The Lemon Twigs adverte: “Look For Your Mind!”

The Lemon Twigs, foto por Eva Chambers
Foto por Eva Chambers

O The Lemon Twigs é um dos nomes mais fascinantes do rock contemporâneo. Conhecidos por uma capacidade quase mediúnica de evocar o som dos anos 60 e 70 com perfeição técnica, os irmãos D’Addario acabam de lançar Look For Your Mind!, seu sexto álbum de estúdio. O trabalho, inclusive, acaba de ser lançado nas plataformas de streaming!

Marcando uma evolução em relação aos aclamados Everything Harmony (2023) e A Dream Is All We Know (2024), o projeto traz uma mudança fundamental: pela primeira vez, Brian e Michael abriram as portas do estúdio para a banda de apoio. O resultado é um material que mantém o brilho melódico, mas é atravessado por uma subcorrente de paranoia e uma urgência crua. Como diz o próprio Brian:

“Você tem que se agarrar à sua própria mente se não quiser perdê-la.”

Tivemos a oportunidade de ouvir o disco em antecipado, e em uma conversa exclusiva para o TMDQA!, Brian nos guia pelos bastidores desse projeto, revelando como a “democratização” do estúdio ajudou a capturar a intensidade que faltava nas gravações anteriores. Vamos desvendar o processo criativo por trás das 14 faixas, as influências da música clássica brasileira e a preparação para a turnê mundial de 2026.

Prepare-se para mergulhar na mente de um grupo que vive entre a nostalgia e o agora. Vamos lá?

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TMDQA! Entrevista Brian D’Addario (The Lemon Twigs)

TMDQA!: Primeiro de tudo, Brian, obrigado por nos receber. É um prazer, cara! No ano passado, quando você esteve no Brasil, mencionou que as gravações de rock moderno costumam soar “suaves” demais. Para o novo álbum, Look For Your Mind!, vocês abriram as portas do estúdio para a banda que acompanha vocês na estrada. Como essa democratização do processo ajudou a capturar aquela intensidade crua que você sentia falta quando faziam tudo sozinhos?

Brian: Bom, algumas canções surgiram conosco tocando ao vivo, criando arranjos e testando em shows – como “You’re Still My Girl” e “Bring You Down“. É infinitamente mais fácil, sabe? Você consegue estruturar um arranjo muito rápido porque ouve tudo ao mesmo tempo.
No nosso disco anterior, eu e o Michael tocamos tudo; nós construíamos a faixa inteira e, só depois dos últimos overdubs, percebíamos que a bateria estava errada ou algo assim. Como não tínhamos o contexto de todos os instrumentos entre a bateria e os vocais para saber com certeza, acabávamos tendo que gravar tudo de novo. Ouvindo tudo junto, o resultado é instantâneo, você sabe na hora se algo está errado.

TMDQA!: Perfeito. O álbum é descrito como tendo uma subcorrente de paranoia. Como isso se traduz nas faixas?

Brian: É algo muito natural; as letras geralmente surgem junto com a melodia, então as duas partes trabalham juntas e se informam. Às vezes você adiciona algo que soa mais ríspido porque parece apropriado. A forma como você executa um vocal é, muitas vezes, informada pelo tema e pela emoção da música.
Em “Look For Your Mind”, há aquela guitarra fuzz barítono bem abrasiva com muito reverb que entra no final… Quando penso na letra, faz todo sentido termos unido esses elementos.

TMDQA!: O álbum traz uma percepção brutal na faixa “Your True Enemy”, onde vocês cantam “my enemy’s me” (meu inimigo sou eu). Olhando para a jornada de vocês, de adolescentes aos 26 anos, este disco é um acerto de contas com o passado ou um olhar para o futuro?

Brian: Eu não diria que o disco todo é um acerto de contas, mas essa música especificamente é um acerto de contas com o meu “eu” atual. Fala sobre uma certa falta de coragem moral que você consegue identificar em si mesmo e que, às vezes, tenta projetar como se fosse culpa de outras pessoas. Essa é a ideia básica da canção, e talvez esse tema percorra algumas outras faixas.

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TMDQA!: Em outra faixa, você diz: “me tornei uma pessoa diferente que não posso mais ignorar”. Isso é uma extensão dessa nova era que vocês mencionaram? Como é escrever sobre ser o “vilão” ou a pessoa errada da história, afastando-se dos clichês típicos do pop?

Brian: Novamente, é algo natural. Acho que, conforme envelhecemos, começamos a absorver mais o mundo exterior e tentamos entender como nos encaixamos nele. Quando você é jovem e está focado na música, é algo muito insular.
Parece que você está em uma bolha, não está realmente “comunicando” com sua música, apenas tornando-a um reflexo total do seu mundo interior.

TMDQA!: Brian, sobre influências… Em “I Hurt You”, sinto acordes que parecem vir da música clássica brasileira. Em “Joy”, o violão de nylon também tem esse toque. Isso vem de algum lugar específico?

Brian: Sobre “I Hurt You“, eu diria que aqueles acordes saíram diretamente de muita música clássica brasileira que eu já toquei [risos] mas a música está meio “disfarçada” esteticamente, porque queríamos que ela encaixasse com o resto do disco, então não a arranjamos dessa forma. Já em “Joy“, aquele estilo de nylon provavelmente vem mais das peças de Bach que eu estudei, mas é difícil dizer exatamente de onde vêm as influências. Eu diria que essa influência brasileira é ainda mais proeminente no disco anterior, o Everything Harmony.

TMDQA!: Você mencionou que o público brasileiro manteve a energia alta mesmo sob o calor escalante. Ao planejar a turnê de 2026 pelo hemisfério norte, como pretendem levar essa “vibe brasileira” para palcos onde o público costuma ser mais reservado, como o O2 Shepherd’s Bush em Londres?

Brian: Bem, por tocarmos muito nos EUA – onde, a menos que você esteja em grandes cidades como Nova York ou LA, as pessoas são bem reservadas -, acabamos tomando esse comportamento como o padrão, é o que estamos acostumados. Então, é sempre um presente tocar em lugares como o Brasil.
Honestamente, Londres também é uma das cidades onde sentimos que temos uma reação acima da média. Esses shows são os bônus, pois estamos sempre esperando um público mais contido!

TMDQA!: Na música “2 or 3”, você fala sobre se sentir “menos lido” ou “menos viajado” que um parceiro. Agora, veteranos com seis álbuns na bagagem, vocês ainda se sentem como aqueles garotos deslocados do subúrbio de Long Island ou a estrada finalmente trouxe um sentimento de pertencimento?

Brian: Nós definitivamente sentimos um senso de pertencimento quando estamos na estrada, fazendo shows e conversando com as pessoas depois. Mas assim que chegamos em casa, em questão de dias, voltamos a nos sentir um pouco fora de lugar. É algo natural. Acho que, se não fosse assim, seria mais difícil nos expressarmos através das canções.

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TMDQA!: Se você tivesse que escolher apenas uma música de Look For Your Mind! para colocar em uma cápsula do tempo, qual faixa melhor define o que o The Lemon Twigs representa hoje?

Brian: É difícil… Das minhas, eu escolheria “Joy”, porque tenho orgulho de como executamos o arranjo orquestral e eu simplesmente gosto da música. Das do Michael, eu diria “Look For Your Mind”, porque a energia surgiu de forma muito fácil; nós dois cantando no mesmo microfone, misturando nossas vozes o melhor que podíamos… acho que isso é uma das coisas especiais do nosso grupo.

TMDQA!: Maravilhoso. Brian, eu sou o Eduardo e represento o site Tenho Mais Discos Que Amigos. Para encerrar: você também se considera alguém que tem “mais discos que amigos”?

Brian: [risos] Bem, sim! Mas isso diz mais sobre eu ter poucos amigos do que ter tantos discos assim, eu diria.
Mas, tecnicamente, provavelmente tenho mais discos que amigos, sim.

TMDQA!: E qual álbum te inspira ou serve como um “porto seguro” para você hoje?

Brian: Vou muito nos mesmos discos. O primeiro que me vem à mente é Discover America, do Van Dyke Parks – é um registro fantástico! Há algo na fusão de estilos ali; você tem arranjadores maravilhosos, o Van Dyke Parks cantando e trazendo influências de New Orleans, Trinidad e arranjos de cordas… Amo esse disco porque é inspirador ver como se pode criar um som novo usando tantas influências diferentes.

TMDQA!: Muito obrigado, Brian. Foi um prazer te conhecer e espero ver vocês em breve!

Brian: Igualmente! Nos vemos por aí. Tchau!

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Eduardo Ferreira

The Lemon Twigs adverte: “Look For Your Mind!”


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