Por que girl groups parecem se reinventar mais no K-pop? Especialistas explicam diferenças nas “eras”
No K-pop, o conceito de “era” é central na construção da identidade dos grupos, reunindo estética, narrativa e sonoridade a cada comeback. Embora todos os artistas passem por processos constantes de reinvenção, especialistas apontam que girl groups e boy groups enfrentam dinâmicas diferentes na forma como desenvolvem suas imagens e na pressão para transformá-las.
(Foto: X @Stray_Kids)
Leia mais:
- Quais artistas de kpop foram os mais ouvidos no Spotify em 2025?
- Coachella do K-Pop? “Big 4” coreano se une para criar festival global
- K-Pop: TXT inicia nova fase com álbum introspectivo e apresenta “Stick With You”
As “eras” são um dos pilares da indústria do K-pop. Cada comeback funciona como um novo capítulo na trajetória de um grupo, com identidade visual, conceito e proposta sonora bem definidos. Em um mercado marcado pela velocidade e pela alta competitividade, a reinvenção deixou de ser opcional ela se tornou parte essencial do funcionamento do gênero.
(Foto: X @LE SSERAFIM)
Mas, segundo especialistas, essa dinâmica não acontece da mesma forma para todos. Para o jornalista Fefo Caires, existe uma diferença estrutural na forma como o público reage a girl groups e boy groups e isso impacta diretamente suas estratégias de comeback.
“Os girl groups acabam vivendo numa corda bamba maior. Existe uma instabilidade na forma como o público se relaciona com eles, e cada comeback vira um teste”, explica.
Ele destaca que, embora a pressão por inovação exista para todos, ela pode se manifestar de maneira mais intensa para artistas femininas.
“A reinvenção existe pra todos. Mas pros girl groups, às vezes, ela parece ser mais uma questão de sobrevivência”, afirma.
A criadora de conteúdo Carol Pardini, do canal “Na Coreia Tem”, reforça essa leitura ao apontar que o próprio mercado construiu expectativas diferentes para cada tipo de grupo. Segundo ela, girl groups operam, historicamente, sob uma lógica de reinvenção mais visível e frequente.
“Cada comeback funciona quase como um reposicionamento de marca”, analisa.
Já os boy groups, de acordo com a especialista, tendem a seguir um caminho diferente, baseado na continuidade.
“Eles constroem uma base conceitual e vão aprofundando isso ao longo das eras, criando uma narrativa mais consistente”, explica.
Reinvenção, identidade e pressão do mercado
(Foto: X @ITZY)
Essa diferença também está ligada à forma como o público consome e reage aos grupos. Enquanto girl groups costumam enfrentar maior comparação e mudanças rápidas de percepção, boy groups frequentemente contam com fandoms mais consolidados, o que permite uma construção mais estável de identidade.
Além disso, o cenário atual da indústria intensifica essas dinâmicas. Com cada vez mais grupos estreando e disputando atenção, a necessidade de se destacar cresce mas também cria um paradoxo.
“Você precisa se diferenciar, mas não pode se afastar muito do que funciona. É um equilíbrio difícil”, afirma Fefo.
Carol complementa que essa pressão é ainda mais evidente nos grupos mais novos, que muitas vezes testam diferentes conceitos até encontrar uma identidade clara. Ao mesmo tempo, artistas mais experientes conseguem transformar suas eras em extensões de um mesmo universo criativo.
“Também vemos diferentes caminhos coexistindo. Alguns grupos apostam em universos complexos e tecnologia integrada, enquanto outros seguem por uma estética mais natural e cotidiana. Essa diversidade mostra que não existe mais um único formato dominante de sucesso.”
Grupos da nova geração testam diferentes eras
(Foto: X @BABYMONSTER)
Atualmente, o K-pop vive sua chamada 5ª geração, termo usado para se referir a grupos que debutaram a partir de 2023. Nesse cenário mais competitivo e acelerado, a construção de identidade tem passado por testes mais evidentes especialmente nos primeiros comebacks.
Alguns grupos optam por desenvolver uma identidade mais contínua desde o início. É o caso do ILLIT, que vem explorando uma estética próxima ao dreamcore, com elementos oníricos, delicados e, ao mesmo tempo, levemente estranhos, criando uma assinatura visual e sonora reconhecível.
Outros seguem um caminho mais experimental. O BABYMONSTER, da YG Entertainment, tem apostado em variações de conceito entre lançamentos, transitando entre propostas mais leves e coloridas e abordagens mais intensas.
Esse contraste pode ser observado nos próprios videoclipes do grupo, que alternam entre diferentes atmosferas e estilos musicais, evidenciando uma fase de experimentação na construção de sua identidade artística.
Narrativas contínuas são estratégia comum entre boy groups
(Foto: X @ATEEZ)
Entre boy groups, é comum observar a construção de uma identidade mais contínua ao longo dos comebacks. Grupos como ATEEZ, ENHYPEN e Stray Kids, frequentemente desenvolvem narrativas e estéticas que se conectam entre diferentes eras, reforçando uma proposta artística mais linear.
Já entre girl groups, há casos que ilustram uma maior variação de conceito entre lançamentos. Além de ILLIT e BABYMONSTER, grupos como ITZY e LE SSERAFIM também apresentam mudanças mais visíveis de estética, identidade visual e atmosfera a cada comeback.
No fim, a evolução das “eras” no K-pop reflete uma busca constante por equilíbrio entre inovação e identidade. Mais do que mudanças estéticas, elas se tornaram estratégias fundamentais de posicionamento e revelam muito sobre como a indústria molda, de formas diferentes, a trajetória de cada grupo.
O post Por que girl groups parecem se reinventar mais no K-pop? Especialistas explicam diferenças nas “eras” apareceu primeiro em POPline.
Vanessa Bandeira




Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.