Copa do Mundo 2026: conheça bandas e artistas de todos os países do Grupo H

Estamos chegando à reta final da Copa do Mundo 2026, e a maior edição do torneio em todos os tempos rendeu algumas histórias inesquecíveis – ainda que, infelizmente, a do Brasil não esteja entre elas.
Sem dúvidas, um dos grandes personagens deste ano foi Cabo Verde, seleção que conseguiu uma classificação improvável no Grupo H e teve uma partida heróica contra a Argentina na nova fase de 16 avos de final, perdendo por 3 a 2 na prorrogação em um jogo inesquecível não só para o país de cerca de 600 mil habitantes, mas para todo o planeta.
Depois desse bonito papel dentro de campo, chegou a hora de Cabo Verde brilhar também no TMDQA! como parte da nossa série que destaca a pluralidade do mundo da música, te levando por uma viagem pelas culturas de diferentes países e mostrando que há (muita) coisa boa espalhada por aí.
Hoje é dia de conhecer justamente a música do Grupo H, que além de Cabo Verde também teve Arábia Saudita e Uruguai, ambos eliminados na primeira fase, e a Espanha, que segue viva nas quartas de final quando esta lista foi publicada.
Logo abaixo, veja a lista com recomendações do Grupo H, depois dos links para os grupos anteriores!
Bandas e artistas do Grupo H da Copa do Mundo 2026
Espanha: Carolina Durante
A Espanha vive um dos seus momentos mais ricos em termos de produção musical. ROSALÍA abriu as portas do mundo para a música espanhola contemporânea com sua reinvenção radical do flamenco em chave eletrônica e urbana.
Na esteira dessa revolução, nomes como Judeline, que mistura flamenco, R&B e pop com uma naturalidade impressionante; Bad Gyal, rainha do dancehall e do reggaeton catalão, e as Hinds, quarteto madrileno que se tornou referência do indie rock em espanhol no circuito internacional, mostram que a nova geração espanhola é diversa, ousada e cada vez mais global.
Mas o destaque deste Grupo H vai para o Carolina Durante, banda de indie rock e punk pop formada em Madri em 2017 e liderada pelo vocalista Diego Ibáñez. Com guitarras afiadas e letras mordazes feitas para serem gritadas em coro, o grupo construiu uma discografia que traz até parceria com a própria ROSALÍA em “Normal”.
Apesar de já ter uma trajetória relativamente longa, o álbum Elige Tu Propia Aventura (2025) consolidou a banda como possivelmente a força mais importante do rock espanhol atual e, em 2026, o Carolina Durante inclusive fez história ao tocar no Coachella mesmo cantando em seu próprio idioma.
Cabo Verde: Mayra Andrade
Cabo Verde é um arquipélago de dez ilhas no meio do Atlântico, com pouco mais de 600 mil habitantes, mas cuja influência musical é inversamente proporcional ao seu tamanho.
A morna, gênero de canção melancólica e contemplativa inscrito pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, foi eternizada pela voz de Cesária Évora, a “diva dos pés descalços”, que levou a música cabo-verdiana ao mundo inteiro. Já no terreno da música de dança, Os Tubarões são considerados a banda mais importante da história do país, responsáveis por popularizar o funaná e a coladeira nos anos 1970 e 1980 e, inclusive, dividindo seu nome com a seleção que conquistou o mundo na Copa 2026.
Porém, mesmo com todo o respeito à tradição, há um nome que merece sua atenção neste exato momento: Mayra Andrade. Nascida em Havana (Cuba) em 1985 e criada entre Cabo Verde, Senegal, Angola e Alemanha, Andrade é frequentemente apontada como a herdeira de Cesária Évora, título que ela aceita com carinho mas do qual se distingue com naturalidade.
Autodidata na guitarra, ela canta em crioulo cabo-verdiano, português, francês e inglês, e sua discografia transita entre a morna tradicional, o pop, o jazz, o afrobeats e a chanson francesa, tendo inclusive parcerias com nomes como o brasileiro Criolo, o nigeriano CKay e o português Branko. Uma artista verdadeiramente global!
Por fim, vale destacar também a diáspora cabo-verdiana, que alimenta outras cenas. Julinho KSD, por exemplo, é um rapper e cantor de ascendência cabo-verdiana radicado em Portugal que mistura kizomba, afrobeats e rap em português num som que conquista cada vez mais espaço no circuito lusófono.
E o Brasil também conta com essas raízes cabo-verdianas em artistas que muitos nem imaginam: Seu Jorge, um dos maiores nomes da MPB contemporânea, e Dudu Nobre, ícone do pagode carioca, são ambos descendentes de cabo-verdianos (e inclusive parentes!), carregando na música uma herança atlântica que conecta as ilhas ao continente sul-americano.
Arábia Saudita: Seera
A Arábia Saudita é um país onde a música não-tradicional foi, durante décadas, tratada como tabu ou mesmo como algo proibido. Shows ao vivo eram banidos, não havia lojas de discos nem revistas especializadas, e bandas que ousavam existir precisavam ensaiar e gravar em segredo.
A Sound of Ruby, formada em 1996 em Dammam pelo vocalista e guitarrista Al-Hajjaj, é considerada a primeira banda de rock da Arábia Saudita e um símbolo de resistência. Misturando punk, grunge e indie rock com escalas e elementos árabes, o grupo passou quase três décadas desafiando convenções do reino.
Já a The AccoLade foi a primeira banda feminina de rock do país; Formada em 2008 em Jedá por quatro estudantes da King Abdulaziz University, o grupo precisava ensaiar em segredo por medo das autoridades religiosas, não podia posar para fotos de capa de álbum e jamais pôde se apresentar em público no próprio país.
Apesar da relevância história dos grupos já mencionados, o destaque por aqui vai para a banda Seera, projeto também totalmente feminino que explora a fusão entre a música árabe tradicional e sonoridades contemporâneas, representando uma face ainda mais ousada e refinada da produção saudita.
Uruguai: Cuatro Pesos de Propina
O Uruguai é um pequeno gigante da música latino-americana, com uma cena que vai do rock ao hip hop com uma consistência que impressiona para um país de pouco mais de três milhões de habitantes.
Entre os destaques estão nomes como o No Te Va Gustar, uma das maiores bandas de rock da América do Sul, que enche estádios com seu rock melódico e letras que falam diretamente ao coração, ou o Cuarteto de Nos, liderado pelo genial Roberto Musso e referência absoluta do rock alternativo em espanhol.
É claro que não podemos deixar de mencionar também o icônico Jorge Drexler, vencedor do Oscar por “Al Otro Lado del Río” (do filme Diários de Motocicleta) e conhecido como um dos compositores mais refinados da língua espanhola. No punk e no hardcore, o Hablan por la Espalda se consolidou como uma das bandas mais respeitadas do underground pesado uruguaio, e foi inclusive o nosso destaque por aqui na Copa passada.
Mas, dessa vez, quem vai representar o Uruguai (sem passar vergonha igual a seleção!) é o Cuatro Pesos de Propina, banda formada em 2000 em Montevidéu que mistura diferentes estilos, do pop rock ao punk, passando por ska, reggae, dub e muito mais. Banda independente na essência, a Cuatro Pesos tem inclusive uma parceria recente com a Francisco, el Hombre que a apresentou a um novo público brasileiro.
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Felipe Ernani
Copa do Mundo 2026: conheça bandas e artistas de todos os países do Grupo H




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