“Confessions II” chegou. Qual artista deveria ser o próximo a revisitar um clássico? (POPline Debate)
15º álbum de estúdio da Madonna, “Confessions II” chega após as comemorações dos 50 anos de carreira da rainha do pop. Criado com o produtor Stuart Price, o disco recebeu críticas muito positivas, foi abraçado pelos DJs nas pistas de dança, registrou boas vendas na primeira semana, e é apontado como possível candidato ao Grammy. Quem mais se sairia bem revisitando um clássico?
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1. “Confessions II” é considerado pelos críticos como o melhor álbum da Madonna em 20 anos. Concorda?
Bruna Cora: “Confessions II” é, na minha opinião, o melhor álbum da Madonna em cerca de 20 anos porque revisita toda a sua trajetória sem soar como uma continuação repetitiva de “Confessions on a Dance Floor” (2005). O disco incorpora referências de diferentes fases da carreira da artista e as reúne de forma orgânica, com identidade própria. Além da produção consistente e da boa sequência de faixas, o álbum transmite a confiança de uma artista que conhece seu legado e sabe reinterpretá-lo sem depender apenas da nostalgia.
Leonardo Nascimento: Com certeza! Madonna é simplesmente genial e o “Confessions II” se tornou um dos meus álbuns favoritos de 2026. É uma estética super bonita, com canções bem amarradas e bem dançantes, como ela prometeu que seria. Admiro demais a capacidade da Madonna de não ficar para trás, de se perder no tempo. Mesmo com tantos lançamentos novos e com tantas mudanças no mundo da música, a Rainha do Pop continua fazendo jus ao seu nome e entregando um trabalho super atual.
Leonardo Torres: Concordo, embora “Hard Candy” (2008) tenha um lugar no meu coração, porque foi quando vi um show da Madonna pela primeira vez e fiquei impressionadíssimo. Os álbuns seguintes também têm bons achados, mas “Confessions II” é o mais coeso. O fim de uma música já prepara para o início da outra, como um set de DJ mesmo. É um álbum sofisticado.
Matheus de Carvalho: Festas ao redor de todo o mundo neste fim de semana estão trazendo a temática “Confessions II”. Madonna volta a dominar as pistas de dança, e acho que é exatamente o efeito que ela esperava alcançar com esse álbum. E isso diz muito mais do que números nas paradas ou opiniões de especialistas. Tá todo mundo pedindo Madonna, e ter essa adesão por parte do público após 40 anos de carreira é um fenômeno!
Vanessa Bandeira: Totalmente. Por ser exatamente uma continuação do clássico “Confessions on a Dance Floor”, dá para sentir a energia da Madonna de 20 anos atrás e como o pop era feito ali no início dos anos 2000. Acho extremamente satisfatório esse resgate de sonoridades antigas trazidas para os dias atuais. Em pleno 2026, estamos precisando muito disso e poucos conseguem fazer com tanta maestria. Madonna, né?
2. Que outros artistas têm álbuns que mereciam continuações, na sua opinião? Justifique.
Matheus de Carvalho: Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas acho que Anitta abalaria estruturas se decidisse lançar um “Funk Generation 2”. Aclamado pelo público e pela crítica e indicado ao Grammy norte-americano, esse foi o disco mais ‘redondo’ da artista, que fez nesse compilado o que sabe fazer de melhor. Anitta poderia fazer muita coisa do que vários outros artistas fizeram, mas ninguém além dela faria um “Funk Generation”.
Leonardo Torres: Não faltam álbuns icônicos que poderiam ser revisitados de alguma maneira. Mas é sempre um risco mexer no que é tão bem aceito. Como estamos falando do “Confessions II”, voltado para as pistas de dança, com música eletrônica, penso imediatamente em um álbum muito amado pelos fãs: o “DNA” (2011) da Wanessa Camargo. Não é um disco tão popular quanto os primeiros dela, mas foi um marco Wanessa cantando música eletrônica em inglês. E a versão ao vivo rendeu “Shine It On”, um hit.
Vanessa Bandeira: A Katy Perry com o “Teenage Dream”. Aquele álbum é uma máquina de hits perfeitos e definiu o pop colorido dos anos 2010. Uma continuação resgatando aquela energia farofa e divertida faria muito bem para o cenário atual. Tudo bem que recentemente ela voltou para o pop-rock com “Watch It Burn”, mas um “Teenage Dream 2.0” cairia muito bem. Outro seria o “Anti” da Rihanna. Ela deixou todo mundo órfão daquele R&B mais maduro, cru e experimental. É facilmente um dos melhores álbuns da história e que merecia muito uma sequência.
Leonardo Nascimento: Eu sou super entusiasta de um “ANTI II”, imagina só? Rihanna iria abalar o mundo pop com um lançamento desses! Mas eu também apostaria em outros trabalhos super memoráveis, como “Circus”, da Britney Spears, “Let Go”, da Avril Lavigne e “Monkey Business”, do Black Eyed Peas.
Bruna Cora: Escolheria “AM”, do Arctic Monkeys. O álbum conseguiu unir riffs marcantes, grooves inspirados no hip-hop e refrões acessíveis sem perder a identidade da banda, tornando-se um dos discos mais influentes da década de 2010. Até hoje, segue entre os álbuns mais ouvidos no Spotify, mostrando que seu impacto atravessou gerações. Por isso, sempre tive curiosidade de ver a banda explorar essa sonoridade em uma continuação, não para repetir a fórmula, mas para expandir um universo criativo que ainda parecia ter muito a oferecer.

3. Alguns artistas já apostaram em continuações de álbuns bem sucedidos. Qual o melhor, na sua opinião?
Vanessa Bandeira: Para mim, a dobradinha “folklore” e “evermore” da Taylor Swift. Ela lançou os dois álbuns quase juntos, compartilhando a mesma proposta folk, melancólica e intimista. O “evermore” serviu como uma continuação impecável, expandindo as histórias do primeiro sem perder a qualidade lírica. Sem contar que o “folklore” virou um marco cultural; todo mundo lembra dele quando chega agosto, e “cardigan” é daquelas músicas que nunca envelhecem e vivem dominando os edits na internet.
Matheus de Carvalho: É difícil pensar, mas diria agora que o “The Fame” e “The Fame Monster”, da Lady Gaga. À época, o mundo testemunhava o surgimento de uma artista rara como Gaga e é possível ver uma linearidade entre os trabalhos. Não é como se soasse um o complemento do outro. Mas, se der play nos dois em sequência, é como se a atmosfera fosse a mesma. E enquanto o primeiro tem hinos como “Just Dance”, “LoveGame” e “Paparazzi”... o segundo também tem! “Bad Romance” e “Alejandro” tão aí que não me deixam mentir.
Leonardo Torres: Vou trazer um exemplo nacional: “solo (vol. 1) e “solo (vol. 2)”, que marcaram o início da carreira solo do Junior. Os dois álbuns foram gravados juntos e lançados com intervalo de sete meses. Eu fiquei viciado no volume 1 até sair o volume 2, que conseguiu ser ainda melhor. O Junior foi estratégico ao colocar o que havia de mais pop na primeira parte. A segunda parte é mais pop rock e traz faixas muito boas, como “seus planos”, “cena de filme” e “fome” (com Gloria Groove).
Bruna Cora: “RENAISSANCE” e “COWBOY CARTER”, da Beyoncé, representam uma das melhores continuações de um projeto recente. Embora sejam sonoramente diferentes, os dois álbuns fazem parte da mesma visão artística e mostram a cantora explorando gêneros historicamente ligados à cultura negra com profundidade e propósito. Em vez de repetir a fórmula do primeiro disco, COWBOY CARTER (act ii) amplia o conceito iniciado em RENAISSANCE (act i), provando que uma continuação pode expandir um universo criativo sem perder identidade.
Leonardo Nascimento: Acho que “SWAG” e “SWAG II” do Justin Bieber são ótimos. Me apaixonei ainda mais pelo trabalho dele depois daquela apresentação no Grammy. Sensacional!

4. Para terminar, diga uma continuação de álbum que não precisava existir.
Leonardo Nascimento: “Pink Friday” e “Pink Friday II”, da Nicki Minaj. Não acho que o trabalho foi tão bem sucedido quanto outras continuações de outros álbuns, e, sinceramente, não é um disco que me deu vontade de escutar outras vezes.
Bruna Cora: Escolheria a trilogia “¡Uno! ¡Dos! ¡Tré!” (2012), do Green Day. A ideia de lançar três álbuns em sequência era ambiciosa, mas, na prática, o projeto acabou diluindo a qualidade das composições. Há boas músicas espalhadas pelos três discos, porém muitas faixas soam dispensáveis e repetitivas. Na minha opinião, um único álbum reunindo os melhores momentos teria causado um impacto muito maior e envelhecido melhor.
Matheus de Carvalho: Não é bem uma continuação, vejo mais como um revisitar com fins comemorativos, mas diria que a nova versão do “Troco Likes”, do Tiago Iorc. Eu tô ansiosíssimo para o show dessa turnê comemorativa de 10 anos do disco, que foi o que me fez conhecê-lo e me apaixonar pelo som. Foi massa escutar músicas que me marcaram muito lá atrás na voz de artistas que passei a acompanhar de forma mais recente, como Marina Sena e Melly, mas, honestamente, acho que não precisava. Eu não trocaria as versões originais por nenhuma das novas, apesar de ter visto muita qualidade nos duetos de agora e achar que as vozes dos convidados com a de Tiago soou muito bem.
Vanessa Bandeira: Com toda certeza o “Britney Jean” da Britney Spears. Tentaram vender o projeto quase como uma sequência espiritual da fase mais eletrônica e pessoal dela, na vibe do “Blackout”, mas deu tudo errado. A produção de EDM envelheceu mal e ficou datada super rápido, os vocais abusaram do autotune e o disco perdeu totalmente a identidade artística que a Britney sempre teve. Nem parece ela, não soa como ela em nenhum momento.
Leonardo Torres: Eu passaria bem sem “SWAG II” do Justin Bieber. O álbum original é muito bom – apesar dos interlúdios dispensáveis com Druski – mas o segundo me pareceu encheção de linguiça. Uma coisa “from the vault” da Taylor Swift. Faltou curadoria.
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Leonardo Torres




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