Punk e “Rock podre”: Antiga Roll e Dpeids se unem no split “Enquanto o Mundo Apodrece”

Antiga Roll, Dpeids, Enquanto o Mundo Apodrece
Arte por Cristiano Suarez

Dois nomes fortes do Punk e Hardcore de Manaus, no Amazonas, se juntaram para um baita lançamento. Estamos falando das bandas Dpeids e Antiga Roll, que acabam de lançar o slipt Enquanto o Mundo Apodrece, com 13 faixas.

O lançamento é uma junção de dois EPs que estavam sendo feitos separadamente pelas bandas — Enquanto o Mundo Envelhece, da Antiga, e Todo Mundo é Santo no Domingo, da Dpeids. O disco conjunto saiu pela Mama Records e, em junho deste ano, ainda será lançado em formato físico, em um LP de 12 polegadas com apoio da Neves Records (SP).

Em entrevista, as duas bandas falaram um pouco sobre o álbum, e você pode conferir abaixo!

Dpeids e Antiga Roll lançam Enquanto o Mundo Apodrece

TMDQA!: Qual é o conceito desse disco?

Antiga Roll e Dpeids: O split junta dois EPs que estavam sendo feitos separadamente pelas duas bandas. Essa junção resultou em Enquanto o Mundo Apodrece que faz referência a essa sensação de viver no meio do caos que virou o mundo, em especial nosso Brasil, mas sempre olhando para isso com ironia, humor e atitude.

As letras falam das contradições e dos absurdos causados por um bando de malucos sem noção, mas também falam de vivências, paixões, cachaça, skate… por vezes com um ar nostálgico, em outras como simples exercício de liberdade ou mesmo como expurgo do stress da vida na sociedade contemporânea.

Sem aquele peso de discurso sério o tempo todo. Tanto a Antiga Roll como a Dpeids têm essa pegada mais debochada, com letras ácidas, críticas e ao mesmo tempo descontraídas.

TMDQA!: E por que vocês decidiram unir esses trabalhos em um disco só? Como surgiu a parceria?

Juntas: Vários motivos nos trouxeram até aqui, a principal é a amizade que se desenvolveu ao longo dos anos, ambas surgiram em épocas próximas, começaram a se topar pelos shows em Manaus uns 15 anos atrás e desde então vêm compartilhando vários projetos que vão desde organizar festas e festivais — como o Mama Rock, que já conta com dezenas de edições em diversas cidades da região norte e segue ativo desde 2013 – até criar e tocar a Mama Records, selo independente e produtora que ajuda a fomentar a cena local com eventos, produções audiovisuais e musicais com foco na cena rock local.

TMDQA!: Sobre os EPs separados que já estavam sendo feitos… o que vocês podem nos falar sobre?

Antiga Roll: Curiosamente, o Enquanto o Mundo Envelhece começou a ser produzido lá em 2017/2018, com a idéia de dar sequência ao LP Zumbi do Bar que teve uma boa recepção no cenário independente nacional e possibilitou nossa primeira tour fora da região norte em 2016. De lá pra cá muita coisa aconteceu, incluindo questões familiares e a pandemia, o que acabou resultando em um hiato de 7 anos. Ano passado decidimos retomar as gravações com a ideia de lançar esse split com os amigos da Dpeids para lançamento em vinil pela Mama Records. Desde então, a Antiga foi finalmente reativada com força máxima já com a produção e lançamento DIY do videoclipe “Maués”, primeiro single do álbum novo. Acreditamos que o álbum traz uma evolução natural do nosso trabalho, que como a maioria das bandas independentes amadurece a cada nova produção. Estamos muito felizes com o resultado e isso é provavelmente o que mais importa, mas claro que também estamos ansiosos para ver a recepção do público.

Dpeids: A maioria das faixas desse novo trabalho foram criadas nos últimos 7 meses. Tínhamos várias outras músicas na geladeira esperando pra serem gravadas, só que acabamos mergulhando na criação de novas composições de forma empolgante, às vezes criando até uma música em um único ensaio e depois Tudo isso saiu de forma muito natural e quando vimos tínhamos um EP. Esse trabalho marca um novo formato da Dpeids e também é o primeiro trabalho com a colaboração do Léo (Leonardo Lima – guitarrista), na criação das canções. Então os diferenciais desse novo trabalho são muitos, mas a essência “podre” da Dpeids continua.

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TMDQA!: Quais são as músicas de destaque desse trabalho?

Antiga Roll: “Agora” é uma música que mergulha nos encontros e desencontros da vida, na inevitável passagem do tempo e nas marcas que ele deixa. Fala sobre crescer e aprender a lidar com a ausência, com o vazio que surge quando alguém que se ama já não está mais presente, seja um pai, uma mãe ou um amante. É sobre carregar o peso da saudade e da memória, e ao mesmo tempo encontrar forças para seguir em frente. A música de certa forma reflete uma fase conturbada da vida de alguns integrantes da banda e musicalmente traz influências de um punk mais oitentista, ainda agressivo e pesado porém com uma temática mais profunda e reflexiva.

Dpeids: “Todo Mundo é Santo no Domingo”. A música fala sobre a hipocrisia de quem se coloca como exemplo moral, principalmente usando o nome de Deus para julgar os outros, mas age de forma muito pior no dia a dia. A letra critica essa onda de conservadorismo forçado e moralista que vem ganhando força, baseada mais em aparência, julgamento e discurso vazio do que em prática e responsabilidade real. É uma crítica direta a esse falso moralismo, à postura de “santo de domingo”, que aponta o dedo, condena e ignora os próprios erros. Instrumentalmente, a principal inspiração vem da música “Disneylândia”, do álbum Titanomaquia, dos Titãs. Já na construção da letra, há uma forte influência do álbum Abaixo de Zero: Hello Hell, do Black Alien.

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TMDQA!: Quais vocês diriam que são os pontos fortes de cada banda?

Antiga Roll: Nenhum! (risos) Acho que a amizade é um ponto central na nossa trajetória, tudo que fizemos até hoje gira essencialmente em torno disso. Aquele lance de fazer porque amamos, pode parecer clichê, mas é o que faz a parada continuar viva. A partir daí vem toda a disposição pra fazer as coisas acontecerem, sempre com capricho, buscando autenticidade, mas também qualidade, e que se traduz em shows eletrizantes, rock’n’roll com verdade e personalidade. Acho que é por aí.

Dpeids: O ponto forte da Dpeids é a espontaneidade mesmo depois de tantos anos de estrada. As músicas nascem muito de ensaio, de conversa atravessada, de coisas que aconteceram ontem no bar, no ônibus ou qualquer outro buraco. Não tem muita fórmula. O que diferencia a banda é justamente essa liberdade de não tentar se vestir com uma imagem única. A Dpeids não faz som para parecer certa, faz porque acha graça, porque gosta de incomodar e porque também sente necessidade de cutucar o que considera errado. A nossa crítica sempre aparece com ironia, exagero e verdade. E isso acaba criando fortalecendo a nossa identidade sem precisar forçar muito.

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Stephanie Hahne

Punk e “Rock podre”: Antiga Roll e Dpeids se unem no split “Enquanto o Mundo Apodrece”


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