Seria Royel Otis o novo nome do indie que esta geração precisava?

Texto por Dais Sampaio
Se você é fã de indie e gosta de acompanhar os lançamentos mais recentes, existe uma boa chance de o algoritmo já ter colocado os australianos do Royel Otis no seu radar em algum momento.
A dupla ganhou notoriedade na internet depois de fazerem um cover de “Linger”, do Cranberries, que viralizou e foi parar até em trilha sonora de série, e também de “Murder on the Dancefloor”, da Sophie Ellis-Bextor. Mas aqui vai o ponto principal deste texto: Royel Otis vai muito além de bons covers, e definitivamente merece a sua atenção.
Com 3 EPs (Campus, Bar & Grill e Sofa King), 2 álbuns de estúdio lançados (PRATTS & PAIN e hickey) e, muito provavelmente, um terceiro chegando ainda esse ano (a aposta é que venha no verão do hemisfério norte!), o duo formado por Royel Maddell e Otis Pavlovic – que agora está em turnê com banda completa e, diga-se de passagem, muito boa – esteve pela primeira vez na América do Sul em março, e passou pelo Brasil recentemente tocando no domingo do Lollapalooza.
Acompanhando a banda desde 2022 com a oportunidade de assisti-los em turnês passadas, é evidente a evolução entre 2024 e os shows mais recentes: hoje, eles soam muito mais maduros musicalmente, mais confiantes nas escolhas sonoras, na presença de palco e, claramente, parecem mais acostumados a encarar grandes plateias.
Mas isso não foi por acaso: 2025 foi um ano marcante, com o grupo marcando presença no line-up de alguns dos maiores festivais do mundo, incluindo uma passagem pelo gigantesco Glastonbury, no Reino Unido.
A estreia na América Latina
Com show sold out em Buenos Aires em uma quinta-feira, o Royel Otis transformou o tradicional Niceto Club em uma festa divertida e muito emocionante para todos os fãs presentes.
Diferente da dinâmica dos festivais, onde apenas parte do público costuma conhecer o repertório, o show solo se mostra como um cenário especial e a maneira perfeita de fazer a sua estréia em um novo continente: uma plateia totalmente entregue, que cantava cada verso do começo ao fim e dançava junto com a banda.
A noite foi tão contagiante para todos que era visível o entusiasmo da própria banda em se apresentar para fãs tão distantes de sua terra natal, mas profundamente conectados com a sua música.
Logo ao entrar no palco, Royel apareceu vestindo um moletom da Argentina e exibindo um sorriso difícil de disfarçar. Depois, Otis pegou uma bandeira do país com a plateia, gesto simples mas suficiente para incendiar o público, que respondeu com gritos animados e uma energia contagiante, um sinal claro de que o carinho era recíproco desde o primeiro minuto.
O show foi repleto de hits do último álbum, como “Who’s your boyfriend?”, “Car” e “Moody”, mas também tocaram músicas mais antigas, como “Foam”, “Bull Bread” e “Fried Rice”. Uma setlist muito bem pensada para agradar quem gostava deles há bastante tempo e estava tendo a oportunidade de vê-los pela primeira vez.
A tour por aqui englobou Argentina, Chile, Colômbia, Brasil e se estendeu ao México, tendo sido Brasil e Colômbia os únicos países sem apresentação solo. Quem sabe com a nova turnê eles não tenham tempo (e uma demanda maior) pra voltar por aqui?
A passagem pelo Brasil
No Lollapalooza Brasil, o Royel Otis subiu às 15h50 no Palco Samsung que, pouco depois, receberia nomes de peso do pop como Addison Rae e Lorde. Por conta disso, boa parte das pessoas estava ali à espera das divas. Mas, longe de se intimidarem, eles fizeram exatamente o oposto: abraçaram o desafio de conquistar o público.
Mesmo diante de uma plateia que, em sua maioria, não era formada por fãs, eles entregaram um show vibrante e cheio de personalidade. A interação com o público foi constante, feita através da direção de arte criativa exibida no telão e nos convites diretos para que a plateia participasse do momento.
A escolha de incluir as duas famosas covers no setlist também ajudou a criar conexões. Todo mundo cantou “Linger” em conjunto e vários vídeos registraram o momento para a internet; uma jogada certeira para conquistar novos ouvintes e reforçar o status da banda como uma das apostas mais interessantes do indie pop atual.
E, ainda que não fosse a atração mais aguardada daquele palco, o duo fez o que grandes artistas sabem fazer em festivais: conquistar quem ainda não os conhecia. Esse é um dos encantos dos grandes eventos: o público chega para ver seus artistas favoritos, mas muitas vezes sai levando para casa novos nomes na playlist. Naquele domingo, Royel Otis mostrou que sabe muito bem como transformar curiosos em novos ouvintes.
A estreia no Coachella e a nova música “Sweet Hallelujah”
Tocar no deserto de Indio é um sonho para artistas do mundo todo. Não é à toa, já que o Coachella se consolidou como um dos festivais mais influentes da música e um verdadeiro marco da cultura pop contemporânea.
Estar no line-up do festival é sinônimo de visibilidade global e ,por isso, grande parte dos artistas que passam por lá preparam apresentações especiais e cheias de surpresas para os dois finais de semana do evento. Afinal, além de reunir cerca de 100 mil pessoas por dia no deserto da Califórnia, o festival ainda conta com transmissões ao vivo pelo YouTube para uma audiência mundial. E convenhamos: quem não quer aproveitar esse alcance?
De olho nesse momento estratégico, os australianos se apresentam nos dois sábados do festival (11 e 18), justamente no dia apelidado de “Bieberchella”, marcado pelo aguardado retorno de Justin Bieber aos palcos, e decidiram chegar com novidade.
A dupla lançou “Sweet Hallelujah” na última quinta-feira (9), marcando o início de uma nova fase na carreira, além de oferecer um primeiro gostinho do que deve vir no próximo álbum. Como era de se esperar, a estreia ao vivo aconteceu no show deste primeiro final de semana, para boa resposta da plateia.
Continua após o vídeo
Royel Otis parece ter encontrado a fórmula perfeita para se conectar com o público. Com leveza e sensibilidade, eles transformam sentimentos típicos da juventude em canções que equilibram nostalgia e diversão.
Amor, inseguranças, relacionamentos complicados, dúvidas sobre o futuro, temas universais que atravessam gerações viram canções que não desgrudam da cabeça. Eles fizeram isso muito bem no último álbum, hickey, e parece que vão conseguir fazer de novo.
Se você ainda está no início da sua vida adulta, provavelmente vai se reconhecer em cada verso. Se já passou dos 30 (como eu), as músicas ainda encontram um jeito certeiro de dialogar com as suas próprias memórias e experiências.
A nova faixa “Sweet Hallelujah” segue exatamente essa linha. Com clima ensolarado e atmosfera que remete ao melhor do indie, a música chega com tudo para se tornar trilha sonora de verão.
A melodia é daquelas que grudam na cabeça logo na primeira audição e a voz leve de Otis tem um destaque aconchegante enquanto a letra mergulha no universo das idealizações de sentimentos. Por aqui, ela tá no replay. E por aí, já deu o play em “Sweet Hallelujah”?
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