A metamorfose do POP e sua pluralidade, por Rodrigo Teaser

O performer Rodrigo Teaser é o 14º convidado da Coluna Pop, um espaço no POPline para os artistas expressarem suas opiniões, anseios e perspectivas sobre música e mercado, e compartilharem histórias pessoais, em comemoração aos 20 anos do portal.

O POP é talvez a mais plural, intercambiável e mutante das expressões de arte que existem. Nele, a urgência pelo novo é constante. No entanto, eu apresento, noite após noite, um show que revisita o clássico e relembra o início da cartilha POP. Isso me faz perceber que o gênero musical, assim como toda forma de arte, se torna relevante quando tem verdade.
Michael Jackson criou, talvez sem saber, o que seria a cartilha do POP. Não importa qual artista desse universo contemporâneo se analise hoje: alguma coisa em sua carreira será uma releitura ou uma revisão de algo feito por ele.
Faz 17 anos que ele se foi. Nos últimos 14 anos, viajo com um show e acompanho a renovação de seu público, com fãs que descobrem cada vez mais a profundidade de sua obra.
Este ano, ultrapassamos a marca de 1,5 milhão de espectadores, visitamos 20 países e alcançamos marcas que muitos artistas mainstream não atingem. Tudo isso quase no anonimato, conquistando feitos que o grande público e os grandes meios de comunicação desconhecem.
Existe muito estudo, muito ensaio, muito preparo e muita insistência, mas nada disso seria possível se não houvesse como base uma obra tão forte. Forte a ponto de o público se permitir vê-la em outros corpos e ouvi-la em outras vozes.
Michael é como um sol, e em torno dele orbitam muitos planetas e muitas estrelas.
Nenhum projeto de marketing, nenhum storytelling, nenhum investimento em publicidade supera a boa arte ou um bom show.
Viver disso é um privilégio, mas também é a constatação diária de quanto as dificuldades e as surpresas da estrada podem nos testar.
A vida toda, assisti a documentários sobre artistas pop em suas viagens, em seus palcos cheios de tecnologias e elevadores, e pensava: “Será que um dia viverei isso?”. Hoje, vivo.
E, a cada apresentação, vejo o legado de Michael Jackson ganhar vida diante de milhares de pessoas e testemunho o encantamento delas por uma criação que, em cena, já tem, em alguns casos, 40 anos.
A tecnologia evoluiu. Hoje, temos tudo à nossa disposição, mas a espinha dorsal segue sendo a música, a dança e a forma como tudo isso conecta o público a uma obra que continua imortal.
Um dia, talvez em breve, vou parar. Vou deixar de ser quem une fãs com o propósito de celebrar essa obra, e outra pessoa, que estude, respeite e se entregue, ocupará esse lugar.
E a obra seguirá viva, seguirá imortal. Novas tecnologias chegarão, mas os elementos principais continuarão sendo a música, a dança e a emoção que elas despertam em todos nós.
Não por acaso, Michael sempre dizia:
“O amor vive para sempre”.
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Rodrigo Teaser
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