Punk contra o ICE: como a cena hardcore dos EUA virou rede de apoio a imigrantes

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Augment, banda de Chicago. Foto por Felix Gama

Desde o surgimento do Punk no fim dos anos 70, a música sempre esteve ligada a posicionamentos políticos e movimentos de resistência. Agora, nos Estados Unidos, o cenário não é diferente: diante das operações violentas do ICE, agência federal responsável pelas leis de imigração no país, a música tem resistido e reagido.

Essas movimentações têm acontecido em boa parte em cidades com grandes comunidades latinas, especialmente Los Angeles.

Diante desse cenário, parte da cena Punk e Hardcore norte-americana passou a reagir de maneira prática. Bandas, produtores e espaços DIY têm organizado shows beneficentes, protestos e campanhas comunitárias para arrecadar fundos e apoiar imigrantes afetados por detenções.

Shows beneficentes para famílias afetadas pelo ICE

Uma das formas mais comuns de mobilização tem sido a organização de shows cuja renda é destinada a fundos de apoio a imigrantes.

Uma delas é a banda Xibalba, por exemplo, que participou de eventos beneficentes na região organizados por coletivos da cena Hardcore. Em um desses shows, centenas de pessoas compareceram e milhares de dólares foram arrecadados para organizações que ajudam famílias impactadas por detenções do ICE.

A lógica segue o espírito tradicional do punk DIY: bandas tocam sem cachê, espaços independentes cedem estrutura e o público contribui com ingressos ou doações.

Em alguns casos, inclusive, a música sai dos palcos e passa a fazer parte diretamente das manifestações. Em protestos contra as detenções de imigrantes no centro de Los Angeles, a banda Hardcore Dead City chegou a realizar uma apresentação improvisada em frente ao Royal Federal Building, prédio federal que abriga escritórios ligados a processos de imigração.

O show acabou se transformando em um ato político coletivo, onde centenas de manifestantes se reuniram para protestar contra as políticas migratórias enquanto a banda tocava.

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A cena DIY como rede de apoio

Além dos shows, espaços ligados à cultura Punk passaram a desempenhar uma função pra lá de importante nesse cenário. Lojas de discos, estúdios e pequenos locais de show frequentemente abrigam reuniões, campanhas de arrecadação e eventos informativos voltados para imigrantes.

Esses encontros podem incluir desde distribuição de alimentos até oficinas conhecidas como Know Your Rights (em português, “Conheça seus direitos”), que orientam imigrantes sobre direitos legais em caso de abordagem de autoridades migratórias.

Embora Los Angeles seja um dos centros mais visíveis dessa mobilização, iniciativas semelhantes aparecem em outras cidades com cenas underground fortes.

Em Chicago, por exemplo, shows organizados por coletivos Punk e Góticos passaram a arrecadar doações para fundos de defesa legal de imigrantes. Em muitos casos, o ingresso para os eventos é substituído por contribuições destinadas diretamente a organizações que oferecem assistência jurídica a pessoas ameaçadas de deportação.

Em fevereiro de 2025, a banda Augment tocou no evento No One Is Illegal On Stolen Land (em português, “Ninguém é ilegal em uma terra roubada”), que também arrecadou fundos para a causa.

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O engajamento da cena Punk em causas relacionadas à imigração também reflete uma tradição mais ampla do gênero. Ao longo de décadas, o Punk frequentemente abordou temas como racismo, desigualdade social e abuso de poder estatal.

Em cidades como Los Angeles, onde boa parte da cena é formada por músicos latinos ou filhos de imigrantes, a questão migratória acaba sendo também uma experiência pessoal para muitos artistas.

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Stephanie Hahne

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