Mercado de eventos cresce com liderança feminina na operação e na técnica

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Raquel Boletti. Foto: Tomás Senna

Quando um grande show começa, a operação já está em andamento há meses. Planejamento de equipes, gestão de risco, infraestrutura e coordenação técnica são etapas que sustentam a realização de festivais, turnês e eventos corporativos. No Brasil, parte desse mercado é liderada por mulheres que comandam empresas responsáveis por milhares de profissionais e milhões de reais em faturamento.

À frente da NS Operações, Raquel Boletti consolidou um modelo focado na profissionalização da mão de obra em eventos. A empresa atua na gestão de equipes e realizou 1.122 eventos em 2025, após reestruturação iniciada no período pós-pandemia. Em 2024, a operação principal registrou faturamento de R$ 4,7 milhões.

A proposta da NS é tratar o staff como ativo estratégico. Segundo a empresa, o investimento em treinamento e capacitação é um dos diferenciais, com orientação padronizada de atendimento e formação técnica contínua. Atualmente, 90% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. Os dados internos também apontam que 56% dos colaboradores se identificam como pessoas pretas ou pardas e 71% como parte da comunidade LGBTQIA+. Em 2025, foram injetados cerca de R$ 3 milhões em remunerações para a base operacional. A empresa destaca:

Um dos nossos principais diferenciais no mercado é o investimento contínuo no treinamento e capacitação do nosso time. O staff conhece a história da NS, compreende as principais funções e recebe orientações sobre atendimento com referência no padrão Disney.

Operação humana sustenta o setor

Na Vila Leopoldina, em São Paulo, a ARCA é comandada por Carol Ramos. O espaço ocupa um galpão de 9 mil metros quadrados e tem capacidade para sustentar mais de 50 toneladas de equipamentos suspensos. O local recebe eventos corporativos, feiras, convenções e apresentações musicais de grande porte.

A gestão de um espaço desse porte envolve engenharia, segurança e adaptação técnica para diferentes formatos de evento ao longo do ano. A estratégia, de acordo com Ramos, é manter operação contínua e atrair projetos nacionais e internacionais, com foco em tecnologia, arte, negócios e música.

Já no palco, a coordenação técnica também tem liderança feminina. Aline Duda está à frente da Audiobizz e da FDM Produções, atuando em stage management e coordenação técnica de festivais e turnês. Ela já liderou equipes em eventos como o Knotfest, o Summer Breeze Festival (hoje Bangers Open Air) e shows da banda Simply Red.

Aline destaca:

Ainda hoje a presença masculina é o maior peso em cima dos palcos, mas o que me enche de orgulho é ver cada vez mais mulheres interessadas em estarem preparadas para viverem os seus sonhos em funções antes vistas somente para homens. Hoje é comum ver stage managers, roadies, técnicas de iluminação, de áudio e riggers. São mulheres guerreiras que foram atrás e conseguiram seu espaço sob um refletor. Torna o ambiente mais respeitoso e organizado, ajudando a fluir todas as áreas.

O avanço dessas empresas reflete uma mudança mais ampla no mercado de entretenimento. A informalidade perdeu espaço para estruturas profissionais com metas financeiras, processos definidos e especialização técnica. É daqui pra frente!

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