5 motivos pelos quais “Revolver” é o disco mais importante dos Beatles

Há exatos 60 anos, em 5 de agosto de 1966, os Beatles lançavam Revolver no Reino Unido. O sétimo álbum de estúdio da banda que rompeu de vez com a imagem de grupo Pop, substituindo a histeria da Beatlemania por uma revolução musical que iria impactar gerações adiante.
O momento já dava indícios de que uma mudança de direção era inevitável. No ano anterior, o quarteto de Liverpool lançou o aclamado Rubber Soul, que inclusive vai ganhar uma belíssima reedição em breve, e o trabalho apontava para letras mais introspectivas e arranjos mais ricos, mas ali a banda ainda operava dentro de um formato reconhecível.
Com Revolver, essa lógica foi abandonada. Cansados da rotina tradicional, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr chegaram aos estúdios da EMI, em Londres, dispostos a experimentar sem qualquer compromisso de reproduzir o resultado ao vivo depois, estendendo suas sessões de gravação durante três meses, o que era considerado desproporcional na época.
Sessenta anos depois, a obra segue sendo apontada por críticos e fãs como o ponto em que a banda deixou de fabricar singles para começar a construir discos como experiências completas, abrindo caminho para outras revoluções dentro dessa própria discografia como Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e Abbey Road.
Para celebrar esses 60 anos em grande estilo, separamos abaixo 5 motivos que vão te convencer que Revolver é o disco mais importante da carreira dos Beatles.
5 motivos pelos quais “Revolver” é o disco mais importante dos Beatles
1. Adeus, palcos; olá, estúdio
Gravado entre abril e junho de 1966, Revolver nasceu num momento em que a banda já não aguentava mais o circuito de turnês e a histeria em torno de seu próprio mito que ficou conhecida como Beatlemania.
Livres da obrigação de reproduzir as faixas ao vivo, os Fab Four passaram a tratar o estúdio como um instrumento a mais, dedicando um tempo de produção considerado megalomaníaco para os padrões da época, como mencionamos acima.
Essa mudança de postura foi responsável por amadurecer a sonoridade do grupo, criando discos pensados como obras completas e abrindo caminho para tantos trabalhos que viriam depois.
Até hoje, faixas como “Tomorrow Never Knows” e “Eleanor Rigby” são vistas como grandes desafios na hora da execução ao vivo, geralmente dependendo de adaptações em seus arranjos ou uso de gravações registradas previamente para funcionar neste modelo.
2. Inovações técnicas que mudaram a música Pop
Foi em Revolver que técnicas hoje corriqueiras em estúdio ganharam seu primeiro grande palco comercial.
O engenheiro técnico Ken Townsend desenvolveu a pedido da banda o Automatic Double Tracking, recurso que duplicava eletronicamente uma voz sem exigir uma segunda gravação manual. A tecnologia encantou os Beatles e, particularmente, John Lennon, que a usou para tentar “soar como o Dalai Lama cantando do topo de uma montanha”.
Há debates sobre qual foi efetivamente a primeira faixa a utilizar a tecnologia, mas é fato que um de seus principais exemplos está na guitarra ao contrário de “I’m Only Sleeping” e nos vocais dobrados.
3. Além do Rock and Roll
Revolver também foi notável por ter expandido como uma banda de Rock podia soar. É fato que Rubber Soul já tinha dado passos iniciais nisso, como através do uso da sitar em “Norwegian Wood (This Bird Has Flown)”, por exemplo, mas aqui os Beatles foram além.
Em “Eleanor Rigby”, por exemplo, os Beatles dispensaram guitarras, baixo e bateria para se apoiar inteiramente em um octeto de cordas arranjado por George Martin. Em “Love You To”, George Harrison mergulhou de forma mais profunda na música clássica indiana, elevando suas experimentações iniciais do ano anterior.
Se hoje algumas dessas ideias são vistas como clichês, aqui eram revolucionárias!
4. Lennon, McCartney e Harrison em explosão criativa
Se a inquietação filosófica e emocional de Lennon empurrava o disco para o experimentalismo mais radical, é em Revolver que Paul McCartney assume um protagonismo cada vez maior como compositor, deixando de ser associado apenas a baladas românticas e assinando faixas como “Eleanor Rigby”, a melancólica “For No One” e a animada “Got to Get You Into My Life”.
George Harrison, por sua vez, viveu seu momento de maior espaço dentro do repertório dos Beatles até ali, emplacando três composições no álbum, incluindo “Taxman”, crítica bem-humorada à alíquota de até 95% cobrada pelo fisco britânico sobre altos rendimentos naquele período.
Esse equilíbrio de vozes autorais antes de um excesso de individualidades é um dos motivos pelos quais o disco soa, ainda hoje, mais coeso do que uma simples soma de faixas isoladas, uma “sina” que marcou trabalhos subsequentes do grupo.
5. A porta de entrada para a psicodelia e a música eletrônica
Um dos grandes exemplos dessa influência de Revolver é “Tomorrow Never Knows”, faixa que é apontada por parte da crítica como uma das gravações mais influentes da história da música popular, tendo inspirado desde o Rock psicodélico do fim dos anos 1960 até nomes da música eletrônica décadas depois.
O duo Chemical Brothers, por exemplo, levou essas experimentações para um campo totalmente diferente, enquanto o Radiohead também já citou algumas vezes a importância da psicodelia de Revolver para suas composições. Outro nome ainda mais moderno que notavelmente foi influenciado por ele é o Tame Impala, que resgatou essa sonoridade com uma roupagem que hoje é vista como retrô.
Fato é que, para além de inspirações temáticas e sonoras, a tecnologia de Revolver também foi pioneira ao antecipar recursos como o uso de loops e a manipulação de fitas como um recurso de composição, elementos fundamentais da música moderna até hoje.
O post 5 motivos pelos quais “Revolver” é o disco mais importante dos Beatles apareceu primeiro em TMDQA!.
Felipe Ernani
5 motivos pelos quais “Revolver” é o disco mais importante dos Beatles




Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.