“Sentimento” me levou de volta ao Grammy, mas essa indicação carrega muito mais do que meu nome, por Ferrugem

“Sentimento” me levou de volta ao Grammy, mas essa indicação carrega muito mais do que o meu nome, por Ferrugem
(Foto: Thais Marques)

O cantor Ferrugem é o 12º convidado da Coluna Pop, um espaço no POPline para os artistas expressarem suas opiniões, anseios e perspectivas sobre música e mercado, e compartilharem histórias pessoais, em comemoração aos 20 anos do portal.

“Sentimento” me levou de volta ao Grammy, mas essa indicação carrega muito mais do que meu nome, por Ferrugem
(Foto: Thais Marques)

Quando comecei a pensar em “Sentimento”, eu sabia que queria fazer um álbum que representasse muito o momento que eu estava vivendo. Queria um trabalho que tivesse a minha verdade, que mantivesse tudo aquilo que as pessoas reconhecem quando escutam Ferrugem, mas que também mostrasse um pouco do artista que eu me tornei depois de tantos anos de carreira. Por isso, receber a notícia de que esse álbum estava indicado ao Latin Grammy foi muito especial. É a minha segunda indicação e, talvez por estar vivendo isso novamente alguns anos depois, eu consiga entender ainda melhor o tamanho desse reconhecimento.

Minha primeira indicação veio em 2018, com “Prazer, Eu Sou Ferrugem”. Muita coisa aconteceu de lá pra cá. Eu mudei, minha música mudou, o mercado mudou e o próprio pagode vive hoje um momento diferente. Mas uma coisa eu fiz questão de manter: a minha identidade. Nunca quis deixar de fazer pagode para chegar a outros lugares. Pelo contrário. Sempre quis chegar a outros lugares fazendo pagode.

“Sentimento” tem muito disso. É um disco que nasceu do pagode e do romantismo que sempre fizeram parte da minha história, mas em que me permiti buscar outras referências, experimentar e mostrar outras camadas da minha música. Tem uma estética diferente e, principalmente, tem muito do que eu acredito como artista hoje. Por isso essa indicação tem um significado tão grande para mim. Não é só estar novamente no Grammy. É chegar lá com um trabalho em que acredito muito.

E é muito louco porque, ao mesmo tempo em que o álbum recebe esse reconhecimento, “Arrependidaço” ganhou uma vida enorme. A música chegou a lugares e pessoas que a gente nem imaginava e se tornou um dos grandes sucessos dessa fase. Para quem vive de música, é muito especial perceber quando uma canção deixa de ser só sua e passa a fazer parte da vida das pessoas. Acho que não existe número que explique completamente essa sensação.

Também olho para essa indicação pensando no momento que o samba e o pagode estão vivendo. Durante muito tempo, a gente ouviu falar que o pagode estava voltando, que estava vivendo um novo boom, mas, para quem está dentro, ele nunca foi embora. O pagode sempre teve público, sempre lotou show, sempre revelou artistas e sempre fez parte da vida das pessoas. Talvez o que esteja acontecendo agora seja o mercado olhando com mais atenção para uma força que sempre esteve aqui.

Eu tenho muito orgulho de fazer parte dessa história e de ver tanta gente chegando junto. Tem uma geração nova fazendo um trabalho incrível, tem artistas que abriram caminho para que eu pudesse estar aqui e tem gente da minha geração conseguindo levar essa música cada vez mais longe. Quando um artista do samba ou do pagode chega a um espaço como o Grammy, eu não consigo enxergar aquilo apenas como uma conquista individual.

Claro que eu quero ganhar. Seria mentira dizer que não. [risos]. A gente trabalha, acredita no disco e quer voltar com esse Grammy para casa. Mas eu também sei que estar indicado novamente, ao lado de artistas que respeito, já diz muita coisa sobre o caminho que estamos construindo.

Eu sempre falo que não vejo isso como uma competição entre nós porque, no fim, quem ganha é o samba. E não falo isso só como uma frase bonita. Eu realmente acredito nisso. Cada vez que o nosso gênero ocupa um espaço importante, cada vez que um disco de samba ou pagode atravessa fronteiras e cada vez que nossa música é reconhecida fora do Brasil, tem uma história muito maior sendo contada.

Hoje, quando olho para “Sentimento”, para tudo que “Arrependidaço” se tornou e para essa segunda indicação, sinto principalmente orgulho. Orgulho do disco que fizemos, da minha equipe, de quem acompanha meu trabalho e, principalmente, de continuar fazendo a música que escolhi para a minha vida.

Se esse caminho me levou novamente ao Grammy, quero chegar lá exatamente assim: fazendo pagode, representando a minha música e sabendo que não estou chegando sozinho.

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Leonardo Torres
https://portalpopline.com.br/sentimento-grammy-indicacao-ferrugem/

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