Hardcore melódico da Marinas Found explora dores do crescer no novo álbum “Saudade”

Saudade, terceiro álbum de estúdio da Marinas Found que acaba de ganhar as plataformas digitais abrindo um 2026 repleto de lançamentos, é um disco que encara um sentimento universal sem tratá-lo como fraqueza.
Lançado após um período de isolamento, mudanças e amadurecimento forçado, o trabalho soa como um retrato honesto da vida adulta em construção: cheia de rupturas, lembranças, conflitos internos e tentativas sinceras de seguir em frente sem perder a própria essência.
Pelotas e a herança musical
Formada em Pelotas, no Rio Grande do Sul, terra que já nos apresentou a grande família Ramil — com Kleiton & Kledir e Vitor Ramil como alguns de seus expoentes máximos — a Marinas Found surge como mais uma prova de que a cidade sabe, como poucas, produzir filhos brilhantes e profundamente musicais.
Com mais de uma década de estrada no corre independente, a banda carrega essa herança cultural sem soar presa ao passado, usando o hardcore melódico como linguagem para falar do agora.
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A saudade como movimento

Concebido durante a pandemia, Saudade abraça o contexto que o originou e vai além. O álbum reflete experiências de transição, angústias, conflitos, alegrias e memórias típicas de quem está atravessando a passagem da juventude para fases mais maduras da vida. Aqui, crescer não é apresentado como conquista absoluta, mas como um processo cheio de perdas, reavaliações e escolhas difíceis.
O título do disco ajuda a entender esse movimento. A saudade que atravessa o álbum não é paralisante nem excessivamente nostálgica. Ela aparece como uma tentativa de reconciliação com um tempo mais leve e espontâneo, não necessariamente ligado à idade, mas a uma forma mais livre de estar no mundo.
Em vez de olhar apenas para trás, a Marinas Found transforma esse sentimento em força criativa, apontando para um futuro possível e, acima de tudo, otimista.
Peso, melodia e vulnerabilidade
Musicalmente, o álbum reforça uma das marcas mais fortes da banda: o contraste entre uma sonoridade pesada e uma estética vibrante. O hardcore melódico da Marinas Found ganha novas camadas ao dialogar com punk, rock alternativo, pop e emocore — gênero que vive uma onda recente de redescoberta. Ao longo de 12 faixas, o disco conduz o ouvinte por uma jornada emocional que equilibra intensidade e vulnerabilidade, peso e sensibilidade.
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Canções que organizam o caminho
Os singles ajudam a mapear bem esse percurso. “Rito” abriu a era do álbum refletindo sobre crescimento pessoal, reconexão e cura emocional após períodos difíceis, especialmente os vividos durante a pandemia. A faixa alterna agressividade e contemplação, traduzindo bem o estado emocional de quem tenta se reorganizar internamente.
“Pule o Muro”, por sua vez, evidencia a versatilidade da banda ao flertar com o emo e o rock alternativo, antecipando a diversidade estética que se expande no disco completo.
Cidades, raízes e gerações
“Cidades Vizinhas” se destaca como um dos momentos mais simbólicos de Saudade. A faixa conta com a participação de Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish e um dos expoentes máximos do hardcore melódico nacional, em um encontro que representa a conexão entre diferentes gerações do estilo.
Inspirada na cidade natal da banda, a música aborda a relação ambígua com o lugar de origem entre o afeto e o sentimento de aprisionamento, o desejo de partir e a vontade de voltar.
A imagem das antigas luzes amarelas dos postes, substituídas por LEDs frios, funciona como metáfora da perda de vínculos afetivos e da transformação dos espaços que antes eram familiares. Nós contamos essa história aqui de como esse encontro aconteceu e a admiração de Rodrigo pelos guris.
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Seguir sem baixar a cabeça
Mais do que um álbum sobre memória, Saudade é um disco sobre não baixar a cabeça. Gritar e celebrar com os amigos, reclamar da própria cidade, rir dos dramas do crescimento, levantar para mudar o que é coletivo e retomar o amor pela vida são gestos que atravessam o trabalho.
A Marinas Found não romantiza a vida adulta, mas também não se entrega ao cinismo: há cansaço, crítica e frustração, mas há, sobretudo, vontade de seguir.
Quando amadurecer vira força
Saudade consolida a Marinas Found como um dos nomes mais consistentes do hardcore melódico do Sul do Brasil e prova que a filosofia do DIY na qual a banda é forjada, é sim capaz de levar bandas a um lugar ao sol.
Um álbum honesto, emocional e coletivo, que transforma lembrança em ação e mostra que amadurecer não precisa significar perder intensidade, apenas aprender a direcioná-la melhor.
Este é o terceiro álbum de estúdio da banda que hoje é Pedro Soler (voz e guitarra), Eduardo Walerko (guitarra e voz), Mike Pires (baixo) e Murilo Uarth (bateria e voz).
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Isis Correia
Hardcore melódico da Marinas Found explora dores do crescer no novo álbum “Saudade”



