Priscila Senna no Rock in Rio: “Musa do Brega” celebra marco histórico e revela bastidores em entrevista

Priscila Senna fará história no Rock in Rio 2026 ao se tornar a primeira artista do brega nordestino a se apresentar no festival
@priscilasennaoficial / divulgação

Pela primeira vez na história do festival, o brega nordestino terá voz e protagonismo no Rock in Rio, comandado pela cantora pernambucana Priscila Senna.

Consagrada nacionalmente como a “Musa do Brega” e somando mais de 1 bilhão de streams acumulados ao longo de 15 anos de carreira, a artista natural de Olinda se prepara para se apresentar no Palco Favela, dia 12 de setembro.

Na mesma data, o Rock in Rio traz como principais atrações no Palco Mundo os artistas Maroon 5, Demi Lovato, J Balvin e Pedro Sampaio. Em entrevista exclusiva ao TMDQA!, Priscila Senna relembrou sonhos, contou sobre a preparação e descreveu o momento como “inimaginável”.

Para ela, o show na Cidade do Rock marca um divisor de águas não apenas em sua caminhada pessoal, mas também na consolidação e valorização de um gênero que nasceu na periferia e hoje ocupa o topo da música brasileira.

Ao falar sobre a preparação, a cantora destaca que estar no Palco Favela tem um significado simbólico profundo. A oportunidade de levar a cultura pernambucana a um espaço dedicado às expressões periféricas faz passar um filme na cabeça de quem enfrentou duras realidades antes de alcançar os grandes palcos do país.

É de onde eu vim. Eu sou de periferia. Eu vim do Bairro de Águas Compridas, um bairrozinho muito pobre onde eu comecei. Sofrida, de só me alimentar uma vez por dia. Meu pai era gari, minha mãe empregada doméstica, cuidando dos meus dois irmãos, com 9 anos de idade, já cuidando de duas crianças pequenas para minha mãe poder trabalhar e meu pai também.”

Hoje, a realidade se reflete em conquistas expressivas. No Instagram, o sucesso é estrondoso: 2,6 milhões de seguidores. Priscila se consolidou como a artista de brega mais ouvida do Brasil no Spotify, alcançando a marca de 2,7 milhões de ouvintes mensais.

Faixas como “Não Me Faça Chorar”, parceria com Pablo, versão da música de Bruno Mars “When I Was Your Man”, tornaram-se fenômenos virais, ultrapassando 50 milhões de visualizações no YouTube.

Continua após o vídeo

Apesar dos números astronômicos, a artista prefere manter os pés no chão e não focar excessivamente nas estatísticas:

A verdade é que eu não costumo acompanhar muito, não. A minha equipe chega e fala: ‘Ó, alcançou sei quantos milhões, sei quantas visualizações, inscritos.’ Eu não consigo muito, porque acho que, se a pessoa entrar muito nessa, você só fica cada vez mais querendo… Aí você fez um vídeo, o vídeo bateu sei quantos milhões. Quando você vai fazer outro, tem que superar aquele número, porque senão se frustra. E eu não consigo, porque não quero me frustrar, sabe?”

Com uma carreira que ajudou a transformar a percepção pública sobre o brega, ritmo que no início enfrentava forte preconceito por ser visto de forma pejorativa, Priscila construiu uma ligação direta com o seu público. Em especial, a audiência feminina. Para ela, a chave está na identificação com as letras que retratam o cotidiano e as emoções reais.

O Brega é sentir, toca no coração. Eu canto o cotidiano das pessoas e principalmente das mulheres. Eu acho que meu público é 80% feminino, então eu quero representar com a minha música, com a minha voz, com as minhas letras e que as pessoas se identifiquem. Eu acho que essa é a mensagem que eu quero passar, que as pessoas sintam, porque o Brega é só quem não ouve para não se apaixonar, que não se toque.”

“Uma coisa inimaginável”

O brega se dissolveu em diversos gêneros musicais, incluindo o rock. Historicamente, as duas vertentes se entrelaçam no Brasil desde o final da década de 60. Na época, o brega começou a se desenhar sob forte influência da Jovem Guarda, do rock italiano e das baladas românticas.

O rei do brega, Reginaldo Rossi, iniciou sua carreira integrando a banda de rock The Jazz Stars e depois o grupo The Silver Jets. A música utilizava distorções e arranjos típicos do gênero para embalar crônicas urbanas.

Essa antropofagia musical ganhou contornos ainda mais ousados na música contemporânea no Norte e no Nordeste. Clássicos do rock internacional e do pop britânico ganham versões marcantes do tecnobrega e arrocha. O contrário também já aconteceu, como a versão do clássico brega “Ciganinha” em punk rock, feita por João Gordo.

Com o apoio de todo seu estado, a artista sente também a responsabilidade de ser a pioneira do gênero no festival. Para a apresentação no Rock in Rio, Priscila Senna prepara um espetáculo pensado exclusivamente para o festival. Com figurinos, balé completo e uma seleção minuciosa dos maiores sucessos do seu repertório.

É um marco na minha carreira, uma coisa inimaginável. E já passou o São João, já passaram minhas férias, já não tem para onde correr. Eu estou muito animada, eu estou muito ansiosa, porque eu tenho muitos fãs, tenho um Estado todo que me apoia muito. As pessoas falam que eu sou patrimônio de Pernambuco e eu vou ser a primeira, vai ser uma responsabilidade enorme. Eu vou dar o meu melhor, eu vou dar 100% de mim, da minha verdade e espero que as pessoas se divirtam. Quando eu pisar naquele palco, eu vou só pensar e me divertir, passar a minha verdade.”

Sonhos e Parcerias

No meio da conversa, rolou espaço para falar de parcerias. Priscila já gravou com nomes como Anitta e Liniker, com quem canta a animada “Pote de Ouro” e fez uma recente aparição surpresa no show de estreia da turnê Bye Bye Caju, em São Paulo.

A musa do brega ainda contou o feat dos sonhos que ela nunca tinha revelado antes: gravar com a Sandy! Por ter crescido cantando as músicas da artista, contou que, se gravasse com ela, “zeraria tudo”.

Prestes a vivenciar o auge no festival, Priscila não esconde que seu maior sonho envolve uma saudade profunda. A cantora se emocionou ao relembrar as dificuldades enfrentadas por seu pai. Ele faleceu antes de ver a consolidação da filha e de poder desfrutar do conforto proporcionado pelo sucesso da artista:

É um que é impossível para mim, eu queria muito que meu pai estivesse aqui para me ver, mas infelizmente não está. Eu queria muito, ele sofreu demais, e hoje que eu posso, tenho condições de ter dado uma vida melhor para ele, é o maior sonho. Mas Deus sabe de todas as coisas, e eu sei que ele vai estar junto comigo.”

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Liz Sacramento

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