O dia em que Emicida descobriu que vendiam sua mixtape por 5 vezes o preço nas ruas de São Paulo

O dia em que Emicida descobriu que vendiam sua mixtape por 5 vezes o preço nas ruas de São Paulo
Crédito: reprodução

Antes de ficar famoso, ainda na época das batalhas de rima, Emicida descobriu que suas próprias gravações estavam sendo vendidas por um preço muito maior do que aquele que ele cobrava diretamente do público.

A descoberta aconteceu em uma loja de discos de São Paulo e colocou diante do rapper uma questão que iria muito além da diferença de alguns reais. Diante da situação, Emicida se questionou se deveria deixar que terceiros determinassem o valor de um trabalho que ele próprio produzia e distribuía.

A resposta ajudaria a definir os rumos da carreira do artista nos anos 2000 e da empresa que ele construiria ao lado do irmão, Evandro Fióti, a Lab Fantasma. O episódio foi lembrado ao lado de Rashid e Projota, nomes que acompanharam de perto aquele período da cena do Rap paulistano e que participaram do mesmo quadro da revista GQ Brasil.

Como você pode ver no vídeo ao final da matéria, Emicida descobriu que uma tradicional loja de discos no centro da capital havia comprado algumas de suas mixtapes e as colocado à venda por até R$15. Ou seja, o mesmo material que chegava ao público por poucos reais pelas mãos do artista aparecia nas prateleiras por cinco vezes o preço. como ele mesmo explicou:

“A gente fazia mixtape, vendia na rua por R$2, está ligado? No momento em que a gente lançou, os lojistas não deram moral para nós. Aí nós ‘conseguiu’ fechar um acordo ali, para os caras vender por R$5. Eles já ‘estava’ lucrando mais que nós. Mas nós também ‘queria’ que o disco também estivesse disponível na galeria. Era importante. A galeria é um templo, né? Da parada. Mas aí eu descobri que os caras estavam vendendo por R$10, por R$15. Nós ‘estava’ ganhando R$1. Aí, mano, tipo, fui pras ‘ideia’, né, irmão? Minha propriedade intelectual. Fui lá e: ‘Irmão, devolve os meus bagulho.’ Tomei os ‘disco’ de volta da loja, e fui vender na rua. Voltou nós com nossas mochilas para a rua, e aparentemente, irmão… o lado vitorioso continua sendo esse.”

Certíssimo!

Emicida repensou sua lógica de posicionamento na carreira após episódio nas ruas de São Paulo

A partir dali, Emicida passou a cuidar melhor de questões como distribuição, posicionamento e controle sobre a própria produção. Em vez de depender exclusivamente da venda direta nas batalhas, ele começou a estruturar uma operação capaz de colocar seus produtos em outros canais e, ao mesmo tempo, manter sob seu controle uma parcela maior do negócio.

A mudança de perspectiva, inclusive, acompanhou o crescimento da Laboratório Fantasma, importante hub de entretenimento, gravadora e marca de moda urbana criado em 2009 por Emicida e Fióti na Zona Norte de São Paulo. O que começou ligado à produção e à distribuição independente de música ganhou novas frentes, incluindo roupas, gestão de carreiras e uma estrutura mais profissional para a circulação dos trabalhos.

Há males que vem para o bem, né?

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Gabriel von Borell

O dia em que Emicida descobriu que vendiam sua mixtape por 5 vezes o preço nas ruas de São Paulo


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