Yeti Sounds aposta em repertório e escuta para expandir os limites da criação musical

Yeti Sounds aposta em repertório e escuta para expandir os limites da criação musical
Crédito: divulgação

A tecnologia tornou mais acessível a produção de música e aumentou as possibilidades de chegar a resultados tecnicamente sofisticados. Em um cenário no qual a perfeição sonora pode se tornar cada vez mais padronizada, a Yeti Sounds chegou ao mercado criativo com uma proposta que coloca repertório, escuta e intenção humana no centro da criação.

Especializada em trilhas originais, sound design e projetos musicais para publicidade, entretenimento e conteúdo, a produtora parte da ideia de que uma trilha pode fazer mais do que responder a um briefing, ajudando a revelar ideias que ainda não foram formuladas.

Criada pelos produtores musicais Murillo Faria e Yuri Chix, a Yeti Sounds aposta na combinação de experiências e referências acumuladas pelos dois sócios. O objetivo é transformar tal repertório em ferramenta criativa para encontrar caminhos menos óbvios diante de cada projeto. Em nota para a imprensa, Murilo afirmou:

O briefing está descrevendo um destino com o mapa que tinha na mão. Nosso trabalho é entender para onde ele quer chegar e descobrir se existe um caminho mais interessante para chegar lá.”

A visão nasceu de trajetórias musicais complementares. Yuri está à frente do projeto Database, com trajetória na cena eletrônica e passagens por grandes festivais, além de colaborações com nomes como Mark Ronson, Fatboy Slim e Metronomy. Já Murilo é cofundador, tecladista e produtor da banda brasileira de electro-rock Aldo, The Band, que abriu o show do Radiohead no Brasil em 2018.

Ele também foi sócio-fundador da Evil Twin Music e está por trás do recém-lançado remix de “Me Chama”, clássico de Marina Lima, produzido ao lado de Luiz Mattos e Marina Diniz e lançado pela Universal Music Brasil.

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A dupla entende que é justamente o repertório acumulado, muitas vezes construído de maneira intuitiva e fora do contexto de trabalho, que permite estabelecer conexões inesperadas quando um novo projeto chega. A pesquisa, nesse sentido, é alimentada continuamente por experiências que atravessam diferentes campos. Murilo completou:

Raramente a pesquisa começa dentro do estúdio. Ela acontece o tempo todo, muitas vezes longe do universo estritamente musical. Uma referência pode vir de uma exposição, de um filme, de uma conversa, de uma comida, de uma viagem ou simplesmente de alguma coisa que chamou nossa atenção no dia a dia.”

Yeti Music chega para trazer nova perspectiva no mercado

O processo de escuta permanente permite que uma referência seja desmontada e reconstruída por outros caminhos. Uma percussão corporal pode ocupar o lugar de um elemento Folk; um naipe de metais pode substituir um sintetizador; uma banda tocando ao vivo pode assumir uma função que, inicialmente, parecia destinada a uma produção eletrônica.

A busca, portanto, está em entender o que aquela referência pode provocar quando deslocada de seu contexto original. A experiência dele como DJ também entra na equação como ferramenta de escuta e curadoria que complementa sua trajetória como produtor musical. Para Yuri, a cultura de pista e a cultura de banda ensinam coisas diferentes sobre uma mesma música:

Saber fazer essa leitura encontra um paralelo na criação para marcas e na etapa de music supervising. O desafio é muito parecido. É preciso entender o que a cena pede, o que o briefing pede, o que o público espera, mas também encontrar aquele elemento inesperado que faz a escolha musical ganhar personalidade.

Em aspas exclusivas para o TMDQA!, ele complementou:

A cultura DJ deixou de ser nicho e virou a forma como as pessoas consomem música. Ler ambiente e escolher o que tocar em cada momento é exatamente o trabalho de direção musical. Junto com esse lado, a idéia de trazer técnicas de produtores/DJs, como mashups e outros, ajudam a criar peças novas, fundindo estilos e pegadas”.

No fim, a proposta da Yeti Sounds busca compreender quando cada recurso serve à história que se quer contar, e em usar o repertório acumulado para descobrir possibilidades que, muitas vezes, não estavam explícitas no briefing. Sobre isso, Murilo Faria explicou ao TMDQA! como a Yeti surge não para ocupar um espaço vazio, mas para complementar:

Existem produtoras incríveis no mercado, com trabalhos que admiramos muito. A Yeti não nasce para ocupar um espaço que estava vazio, mas para trazer uma perspectiva diferente: uma visão mais artística sobre o mercado, que pensa em música, e não apenas em trilha. A gente acredita que existe espaço para ir além do briefing, para buscar referências fora do óbvio e para criar músicas que tenham uma vida própria, mas que, ao mesmo tempo, estejam a serviço de uma marca e de uma narrativa. No fim, é sobre não pensar apenas em qual música funciona para o filme, mas em que música pode fazer aquele filme ser diferente”

Você pode acompanhar a Yeti Sounds, bem como Murilo e Yuri, clicando em cada um dos nomes e seguindo-os no Instagram.

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Gabriel von Borell

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