Electric Callboy leva a própria piada longe demais em “TANZNEID”

Electric Callboy -

Nos últimos anos, a banda alemã Electric Callboy saiu do underground para se transformar em um verdadeiro fenômeno da música pesada. Isso aconteceu em enorme parte graças ao disco TEKKNO (2023), que abraçou com força a estética do exagero e misturou elementos do Eurodance, Pop e mais gêneros inusitados com o peso do Metal.

3 anos depois, TANZNEID chega como uma decepção para os fãs do grupo – especialmente aqueles que já acompanhavam os trabalhos anteriores da banda que está na ativa desde 2010. Na coleção de 10 faixas, os alemães soam constantemente como uma caricatura de si mesmos, e não de um jeito positivo.

Quando a piada vai longe demais

É bom começar esclarecendo: falar que a piada foi “longe demais” não é uma questão dos limites do humor nem nada do tipo. Na verdade, o que acontece em TANZNEID é que o Electric Callboy (ou pessoas ligadas às decisões da banda) parecem ter entendido que o que fez TEKKNO explodir foi o bom humor e não a qualidade das músicas.

Alguns anos depois, o fator novidade não existe mais e algumas das quebras de expectativa são, na verdade, totalmente esperadas. É o caso de “The Way You Are”, que desponta como a faixa mais exagerada do trabalho e, justamente por isso, parece mais um “truque” do que qualquer outra coisa.

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É inegável que o Electric Callboy ainda continua conquistando público e, consequentemente, as músicas novas podem chamar atenção de quem ainda não cansou de ouvir a mesma fórmula sendo repetida à exaustão. Mas nem isso justifica a confusa “Hypercharged”, colaboração com o jogo Brawl Stars que poderia muito bem ter saído como um single solto sem ligação com o álbum e ficado no esquecimento.

Aliás, esse é um dos principais problemas de TANZNEID: a falta de coesão. Esse fator fica ainda mais esdrúxulo quando percebemos que a versão completa do disco foi lançada com apenas duas músicas inéditas (e alguns remixes) e, na tracklist completa, ainda estão um single de 2024 (a ótima “RATATATA”, com BABYMETAL) e uma cover de “Still Waiting”, do Sum 41.

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No cenário atual, é sempre um desafio entender qual é a melhor maneira de lançar um disco. Com forte apelo através de seus clipes, não dá pra dizer que o Electric Callboy errou ao apostar em espaçar seus singles e fazer vídeos para a maioria; ainda assim, poderia ter guardado mais surpresas para a versão final.

O lado bom de TANZNEID

Apesar de tudo, é claro que o Electric Callboy ainda tem como principal qualidade a diversão. E a banda acerta justamente quando isso parece acontecer de maneira natural, como em “Let the Good Times Roll”, parceria com o The Offspring que parece ficar melhor a cada vez que se escuta por deixar transparecer as identidades de ambos os grupos de maneira original e leve.

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Outro ponto alto do álbum é “Elevator Operator”, ainda que o trecho com sonoridade de bossa nova/música de elevador poderia ter sido deixado apenas para o clipe. Mas o verdadeiro destaque do disco está nas faixas em que a banda parece se levar minimamente a sério, deixado de lado os truques para focar na sua excelente e única identidade sonora.

“Heartclub” é um desses exemplos e uma gratíssima surpresa para quem resolveu ouvir o trabalho na íntegra. Literalmente uma das únicas duas canções a não ganhar clipe (ao menos até agora) e não ser lançada antes do álbum, começa com um som excepcionalmente agressivo e logo recebe as apelativas melodias Pop para levar ao melhor e mais groovado refrão da obra.

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No geral, TANZNEID passa longe de ser um disco efetivamente ruim e deve ser capaz de atrair ainda mais público para os shows do Electric Callboy – que, diga-se de passagem, está devendo e muito uma vinda ao Brasil, onde certamente conquistaria um público que foi criado ao som de Summer Eletrohits e vê muitas familiaridades nas influências de Eurodance que circundam o som dos alemães.

Em diversos trechos até mesmo das músicas mais caricatas, como a faixa-título, o grupo mostra que ainda sabe fazer riffs excelentes, que a dupla vocal que funciona com a precisão de um relógio segue em ótima forma e o potencial de um disco que despontaria como um dos melhores da cena pesada no ano.

No entanto, a falta de surpresas, causada em parte pelo excesso de singles mas principalmente pela repetição de fórmulas à exaustão, acaba entrando como a maior vilã por aqui. Vale considerar o exemplo de “Hurrikan” (de TEKKNO) e “The Way You Are” e fazer a reflexão: até mesmo uma excelente piada, quando contada muitas vezes seguidas, acaba perdendo a graça.

★★⯪ (2.5/5)

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Felipe Ernani

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