, a Melhor Álbum Pop Vocal Tradicional; e “Era Tudo o Que Eu Queria”, de Luan Santana, em 2024, a Melhor Álbum de Música Sertaneja. Ao mesmo tempo, existia o desejo de fortalecer cada vez mais minha atuação como intérprete e apresentar ao público minha própria voz.

Por isso, ter passado pelo Estrela da Casa não significou começar uma história, mas ganhar uma oportunidade de ampliar uma história que já vinha sendo construída. E, depois dela, veio a responsabilidade de continuar trabalhando.

Após construir um trabalho marcado pela proximidade emocional, pela valorização da música brasileira e por composições atravessadas por afeto, memória e pertencimento, eu senti a necessidade de transformar essa conexão em vivência também nos palcos. Foi aí que surgiu o NUSOM, um espaço onde, junto do público, estou construindo uma atmosfera e narrativa que se conectam de forma orgânica, propondo uma nova maneira de vivenciar a música.

E esse ponto eu trago só pra mostrar que talvez seja um dos principais desafios para quem entra em um reality como esse: entender que é um momento, não sua vida inteira. O programa acaba, a temporada termina e o público segue para a próxima história. Então, para quem tem uma oportunidade como essa, é importante aproveitar para investir na comunicação, na construção da persona artística e em uma estrutura que permita seguir trabalhando depois, com shows, produções e novos projetos. A visibilidade muitas vezes passa, mas a carreira precisa continuar.

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