A história por trás do maior hit do Ghost que viralizou no TikTok

A trajetória de “Mary on a Cross”, do Ghost, demonstra como uma música pode transcender seu contexto original e alcançar novos públicos. A canção da banda sueca se tornou um fenômeno global em 2022, três anos depois de seu lançamento, graças às redes sociais.
Sendo assim, a música que fez parte do EP de duas faixas intitulado Seven Inches of Satanic Panic (2019) se estabeleceu como o maior sucesso da carreira do grupo liderado por Tobias Forge.
Conhecido por combinar melodias cativantes com letras repletas de simbolismo religioso e ocultismo, Forge sempre demonstrou habilidade em transformar temas controversos em músicas acessíveis ao grande público. “Mary on a Cross” talvez seja o exemplo mais bem-sucedido dessa fórmula.
A canção ganhou nova vida quando um usuário do TikTok publicou uma versão desacelerada e carregada de reverb para acompanhar cenas da série Stranger Things. O vídeo que você confere ao final da matéria viralizou rapidamente, dando início a uma trend que gerou centenas de milhares de publicações utilizando a música.
A faixa sofreu um impacto tão imediato que levou o Ghost pela primeira vez à parada Billboard Hot 100 nos Estados Unidos, além de ter se tornado a música mais reproduzida da banda nas plataformas digitais, acumulando centenas de milhões de reproduções no Spotify.
Hit do Ghost que viralizou no Tiktok carrega história curiosa
Parte do fascínio de “Mary on a Cross” está ligado ao elaborado universo ficcional criado pelo Ghost ao longo de sua carreira. Segundo a mitologia da banda (via Loudersound), a música teria sido originalmente gravada em 1969 por uma versão psicodélica do grupo liderada por Papa Nihil, um dos personagens centrais da narrativa do Ghost.
Nesse enredo, a canção permaneceu esquecida durante décadas até ser redescoberta e relançada ao lado de “Kiss the Go-Goat” no compacto Seven Inches of Satanic Panic. Na realidade, as duas músicas foram compostas e gravadas após o lançamento do álbum Prequelle (2018), em parceria com os compositores e produtores suecos Salem Al Fakir e Vincent Pontare, conhecidos coletivamente como Vargas & Lagola.
A dupla já havia colaborado com artistas como Madonna e Katy Perry, além de trabalhar com o próprio Ghost em diversas ocasiões. Musicalmente, “Mary on a Cross” incorpora elementos do Rock Psicodélico e do Garage Rock do final dos anos 1960, misturando referências religiosas e possíveis duplos sentidos sexuais.
A interpretação da letra, aliás, sempre gerou debates entre fãs e críticos. Forge, por sua vez, evita fornecer explicações definitivas. Em entrevistas, o cantor afirmou que a música foi escrita com múltiplos níveis de significado e que muitos ouvintes tendem a interpretar o refrão apenas pelo viés sexual.
Segundo ele, a expressão “go down” (“descer”) pode se referir tanto a um ato sexual quanto à ideia de “entrar para a história” ou alcançar notoriedade. Da mesma forma, a figura de “Mary” não necessariamente remeteria à Virgem Maria. Forge sugeriu que a personagem poderia simbolizar Maria Madalena, frequentemente retratada de forma controversa ao longo da história cristã.
Diante dessa perspectiva, a canção abordaria temas como percepção pública, identidade e pessoas que foram mal compreendidas ou injustamente retratadas. O próprio compositor revelou que a música é, em essência, uma reflexão sobre amizade e relacionamentos que mudam com o tempo. Segundo Tobias, a letra trata da experiência de compartilhar sonhos e objetivos com alguém para, posteriormente, seguir caminhos diferentes.
Aproveite para assistir ao clipe de “Mary On A Cross” mais abaixo!
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Gabriel von Borell
A história por trás do maior hit do Ghost que viralizou no TikTok





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