Tom Morello defende engajamento político na música e chama fãs de hipócritas

Tom Morello tocando guitarra
Foto de Tom Morello via Shutterstock

O guitarrista Tom Morello voltou a defender o engajamento político de artistas e rebateu as críticas de quem acredita que músicos deveriam se manter afastados de questões políticas.

Conhecido por sua militância e por músicas de forte teor social à frente do Rage Against The Machine e do Audioslave, o artista de 62 anos afirmou que permanecer em silêncio diante de injustiças pode ser uma forma de conivência.

A discussão ganhou força após sua apresentação no Download Festival 2026, quando Morello direcionou uma mensagem ao ativista britânico de extrema direita Tommy Robinson.

Durante o show, o guitarrista exibiu a frase “FUCK TOMMY ROBINSON” escrita em letras garrafais na parte traseira de sua guitarra, enquanto a mesma mensagem era projetada nos telões do evento. Posteriormente, o engajado artista compartilhou uma imagem da ação em sua conta no X/Twitter.

Tom Morello fala sobre política na música

Em entrevista à revista Metal Hammer, Morello foi questionado sobre o argumento frequentemente utilizado por críticos de que músicos não deveriam se envolver com política. Para ele, a visão revela uma contradição (via NME):

Quando as pessoas dizem que músicos não devem se envolver com política, isso significa que elas discordam da sua posição política. No momento em que você compõe uma música que concorda com a política delas, de repente elas passam a apoiar totalmente. Então, primeiro, é uma grande hipocrisia; mas, segundo, eu também penso: por que você deveria abrir mão do seu direito à liberdade de expressão no trabalho que exerce? Só porque isso ofende alguém?

Acho que o oposto é que é a verdade; acredito que você presta um desserviço a si mesmo e ao seu tempo ao censurar quem você é no mundo, não apenas músicos, mas também em seu trabalho como jornalista musical, gerente de turnê ou motorista de ônibus; você não deve deixar de lado quem você é e no que acredita. Existe um andar ainda mais quente no inferno reservado para pessoas que, em tempos de grande injustiça, se censuram e permanecem caladas quando deveriam ter se manifestado, apenas por medo de algum troll da internet.”

Ele faz a parte dele, né?

Tom Morello rebateu críticas sobre seu engajamento

Ao refletir sobre sua própria trajetória, o guitarrista destacou a influência que grupos politicamente engajados tiveram em sua formação. Tom Morello citou o Public Enemy e o The Clash como artistas que o ajudaram a enxergar a música como uma ferramenta de transformação social, apesar das diferenças culturais e musicais entre as duas bandas.

Segundo Morello, as mensagens das canções o fizeram se sentir representado em suas convicções e reforçaram sua crença no impacto que a arte pode ter sobre as pessoas:

Cada música é como um farol de esperança para alguém.”

Essa não é a primeira vez que o músico responde a críticas sobre seu posicionamento político. Em outra ocasião, Tom rebateu um usuário que o acusou de ser “apenas mais um músico de sucesso que, da noite para o dia, vira especialista em política”. Como resposta, Morello lembrou que possui graduação com honras em Ciência Política pela Universidade de Harvard:

Não é preciso ser formado com honras em Ciência Política por Harvard para reconhecer a natureza antiética e desumana desta administração, mas, bem, acontece que eu sou formado com honras em Ciência Política por Harvard, então posso confirmar isso para você.”

O guitarrista também já criticou parte dos fãs do Rage Against The Machine por, segundo ele, não compreenderem a essência política da banda. Em uma publicação, Morello afirmou se surpreender com a quantidade de pessoas que apreciam o grupo sem entender as mensagens presentes em suas músicas:

Nunca deixo de me surpreender com a quantidade de pessoas que ouviram RATM […] sem entender absolutamente NADA sobre a essência da banda e entendendo ainda menos sobre qual é a nossa posição em relação às questões atuais. Recentemente, conversei com um casal em um restaurante que adorava a música ‘Killing In The Name’. A senhora, muito simpática, disse: ‘Eu amo essa música. Ela me ajudou a me revoltar contra meus pais e, mais tarde, contra a vacina!’ Eu respondi: ‘Minha senhora, essa música fala sobre policiais racistas que muitas vezes agem como a Ku Klux Klan a serviço da supremacia branca histórica, sendo capachos puxa-sacos e capangas da classe dominante capitalista racista’. Ela ficou ali parada, mastigando e piscando, mastigando e piscando.”

Além de suas declarações recentes, Morello segue ativo em iniciativas alinhadas às causas que defende. Atualmente, ele organiza o festival Power To The People, marcado para outubro, em Maryland. O evento reunirá nomes como Bruce Springsteen, Foo Fighters, Joan Baez e Serj Tankian, do System Of A Down, e é apresentado como uma celebração apartidária da paz, da justiça, da solidariedade, da música e da ação comunitária.

O post Tom Morello defende engajamento político na música e chama fãs de hipócritas apareceu primeiro em TMDQA!.

Gabriel von Borell

Tom Morello defende engajamento político na música e chama fãs de hipócritas


Translate »