5 clássicos dos Anos 70 que surgiram de histórias trágicas

A cena musical dos Anos 70 foi marcada por uma forte variedade de estilos, passando por gêneros mais dançantes como a Disco Music e indo até o Rock experimental e o movimento Punk que mudou o curso da indústria.
Porém, depois do otimismo da geração hippie na década anterior, muitos artistas se inspiraram na turbulência política e social que parecia se intensificar no período seguinte e escreveram canções que tinham a tragédia como sua narrativa central.
Artistas do Rock, Folk e até Country decidiram transformar dor, luto, questões emocionais e decepções amorosas em canções que se tornaram atemporais.
A seguir, confira uma lista reunida pelo Far Out com a história de cinco músicas lançadas nos anos 70 que surgiram a partir de acontecimentos delicados e trágicos mas que se tornaram grandes sucessos!
5 clássicos dos Anos 70 que surgiram de histórias trágicas
James Taylor — “Fire and Rain”
James Taylor escreveu “Fire and Rain” em um dos períodos mais difíceis de sua vida. A canção foi inspirada em diferentes tragédias pessoais que ele enfrentou no início de sua carreira.
A primeira parte da música é dedicada à sua amiga de infância, Suzanne Schneer. Taylor estava em Londres gravando seu álbum de estreia quando ela cometeu suicídio, mas só descobriu a notícia meses depois, já que pessoas próximas decidiram esconder a informação para não atrapalhar suas sessões de gravação.
A segunda parte da música aborda a luta frequente de Taylor contra a depressão e dependência química, problemas que o acompanharam desde a adolescência e levaram o artista a internações psiquiátricas e clínicas de reabilitação.
Já a terceira parte, que pode ser ouvida em paralelo, revela as reflexões de Taylor sobre os efeitos da fama em seu estado já frágil.
Gram Parsons e Emmylou Harris — “In My Hour of Darkness”
Gram Parsons, considerado um precursor crucial do country-rock, fez amizade com Emmylou Harris nos últimos anos de sua vida e lançou em parceria com a cantora seu último disco, póstumo, chamado Grievous Angel em 1974. A faixa que encerra o disco, “In My Hour of Darkness”, refletia sobre perdas que marcaram Gram profundamente.
O início da música é dedicado a um amigo próximo de Parsons, Brandon de Wilde, que faleceu em um acidente de carro com apenas 30 anos. Já o segundo verso aborda o caso de Clarence White, guitarrista do The Byrds, que entrou para a banda logo após a saída de Parsons e, mais tarde, excursionou com ele e Harris em 1973. Eles se tornaram grandes amigos, porém White faleceu atropelado por um motorista embriagado poucas semanas depois da turnê em questão, com apenas 29 anos.
A terceira homenagem é dedicada a Sid Kaiser, produtor e amigo próximo do cantor que faleceu de um ataque cardíaco. A faixa ainda ganhou uma carga emocional mais intensa já que o próprio Parsons faleceu poucas semanas depois da gravação.
Jim Croce — “Time in a Bottle”
Jim Croce escreveu “Time in a Bottle” após descobrir que seria pai, no fim de 1970. A música surgiu como uma reflexão melancólica sobre o tempo e a sensação de que a vida passa rápido demais.
Em versos marcantes, Croce imagina guardar cada instante ao lado das pessoas que ama, enquanto lamenta o fato de nunca existir tempo suficiente para viver tudo o que gostaria.
A mensagem da canção ganhou um peso ainda maior depois que Jim Croce morreu em um acidente de avião em 1973. Com isso, “Time in a Bottle” passou a soar quase como uma despedida do artista para o filho e para a família.
Décadas depois, a faixa continua sendo lembrada como uma das baladas mais emocionantes e dolorosas dos anos 70.
Roberta Flack — “Killing Me Softly with His Song”
A história profunda de “Killing Me Softly with His Song” começou com Lori Lieberman, que escreveu as primeiras ideias da letra enquanto assistia a um show de Don McLean em Los Angeles. Em seguida, ela levou suas anotações aos compositores Norman Gimbel e Charles Fox, que desenvolveram a canção.
Embora a primeira gravação feita por Lieberman não tenha feito grande sucesso em 1972, tudo mudou quando Roberta Flack ouviu a faixa e decidiu gravar uma nova versão com sua própria assinatura, aprimorando as harmonias vocais e com novos arranjos.
A música encantou gerações tanto pela sinceridade de sua letra como por sua melodia e suas interpretações, que se tornaram um sucesso mundial tanto com Roberta Flack como com o grupo Fugees.
George Harrison — “Isn’t It a Pity”
George Harrison escreveu “Isn’t It a Pity” em 1966, mas a faixa só foi lançada pelo músico em 1970, em seu terceiro álbum solo All Things Must Pass. De acordo com o cantor, a música que costuma ser associada ao desgaste interno dos Beatles fala sobre “quando um relacionamento chega em um ponto crítico” e a probabilidade de estar magoando alguém que te decepcionou.
Apesar de tratar sobre temas tristes, Harrison evita transformar a música em um discurso pessimista e prefere usar a melancolia para defender a ideia de que, apesar das pessoas não poderem mudar o passado, elas podem seguir em frente com outras atitudes.
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Lara Teixeira




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