10 discos feitos apenas por dinheiro

A história da música está repleta de discos que foram criados a partir do amor pela arte, mas nem todas as obras, até mesmo de grandes artistas, surgiram desse impulso.
A verdade é que, ao longo dos anos, os artistas muitas vezes precisaram (e continuam precisando) equilibrar criatividade e interesses comerciais, seja para cumprir contratos, resolver problemas financeiros ou apenas para manter suas carreiras ativas. Só que em alguns casos, o resultado deixa evidente o contexto por trás dessas gravações e isso geralmente é percebido pelo público mais atento.
Vale apontar que, apesar do clima de obrigação, essas obras não são necessariamente ruins, mas a essência não é a mesma e dificilmente elas vão ser apontadas como algo inovador ou que irá deixar um legado.
A seguir, confira uma lista reunida pelo Far Out com álbuns que tiveram o retorno financeiro como uma de suas principais razões para existir!
10 discos feitos apenas por dinheiro
Guns N’ Roses – The Spaghetti Incident?
Após a turnê exaustiva do álbum Use Your Illusion, os integrantes do Guns N’ Roses precisavam de uma pausa, mas não foi isso que aconteceu. O grupo precisava entregar mais um disco e foi assim que surgiu The Spaghetti Incident?.
O álbum em questão, lançado em 1993, é composto por covers e, apesar de ter alguns momentos interessantes, como ouvir Axl Rose se aventurar por “Since I Don’t Have You” do The Skyliners, o trabalho em geral soava mais como uma obrigação contratual do que um projeto necessário da discografia da banda.
Além disso, a obra foi um dos últimos registros da formação clássica do Guns antes de anos de afastamento entre seus membros.
Marvin Gaye – Here, My Dear
Marvin Gaye gravou seu décimo quarto álbum de estúdio Here, My Dear em meio a um longo processo de divórcio com sua esposa Anna Gordy, irmã do fundador da Motown, Berry Gordy. O álbum surgiu como parte de um acordo financeiro ligado à separação e transformou o conflito da vida pessoal do cantor em inspiração para suas novas canções.
Mesmo com a qualidade musical característica de Gaye, o disco surpreendeu os fãs do aclamado músico por seu tom amargo e confessional, que refletia sobre um amante desprezado e não sobre temas sociais e românticos leves que marcaram sua carreira.
The Velvet Underground – Squeeze
Muitos concordam que o Squeeze é um álbum do Velvet Underground apenas no nome. Isso porque a obra lançada em 1973 não conta com Lou Reed e com os outros membros clássicos da banda, tendo sido conduzido praticamente sozinho por Doug Yule.
O álbum apresenta canções que não possuem praticamente nenhuma relação com o som clássico do Velvet, que se tornou referência do rock alternativo.
The Beach Boys – Summer in Paradise
Em uma fase em que os Beach Boys já viviam mais de sua nostalgia, marcada pelos clássicos lançados quando Brian Wilson estava na banda, o vocalista Mike Love decidiu se dedicar ao álbum Summer in Paradise após o sucesso comercial do single “Kokomo”.
Repleto de referências ao verão e fórmulas repetidas, o disco é visto como um dos pontos mais baixos da carreira da banda.
Van Halen – Diver Down
Depois de anos de estrada e estúdios sem um momento de pausa relevante, o Van Halen tinha a intenção de desacelerar no início dos anos 80, mas não foi bem isso que aconteceu. Com a pressão de sua gravadora, o grupo acabou lançando Diver Down, um álbum que parecia um EP por não ter material suficiente para trabalhar.
Mesmo quando Eddie Van Halen surgiu com boas ideias para o disco, algumas delas foram usadas de forma inadequada, como quando quando o produtor acrescentou um de seus experimentos com teclado no início de “Dancing in the Street”.
Stevie Wonder – Stevie at the Beach
Antes de Stevie Wonder se tornar um dos artistas mais influentes da história, os empresários da gravadora Motown tentaram de tudo para que o músico alcançasse o sucesso.
Uma dessas tentativas foi Stevie at the Beach, álbum inspirado na tendência do surf rock. Apesar de algumas faixas instrumentais terem funcionado bem, o conceito proposto pela gravadora não era nem um pouco compatível com o talento e a identidade musical de Wonder.
Prince – The Black Album
Prince ficou extremamente incomodado com a Warner Bros. interferindo em seus projetos musicais e a única solução encontrada foi tentar acelerar o término do seu contrato lançando o máximo de álbuns possível, e foi assim que surgiu o controverso The Black Album.
Mesmo sendo uma obra que explora a essência do funk e sabendo que teria sido um sucesso comercial, Prince não incentivou sua circulação pois percebeu que havia feito o disco como uma resposta para aqueles que acharam que com seu álbum anterior, Sign O’ The Times, o músico se vendeu para o pop mainstream.
Fleetwood Mac – Time
Sem Lindsey Buckingham e, posteriormente, sem Stevie Nicks, o Fleetwood Mac chegou aos anos 90 muito distante da formação que havia conquistado o mundo. Lançado em 1995, Time refletiu esse período de transição e incertezas dos bastidores do grupo.
Quando comparado com os outros álbuns que pareciam ser resultado de um esforço criativo genuíno, Time, que é composto por uma série de canções de country-rock clichês, é visto como uma tentativa de manter a banda em atividade apesar da perda de seus componentes mais relevantes.
George Harrison – Gone Troppo
George Harrison demonstrou um certo descaso com suas obras depois que percebeu que suas músicas dos trabalhos solo já não se tornavam hits com tanta frequência e que as pessoas não estavam dando muita importância para suas práticas espirituais.
O disco Gone Troppo, lançado em 1982, é um exemplo claro de como o ex-Beatle passou a encarar seus novos projetos como uma obrigação. Após sua gravadora ter exigido que ele lançasse mais um disco, Harrison reuniu canções da época de sua antiga banda e faixas que passam a sensação de que ele estava realmente só cumprindo um contrato.
The Jacksons – Victory
Quando o The Jacksons lançou o álbum Victory em 1984, Michael Jackson já havia alcançado o auge do estrelato pop com seu emblemático disco Thriller. Mesmo assim, o músico ainda estava ligado aos irmãos e participou daquele que seria o último grande projeto do grupo comandado por seu pai, Joe Jackson.
Impulsionado principalmente pela popularidade de Michael, Victory serviu como base para uma extensa turnê, mas ficou claro que o foco do público estava voltado para sua carreira solo. Sendo assim, na reta final da excursão, Michael anunciou sua saída da banda para se lançar de vez em sua carreira solo.
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Lara Teixeira




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