“Não vai me meter em política, vai?”: Ed Sheeran para Bono ao gravar com o U2

A recente onda de polêmicas na turnê mundial de Ed Sheeran ganhou uma análise profunda de quem conhece bem a relação entre arte e engajamento social. Em entrevista à Rolling Stone UK, Bono e Larry Mullen Jr., integrantes do U2, defenderam a postura do astro britânico após o desligamento do rapper Macklemore de seus shows de abertura e a consequente saída de outros nomes do line-up, como Finneas e Aaron Rowe.

A crise começou quando Macklemore manifestou apoio abertamente à Palestina durante uma apresentação em estádio, resultando em sua demissão da turnê por pressão de empresários e promotores. Em solidariedade ao rapper, os demais artistas do suporte do show também anunciaram o cancelamento de suas participações.
Recusa em ‘Yours Eternally’: como Ed Sheeran evita posicionamentos políticos
Ao comentar a situação, Bono revelou bastidores da colaboração de Ed Sheeran na faixa “Yours Eternally”, lançada pelo U2 no EP “Days of Ash”. A canção conta com a participação do cantor ucraniano Taras Topalia e foi escrita sob a perspectiva de um soldado combatente no conflito contra a Rússia.
Segundo o vocalista do U2, mesmo concordando em participar por conta da história do soldado – que era fã de seu trabalho -, Sheeran deixou claro que não queria sua imagem associada a causas partidárias ou ideológicas:
“Quando fizemos ‘Yours Eternally’, ele me disse: ‘Você não vai me meter em política, vai?’. E eu respondi que o soldado que nos inspirava o adorava. Ele rebateu: ‘Sim, mas eu só quero manter o meu trabalho livre disso’.”
Bono para a Rolling Stones UK
O vocalista do U2 ressaltou que concordou com a posição do colega: “Você não pode ficar empurrando as pessoas por aí”. Citando reflexões do produtor Brian Eno e de Bob Geldof, Bono defendeu que os artistas têm o direito de escolher quando e como querem se posicionar, sem que sejam coagidos pelo público ou pela imprensa.
U2 critica pressão de empresários e relembra histórico com censura nos EUA
Se por um lado o U2 defende Sheeran, por outro a banda fez duras críticas à interferência de grandes executivos na liberdade dos artistas. O baterista Larry Mullen Jr. repudiou a influência de bilionários e proprietários de equipes — como Robert Kraft, do New England Patriots —, apontados como peças-chave no banimento de Macklemore.
Mullen enfatizou que, se o U2 tivesse aceitado esse tipo de coerção no início da carreira, o grupo teria sido inviabilizado ainda nos anos 1980:
“Se aplicássemos essa lógica ao U2, teríamos saído do mercado na época de ‘Sunday Bloody Sunday’”, afirmou o baterista.
Bono complementou lembrando o episódio em que a banda desafiou o então governador do Arizona, Evan Mecham, ao se posicionar publicamente a favor da criação do feriado do Dia de Martin Luther King Jr., sofrendo ameaças veladas antes de subir ao palco.
Bruna Cora
https://portalpopline.com.br/ed-sheeran-nao-vai-me-meter-em-politica-u2/




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