Shows ganharam papel de refúgio emocional para os millennials, diz estudo

Cada vez mais, o público tem buscado nos shows uma forma de conexão e bem-estar. É o que mostrou uma nova pesquisa realizada pela BookMyShow Live na Índia.
Entre os millennials entrevistados, 49% apontaram a sensação de “cura emocional” como o resultado ideal de uma apresentação musical. Ao mesmo tempo, o levantamento mostrou que a experiência ao vivo pode deixar marcas que vão além do espetáculo, indo da descoberta de novos artistas à melancolia que sucede o fim do evento.
Intitulado “OOO: Offline. Outdoors. Out Loud”, o relatório reuniu respostas de quase 1.700 pessoas com 18 anos ou mais, distribuídas por 75 cidades indianas. A pesquisa foi realizada ao longo de cinco semanas, a partir de 10 de junho, e investigou os comportamentos e as motivações dos consumidores durante a temporada de entretenimento de 2025 a 2026.
Entre os eventos considerados no levantamento estão apresentações de Post Malone, o Lollapalooza Índia 2026, que teve o Linkin Park entre suas principais atrações, e a estreia indiana da turnê “Circus Maximus”, de Travis Scott. Os resultados indicaram que a decisão de comprar um ingresso está frequentemente ligada a um vínculo construído ao longo do tempo com os artistas.
Segundo o relatório, 51% dos entrevistados comparecem aos shows porque acompanham determinado artista há anos. Já o medo de ficar de fora de uma experiência, conhecido pela sigla em inglês FOMO (fear of missing out), apareceu como motivação para apenas 4% do público.
Durante as apresentações, a participação coletiva também ocupa lugar central. Para 66% dos entrevistados, cantar junto com o artista é um dos momentos que mais provocam arrepios. A intensidade da experiência apareceu ainda em outro dado, pois 40% afirmaram já ter ficado sem voz depois de um show.
Shows vão além da música e criam conexões entre desconhecidos
A dimensão social não se limita aos grupos que chegam juntos ao local. Embora muitos frequentem os eventos acompanhados de amigos ou familiares, 56% relataram ter estabelecido conexões com pessoas desconhecidas durante os shows. Os dados sugerem que os encontros funcionam como espaços de convivência, nos quais o interesse compartilhado pela música pode aproximar pessoas que nunca haviam se encontrado.
A intensidade emocional, no entanto, não termina necessariamente quando as luzes do palco se apagam. O relatório aponta que 46% dos entrevistados sentem uma espécie de tristeza ou melancolia depois de uma apresentação, reação frequentemente descrita como o post-concert blues, ou “baque pós-show”.
O contraste entre a euforia vivida durante o evento e a sensação de vazio que pode surgir depois dimensiona a importância que tais experiências assumem para parte do público. Embora o levantamento registre percepções dos participantes, e não uma avaliação clínica dos efeitos dos shows, os resultados reforçam o lugar que a música ao vivo possui na vida emocional dos frequentadores.
Diferenças entre gerações foram destaque da pesquisa
As diferenças geracionais também aparecem na maneira como o público vive e prolonga a experiência.
Entre os integrantes da Geração Z entrevistados, 46% afirmaram publicar conteúdos sobre o evento em até uma hora após seu término. Um em cada cinco também relatou enfrentar filas para garantir um lugar na grade, sinalizando o valor atribuído à proximidade com o artista e à possibilidade de acompanhar a apresentação de um ponto privilegiado.
Entre os participantes mais velhos e os integrantes da Geração X, por outro lado, um em cada três costuma levar familiares aos shows. O relatório também identificou entre esse grupo maior segurança nas decisões de compra, com a aquisição de ingressos assim que as vendas são abertas.
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Gabriel von Borell
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